22 de maio de 2026

MPB Ano Zero: A hora é essa, gente boa!, por Aquiles Rique Reis

Projeto do jornalista Hugo Sukman, do cantor Augusto Martins e do produtor Marcelo Cabanas, que reuniu 31 artistas em 22 gravações inéditas.

O álbum MPB Ano Zero, apoiado pela Biscoito Fino e prefeitura do Rio, reúne 31 artistas em 22 faixas inéditas.
O projeto foi idealizado por Hugo Sukman, Augusto Martins e Marcelo Cabanas, e inclui videoclipes e minidocs no YouTube.
Destaques incluem gravações de clássicos da MPB por novos talentos, reafirmando a diversidade e renovação do gênero.

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A hora é essa, gente boa!

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por Aquiles Rique Reis

Para a primeira coluna de 2026, vamos de MPB Ano Zero (independente, com apoio da Biscoito Fino e da prefeitura do Rio de Janeiro, através da Lei Aldir). Álbum duplo que é fruto de um projeto idealizado pelo jornalista e escritor Hugo Sukman, o cantor Augusto Martins e o produtor Marcelo Cabanas, que reuniu 31 artistas em 22 gravações inéditas.

Cabe ressaltar a magnitude da ideia. A força da chamada MPB está ali retratada dentro de seu universo plural, sob os auspícios de vozes pouco conhecidas para muitos, mas com um talento que revela a diversidade da música brasileira, diversidade esta que faz dela a melhor do mundo.

Tudo começa com a gravação de “Bendegó”, de Claudia Castelo Branco e Renato Frazão, pelo MPB4. Um detalhe: fomos convidados a apadrinhar o projeto pelos idealizadores, que nos consideram um símbolo da história da sigla MPB. Honrados pelo reconhecimento, não há como me furtar a passar tal informação.

A gravação ficou a nossa cara. Partindo da letra do Frazão, e amparados pela potência melódica, rítmica e harmônica de Claudia, pelo arranjo de Paulo Pauleira, tocado por seu piano, pelo baixo de João Faria e pela batera de Marcos Feijão, nos vimos aptos a cantar a origem do Bendegó, síntese do projeto.

Ouvir as 22 gravações é comungar com a convicção que carece de se expandir junto aos que se interessam pela MPB. Os 31 participantes são a cara e a coragem de um Brasil que luta pra dar certo, cantando e resistindo às tentativas golpistas.

A força do MPB Ano Zero decorre, também, da presença de todos os videoclipes e dos 21 minidocs contando a trajetória dos participantes (disponíveis no canal da Biscoito Fino no YouTube), bem como de todos os instrumentistas e arranjadores que se somaram à ideia. Alguns dos destaques:“Se Eu Quiser Falar Com Deus” (Gilberto Gil), por Ilessi; “Canoa Canoa” (Nelson Ângelo e Fernando Brant), por Fred Demarca e Juliana Linhares;“Máfia da Miçanga” (Almir Guineto e Luverci), por Caxtrinho; “Pecado Capital” (Paulinho da Viola), por Marcelo Menezes; “Nasci Pra Sonhar e Cantar” (Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho), por Vidal Assis.

Ao ouvir MPB Ano Zero, cairá por terra qualquer dúvida que ainda reste, e que se consolida através da desesperança de uma pergunta boba: “Será que não existe ninguém novo na música brasileira de hoje em dia?” A resposta é, mil vezes não! Ou melhor, trinta e uma vezes não!

Porque o papo é sério. Somando todo o material do projeto, tem-se nas mãos a geração de um trabalho de referência. Quem quiser entender melhor a música que mais representa a nossa gente, tem agora um documento no qual pulsam as músicas cantadas por craques de voz ainda pouco conhecidas, tocadas por instrumentistas que precisam ser ouvidos pelos amantes da música popular brasileira. A hora é essa, gente boa!

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

Ouça o álbum:

PS. Mais informações: @mpbanozero.

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Aquiles Rique Reis

Músico, integrante do grupo MPB4, dublador e crítico de música.

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