10 de junho de 2026

Os idiotas da objetividade e a campanha contra Moraes, por Luís Nassif

A sequência de denúncias, em cima de informações falsas ou não confirmadas, e o destaque editorial, transforma o episódio em campanha.
Foto de Fellipe Sampaio/STF

A denúncia sobre contrato do escritório da esposa de Alexandre de Moraes gerou debate ético e enfraqueceu o STF.
Campanha contra Moraes usa informações não confirmadas e é destaque diário na mídia tradicional.
Enfraquecimento do STF pode beneficiar organizações criminosas no Congresso e na Faria Lima.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

As vulnerabilidades da opinião pública

Há duas vulnerabilidades no sistema de informação da parcela dita culta da população – aquela que, pelo menos em tese, deveria pensar projetos de país.

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Uma delas, é o simplismo. Cada fato, cada denúncia, é avaliada em si. Começa como instrumento político de um dos lados. Depois, se espraia pela opinião pública, como uma realidade simples, sem nenhuma capacidade de analisar consequências, externalidades, interesses envolvidos. É o ambiente ideal para o uso da denúncia como lobby.

A segunda vulnerabilidade é o imediatismo. Joga-se a pedra no lago e aguarda-se a formação de ondas sucessivas, sem nenhum contraponto. É um país incapaz de perceber as consequências futuras de ações imediatas.

As formas de lobby

Essa incapacidade analítica cria duas formas de lobby.

A mais óbvia é a defesa e o elogio do patrocinador.

A menos óbvia (e mais utilizada) é o ataque aos adversários do patrocinador.

Casos atuais

Entendidos esses dois conceitos, vamos à análise de casos atuais.

  1. Caso Alexandre de Moraes

Vulnerabilidade; um contrato do escritório da mulher com o Banco Master.

Consequências: no plano ético, enfraquecimento de sua posição e do Supremo Tribunal Federal como um todo. Não há nenhum ilícito penal, mas uma questão ética.

  1. Campanha contra  Alexandre

Surgiu com a história (depois não sustentada) dos quatro telefonemas a Gabriel Galípolo para interceder pelo Master.

Uma denúncia sobre o contrato do escritório da esposa de Moraes é furo jornalístico.

A partir daí, a sequência de denúncias, em cima de informações falsas ou não confirmadas, e o destaque editorial conferido, transforma o episódio em campanha. Os sinais de campanha são nítidos:

  • sucessivas matérias, em cima de informações repetidas;
  • primeira página diária dos jornalões.
  1. Quem se beneficia

Se é campanha, a análise tem que sair dos critérios jornalísticos e enveredar por outras questões: a quem serve?

O caminho consiste em responder à questão: quem ganha com o enfraquecimento de Moraes e do STF? Respostas óbvias:

  • Entre 60 e 190 parlamentares, integrantes de organizações criminosas especializadas em desviar recursos de emendas parlamentares.
  • A Faria Lima como um todo, e não apenas as instituições diretamente envolvidas com o Master. Toda a ciranda da Faria Lima se sustenta, hoje em dia, em uma pirâmide, com centenas de fundos sendo constituídos por ativos falsos, e utilizados para arrecadar poupança dos incautos ou para lavagem de dinheiro, desde os tradicionais “perde-ganha” com as corretoras até os fundos fictícios e criptomoedas.

Consequências

Consequência benéfica: obrigará definitivamente o STF a montar seu código de conduta, acabando com o privilégio dos escritórios familiares e das viagens internacionais. E ponto.

Consequências negativas

  • enfraquecimento da luta nacional contra as organizações criminosas que atuam no Congresso e na Faria Lima.
  • Inviabilização política do próximo governo e controle definitivo do orçamento pelo Centrão e demais organizações. 
  • Ampliação do PCC e das organizações criminosas que lavam dinheiro na Faria Lima.

 Os irracionais

A partir daí, que não se dê ouvido aos idiotas da objetividade. Mas é imoral o contrato do escritório da esposa de Moraes com o Master, dirão eles. Sim, e vamos prosseguir nas pressões por um código de ética nos tribunais superiores. 

Mas o que significaria a queda de Moraes e a desmoralização do STF? O fim do país como Nação, o vale-tudo final, como campo de batalha do crime organizado.

Leia também:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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4 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    5 de janeiro de 2026 12:47 pm

    Como perguntou seu Jair a: “Quanto vale a vaga no STF?”.

    Um país não pode depender de um Ministro de Corte Superior.

    As relações do STF com escritórios de advocacia são inaceitáveis.

    Os ministros do STF sempre tem amigos com jatos privados.

    Sempre falam muito, dão mais entrevistas que atacante do Flamengo.

    Mas como quase tudo que sai na imprensa tem sempre caroço no angú.

    Em breve como seremos governados por um interventor americano (piada ok) preocupação tola…

  2. Eduardo

    5 de janeiro de 2026 2:28 pm

    Estranho, ngm pediu código de ética pra Magistratura quando, na Lava jato, os parentes dos Procuradores ganharam milhões negociando delações…

  3. Asafe Guardi

    5 de janeiro de 2026 8:53 pm

    Nassif, além das questões expostas como questão de ética, aproximação com o pessoal do dinheiro “ilícito” são aproximações perigosas. Vc sabe muito bem disto. Manter o equilíbrio meu caro é exceção a regra. Pensando no pais, aí é outra coisa, pq estão envolto outros bilhões. Uma coisa é quase certo, o momento é sensível. Mas quem está por ai negociando com a guilhotina?

  4. Silvio Torres

    7 de janeiro de 2026 7:13 am

    Realmente o interessei financeiro da globo nessa história do Master é gigante. Começou ontem uma nova ofensiva usando supostos pagamentos de influenciadores digitais. Na ponta de lança do ataque, ela, a malu. Como diria Nelson Rodrigues, sempre essa mulher fatal. O engraçado é ver os representantes da mídia tradicional batendo forte nos concorrentes do YouTube e Instagram por usarem dos mesmos métodos que eles sempre usaram…kkkkk

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