Ao celebrar a operação militar dos Estados Unidos contra o governo da Venezuela, o presidente Donald Trump afirmou que a ação também serve como um recado a outros países do hemisfério ocidental, incluindo o México, de que devem se subordinar aos interesses norte-americanos no marco da Doutrina Monroe, que ele voltou a defender como base da política dos EUA na região.
Em entrevista à Fox News, Trump foi questionado se a ofensiva contra a Venezuela poderia ser interpretada como um aviso direto ao México. Ele respondeu que “não foi essa a intenção”, mas acrescentou que “algo terá de ser feito” em relação ao poder dos cartéis de drogas no país vizinho. Segundo o presidente, embora mantenha uma relação amistosa com a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, “quem manda no México são os cartéis. Ela não manda no México”.
Trump afirmou ainda que Sheinbaum “tem muito medo dos cartéis” e relatou que já a questionou diversas vezes sobre a possibilidade de os Estados Unidos atuarem diretamente contra esses grupos criminosos. De acordo com ele, a presidente mexicana teria recusado a proposta. “Alguma coisa vai ter de ser feita com o México”, concluiu.
Apesar das declarações, Trump não voltou a mencionar o México na entrevista coletiva transmitida à nação no fim do mesmo sábado. Na ocasião, ele enquadrou a operação militar na Venezuela como parte da retomada da Doutrina Monroe, que, em tom irônico, passou a chamar de doutrina “Donroe”, em referência ao próprio nome.
Nesse contexto, o presidente também comentou sobre outros países da região. Questionado sobre Cuba, afirmou que o país “é hoje uma nação fracassada” e que os Estados Unidos querem “ajudar o povo cubano”. O secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou as críticas, classificando Cuba como “um desastre” e dizendo que a operação na Venezuela demonstra que Trump está disposto a transformar discurso em ação. “Se eu morasse em Havana, estaria preocupado”, afirmou.
Sobre a Colômbia, Trump repetiu acusações já feitas anteriormente, dizendo que o governo do país continua permitindo o cultivo e o tráfico de cocaína, que, segundo ele, estaria sendo enviada aos Estados Unidos. Voltou também a fazer comentários duros sobre o presidente colombiano, Gustavo Petro, afirmando que ele “deveria cuidar do próprio traseiro”.
O presidente norte-americano foi ainda questionado sobre a captura de um chefe de Estado acusado de narcotráfico, em contraste com o indulto concedido recentemente ao ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, que cumpria pena nos Estados Unidos após condenação por crimes relacionados às drogas. Trump limitou-se a dizer que Hernández foi perseguido de forma “injusta” e afirmou que o perdão não causou reação negativa em Honduras, citando a vitória de Nasry Asfura, candidato do mesmo partido, como prova disso.
Trump também declarou que candidatos latino-americanos apoiados por ele venceram eleições não apenas em Honduras, mas também no Chile e, anteriormente, na Argentina. “Estamos indo muito bem”, concluiu.
LEIA TAMBÉM:
Fábio de Oliveira Ribeiro
4 de janeiro de 2026 12:15 pmAmeaças de um império decadente apenas apressarão a queda dos EUA.