20 de junho de 2026

Falta alguém no julgamento do Master, por Luís Nassif

Em outubro de 2025, antes da liquidação, Campos Neto declarou publicamente que considerava o caso do Master “pontual e não sistêmico”

Roberto Campos Neto presidiu o BC (2019-2025), recebeu alertas sobre riscos do Banco Master, mas não agiu rapidamente.
FGC e grandes bancos alertaram BC sobre crescimento e ativos do Master, mas medidas restritivas só vieram tardiamente.
O BC bloqueou venda do Master em 2025; omissão custou R$ 41 bi ao FGC e prejuízo a correntistas e investidores.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Roberto de Oliveira Campos Neto foi presidente do Banco Central do Brasil de 28 de fevereiro de 2019 até 1º de janeiro de 2025, indicado pelo governo de Jair Bolsonaro.  Jamais escondeu sua militância partidária, desde a campanha de Bolsonaro até sua saída do Banco Central.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

É sabido que o Banco Master tinha estreitas ligações com grandes lideranças do Centrão, como Arthur Lira, Antonio Rueda e Ciro Nogueira.

É importante entender o que significou a iniciativa inicial do Tribunal de Contas da União, através do respeitado procurador Lucas Furtado, e a malícia do ministro do Centrão, Jhonatan de Jesus.

A intenção de Furtado era analisar os procedimentos do Banco Central para entender a demora em atuar em relação ao Master. Jhonatan aproveitou a brecha para falar em reverter a liquidação.

Vamos retomar, então, as preocupações de Lucas Furtado: qual a razão da demora do BC em agir?

Segundo a Bloomberg, o FGC (Fundo Garantidor de Crédito)  enviou cartas formais de advertência ao Banco Central. Executivos que financiam o FGC também teriam buscado o BC para alertar sobre o banco. Alguns desses alertas teriam chegado diretamente a Roberto Campos Neto. 

Fontes ouvidas pela Bloomberg afirmam que Campos Neto teria prometido agir frente a esses alertas, mas sem implementar ações regulatórias mais incisivas ou mudanças supervisionais imediatas no ritmo que o banco se expandia. 

Essa percepção — de que o BC não agiu com a rapidez desejada dadas as preocupações levantadas — alimentou críticas no mercado e entre observadores: pela velocidade de crescimento do Master, que continuou a emitir títulos e expandir carteiras; pela falta de medidas prudenciais mais duras antecipadamente. 

Durante a própria gestão de Campos Neto ainda ocorreram alguns episódios importantes:

Em outubro de 2025, ainda antes da liquidação, Campos Neto declarou publicamente que considerava o caso do Banco Master “pontual e não sistêmico”, sinalizando que a instituição não representava um risco amplo ao sistema financeiro — embora ressaltasse a necessidade de análise cuidadosa. 

Membros da Associação Brasileira de Bancos reconheceram que o sucessor de Campos Neto, Gabriel Galípolo, tem agido com base em evidências técnicas mais claras, enquanto a anterior gestão foi considerada menos proativa diante de riscos emergentes. 

Uma cronologia do desastre anunciado mostra a inoperância do BC, sob Campos Neto:

2019

  • Assinatura do acordo de cooperação BC–FGC
  • Abre canal formal para troca de alertas
    Infraestrutura de aviso criada — mas pouco usada de forma decisiva

2020–2022

  • FGC envia cartas ao BC alertando:
    • crescimento acelerado do Master
    • ativos de difícil avaliação
  • Grandes bancos também alertam informalmente
    Nada muda na supervisão prática

BC ouve, arquiva e segue o jogo.

2023

  • Master acelera captação:
    • CDBs com taxas agressivas
    • expansão fora do padrão prudencial
  • Novos alertas chegam ao BC
    Nenhuma medida restritiva concreta

2024

  • Crise de liquidez começa a aparecer
  • FGC passa do alerta à ação: socorro financeiro
  • BC intensifica monitoramento tardiamente

Aqui já era incêndio, não fumaça.

Set/2025

  • BC barra venda ao BRB
  • Primeira ação regulatória dura
    Tardia: banco já em colapso

Out/2025

Campos Neto declara:

“Caso pontual, sem risco sistêmico”

Tradução histórica: subestimou o problema.

Custo da omissão: R$ 41 bilhões do FGC, e uma quantia ainda não calculada de correntistas e investidores.

Leia também:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

7 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Laura Macia Munhoz

    10 de janeiro de 2026 8:41 am

    A mídia não divulga o necessário para que as pessoas entendam todo o processo que culminou com o fechamento do Banco Master. Falta sempre uma peça para os cidadãos ficarem realmente ao par do que acontece. Só se sabe que é falcatrua!

    1. Solle

      10 de janeiro de 2026 12:27 pm

      É só pesquisar no IA que vc consegue as informações em detalhes. Agora o público médio jamais vai entender o que aconteceu, e nem quer saber .

  2. Jotusolutions.marcelo

    10 de janeiro de 2026 9:33 am

    Então é simples,stf tem q pedir uma acareação entre campos.arrasados neto,executivos e vircaro depois emitenum.boleto para o.Arrasado neto psgar !!!

    1. emerson57

      10 de janeiro de 2026 3:07 pm

      Prephiro Papuda 2.

  3. Paulo Dantas

    10 de janeiro de 2026 10:25 am

    Pelo cheiro da coisa será mais fácil achar quem NÃO está envolvido entre políticos, juízes, mídia etc.

    1. emerson57

      10 de janeiro de 2026 3:06 pm

      Prephiro Papuda!

  4. Paulo Dantas

    10 de janeiro de 2026 10:56 am

    Off Lewandowski saiu e o site sequer fez uma nota , aqui alguém disse que ele era “maior que a cadeira” de fato era pous nunca sentou nela …

Recomendados para você

Recomendados