Ontem houve a convocação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, presidida pelo Senador Renan Calheiros. A convocação foi provocada por artigo do GGN mostrando envolvimento de Campos Neto com operações suspeitas, quando Diretor Tesoureiro do Banco Santander.
Na sessão, ficou-se sabendo que o Santander pagou R$ 19,6 milhões de multas para o BC, pelos desvios ocorridos em operações entre 2015 e 2017.
Vamos a um pequeno histórico do caso.
No dia 16 de outubro, sai reportagem no Estadão sobre a Operação Collossus, montada pela Polícia Federal e pelo COAF. Segundo a reportagem, a intenção foi apurar operações irregulares ocorridas entre 2017 e 2017, em várias instituições pequenas e no Banco Santander.
A manchete era bombástica: “Mudança de lei do câmbio anistia 5 bancos investigados em escândalo de lavagem do PCC e do Hezbollah“
Segundo a reportagem, as operações foram sugeridas a várias instituições que recusaram, por perceberem flagrante ilegalidade, e denunciaram à PF. O único banco grande que aceitou foi o Santander.
A PF divulgou a operação em 2022. Mas, em dezembro de 2022 o Banco Central soltou uma resolução que, na prática, impedia a criminalização das operações anteriores. Pelas regras em vigor, os bancos tinham que se comprometer com determinados documentos e com a identificação clara dos clientes. Pelas novas regras, acabava-se com essa possibilidade.
No dia 17 de outubro juntei as peças que faltavam, mostrando que, no período investigado, o responsável pelas operações no santander era Roberto Campos Neto: “Como Campos Neto livrou seu antigo empregador, e a si próprio, de denúncias de gestão fraudulenta“.
No dia 21 de outubro, outra revelação: “BC fecha acordo de leniência e livra Campos Neto de acusação“. Na verdade, era um Termo de Compromisso, pelo qual Campos Neto pagava R$ 300 mil de multas, sem reconhecimento de culpa, e o BC o isentava de qualquer ação maior.
Ontem, finalmente, houve a audiência convocada por Renan Calheiros.
Vamos a um resumo do tema Campos Neto:
- Alegações Iniciais: O presidente da CAE, Senador Renan Calheiros, questionou o Termo de Compromisso assinado por Roberto Campos Neto (ex-presidente do BC) junto ao Banco Central, antes de sua gestão. O TC se referia a irregularidades de controle e compliance no Banco Santander entre 2015 e 2017, envolvendo operações de câmbio que totalizaram US$ 338 milhões, e que resultou em uma multa de R$ 300.000 ([02:29], [04:52]).
- Esclarecimentos do BC e COAF:
- O BC afirmou que o TC é um instrumento legal para corrigir falhas administrativas de controle e não se confunde com acordos de leniência que envolvam a esfera criminal, nem impede a atuação da Polícia Federal ou do Ministério Público ([15:23], [02:36:05]).
- O BC confirmou que as irregularidades (falhas cadastrais e deficiências de controle) foram comunicadas ao Ministério Público ([01:55:07], [02:46:00]).
- O Diretor Ailton Santos, do BC, esclareceu que o comitê técnico do BC não classificou as infrações como “falta grave” e que a multa aplicada seguiu o rito de governança interna, sendo a decisão de arquivamento tomada por ele como presidente do comitê ([02:25:17], [02:26:24]).
Segundo corretas as reportagens do Estadão e do Valor Econômico, o que se viu foi um absoluto nonsense:
Aquino esclareceu que o episódio não gerou abertura de um processo administrativo sancionador e disse ter “tranquilidade” em afirmar que as operações não geraram vantagens indevidas para pessoas jurídicas que as contrataram.
É inacreditável! Os clientes suspeitos, entre outros, eram o Hezbollah e o PCC. Mas, para tranquilidade geral do mercado, as operações de Campos Neto não trouxeram nenhum prejuízo aos clientes.
Já Galípolo negou que o termo de compromisso tenha força jurídica para interromper eventuais investigações criminais.
Ora, segundo a própria operação, a medida que interrompeu investigações criminais foram as alterações promovidas pelo BC ao aprovar o novo marco legal do câmbio.
A nova lei, aprovada em dezembro de 2021 e regulamentada pela Resolução 277 do Banco Central, em 31 de dezembro de 2022, retirou dos bancos essa responsabilidade, deixando apenas na mão dos clientes, o que fez com que possíveis condutas ocorridas entre 2017 e 2022 — que estavam sendo investigadas — deixassem de ser crime.
Segundo Aquino, o Santander também pagou multa ao BC para firmar o termo de compromisso, mas ele não revelou qual – que foi verificado pelo Valor. “Independentemente da multa, a instituição financeira tem que melhorar os seus controles e é isto que o Santander fez. Este é o ponto central.”
O ponto central não é a suspeita de ter lavado dinheiro para o Hezbollah e o PCC, mas a instituição melhorar seus controles.
De acordo com o diretor, o comitê técnico do BC entendeu que não estavam presentes condições de falta grave.
O ex-presidente do BC, quando diretor do Santander, é acusado de lavar dinheiro para o Hezbollah e o PCC. Mas “não estavam presentes condições de falta grave”.
Já o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ricardo Saadi, afirmou na mesma audiência que o termo de compromisso assinado por Campos Neto com o BC “não atrapalha ou evita eventuais investigações criminais“.
Mas é evidente que não. O ato que, segundo a Collossus, interrompeu as investigações foi a Resolução 277.
Está nas mãos de Renan, agora, convocar outros órgãos de controle e, principalmente, conseguir a íntegra da Operação Collossus. A partir dela, haverá condições de desvendar a promiscuidade entre mercado e crime organizado. E recolocar o Banco Central no papel de regulador do mercado, que parece ter abandonado na gestão Campos Neto.
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Flavio
26 de novembro de 2025 4:58 amAbsurdo isso! No entanto, como diziam os antigos: a PF tá com a “faca e o queijo” para finalizar essa investigação.
Fábio de Oliveira Ribeiro
26 de novembro de 2025 8:04 amEsse caso do Banco Master é muito escandaloso, mas afeta os lucros e os negócios de pessoas abastadas (bandidos e suas organizações criminosas incluídos). Nassif deveria olhar com mais atenção os esquemas Ponzi criados com ajuda da CVM. Muitos deles colapsaram causando prejuízos à uma imensa quantidade de pessoas comuns. Eu tenho um cliente que foi seduzido na igreja para ivestir tudo que recebeu quando da aposentadoria numa pequena empresa financeira (SS/F CONSULTORIA FINANCEIRA EIRELI). Quando o esquema Ponzi colapsou ele perdeu o que investiu. O prejuízo dele em valores de julho de 2018 foi de R$ 247.868,50 (uma pequena fortuna, se considerarmos que ele é apenas um operário aposentado por invalidez que perdeu o braço num acidente de trabalho). Somente depois que o estrago tinha se consolidado a CVM proferiu a deliberação 773/2017desautorizando o funcionamento da empresa. O caso virou Inquérito Policial federal ( 5007449-14.2022.4.03.6181), a empresa evaporou e os sócios dela sumiram. Consegui citar um deles e o processo do meu cliente vai a julgamento. Mesmo que ele ganhe (o que é incerto), dificilmente ele receberá de volta o que investiu e será indenizado.
Fábio de Oliveira Ribeiro
26 de novembro de 2025 6:08 pmNo início da pandemia, Campos Neto disse numa reunião de investidores que reduzir o número de mortes durante a pandemia causaria danos à economia brasileira. Ele claramente planejou usar a pandemia para maximizar o número de mortes com o intuito de desonrar o orçamento (mortos não recebem aposentadorias e não causam despesas com assistência, médica, educação, etc). Seu Jair seguiu a risca o plano dele sabotando a compra de vacina e o uso de máscaras. Mas até agora ninguém sequer cogitou a responsabilidade indireta do presidente do BC pelo genocídio pandemico.