A Operação Colossus é, definitivamente, um divisor de águas na história do mercado de capitais brasileiro. É o primeiro retrato completo do que se transformou o mercado de capitais brasileiro, uma imensa lavanderia, abastecida não apenas com caixa 2, mas com recursos das organizações financeiras.
O quadro parcial é estarrecedor:
• 2 prisões preventivas; 37 mandados de busca (22 PF + 15 PJ);
- 6 exchanges de criptomoedas entre as 15 pessoas jurídicas da 1ª fase;
- Bloqueio/sequestro de ativos em 28 exchanges (Brasil e exterior);
- Mais de 40 instituições financeiras movimentaram recursos do grupo;
- Pelo menos 68 empresas de fachada identificadas depois, segundo RIF do COAF, com mais de R$ 6,7 bilhões movimentados só em 9 dessas empresas entre 2022–2023 (Operação Aluir, 3ª fase). Portal do bitcoin .
Na operação, houve a recomposição do antigo Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), com a participação cooperada da PF, Receita, COAF, Banco Central, MPF e Justiça Federal (6ª Vara SP).
Várias lições saíram dessa operação.
1. A volta do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin)
O desenho inicial, formulado na Sisbin, foi a forma mais eficiente de combater o crime organizado. Juntava todos os órgãos de investigação atuando de forma cooperada, mas com um controle centralizado em Brasilia. Se algum estado tinha uma operação grande, de alcance nacional, recorria a Brasilia. Lá, PF e Procuradoria Geral da República forneciam os insumos necessários, mas mantinham o controle dos serviços de inteligência.
A experiência naufragou quando dois personagens débeis – o ex-Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, e o ex-Procurador Geral da República Rodrigo Janot – transferiram todo o poder a procuradores e juízes inescrupulosos, atuando na ponta. Tem se que pensar em uma estrutura que não fique à mercê de comandos fracos.
2 Banco Central voltar a ser instância pública
Nos últimos anos, a discussão sobre transformar ou não o Banco Central em uma fundação escondia uma questão de fundo muito mais relevante: o BC deve ser uma instituição de estado, com a missão de regular e fiscalizar o mercado, ou ser um parceiro atuante para o desenvolvimento do mercado?
Com o quadro desenhado pela Collossus, não há dúvida: ou o BC retoma sua função de instituição pública, e seus funcionários recobram a condição de servidores públicos, ou o Brasil se tornará a maior lavanderia do planeta.
É indecente o tratamento dado pelo BC ao mercado de crédito. Tratei desse tema no artigo “Quando o crédito deixa de servir ao país e passa a servir ao mercado”. O crédito — que deveria ser meio para financiar investimentos e ampliar o bem-estar — foi transformado em fim em si mesmo. Ou melhor: em um setor de negócios para o mercado financeiro. A economia real virou figurante.
“Em qualquer país que tenha projeto, o crédito é meio. Aqui, o crédito virou moeda de troca, lastro, mecanismo de arbitragem, instrumento de política fiscal disfarçada e, sobretudo, fonte de renda para o sistema financeiro”.
Ao longo das últimas décadas, foram tomadas medidas para descomplicar o crédito, para reduzir a fiscalização, para flexibilizar os controles. Tudo em nome de uma suposta democratização do acesso ao crédito. Na outra ponta, criou-se todo tipo de garantia para o setor financeiro, permitiu-se Benefícios de Prestação Continuada (BPC) e Bolsa Família como colateral para empréstimos, incluindo até beneficiários crianças com deficiência. E sem atacar por um instante os spreads bancários.
Tudo isso pelo fato do BC passar a atuar como agente estimulador do mercado, e não como regulador.
A transformação do banco em fundação de direito público tornará definitiva a mudança de espírito e a consolidação final da porta giratória.
3. O mercado desregulado como combustível do crime
O país está em luta contra o crime organizado. O principal fator de alimentação do crime organizado é o mercado desregulado, onde se permitiu o absurdo das criptomoedas, da lavagem explícita de dinheiro, da redução dos controles, da exploração de vulneráveis, do aumento das garantias bancárias.
Não se trata de opção ideológica, mais ou menos liberalismo. Trata-se de decidir se o BC entra na grande frente de fortalecimento institucional do país, ou se tornará, futuramente, alvo preferencial de denúncias do TCU, COAF, MPF.
É hora de recuperar a vocação histórica do banco.
Leia também:
EDSON MACHADO MONTEIRO
24 de novembro de 2025 9:34 amMeu caro Nassif,
Ainda temos a questão do COAF (que o Campos Neto tirou da MF para o BCB) e do Open finance!
Desde o primeiro momento era perceptível que o objetivo maior, de aceleração das mudanças e implantação rápida desse compartilhamento de dados, para tumultue os sistemas de controles e não permitir a compreensão de onde é seguro operar nesse mercado!
Quanto mais bagunçado melhor para “tocar” fogo no parquinho e facilitar as fraudes!
fabricio coyote
24 de novembro de 2025 10:26 amvamos fazer um exercício de suposição a partir dessa máxima de Sun Tzu: “Não é preciso ter olhos abertos para ver o Sol, nem é preciso ter ouvidos afiados para ouvir o trovão; para ser vitorioso você precisa ver o que não está visível”.
a ADI 5360 proibiu a terceirização de serviços de vistoria de veículos por parte dos estados federados. É óbvia afronta à competência da União para legislar sobre o tema, a partir do art. 22 da Carta Política e também do art. 22 da Lei 9.503/1997, Código de Trânsito Brasileiro, uma vez ser exclusivo o serviço de vistoria por parte do estado-federado, como poder de polícia, lembrando que a transferência de propriedade de veículos somente se inicia depois de uma vistoria apta. O CONTRAN sob boçalnaro editou a Resolução 977/22 que “autoriza” a terceirização do serviço de vistoria, embora o tema já tivesse sido julgado pelo STF à citada ADI 5360. Agora imaginemos: os serviços de vistoria de veículos, que tem, entre outras atribuições, verificar a correspondência do chassi, a numeração de motores, selos, etc… sendo desempenhados por pessoas de direito privado, num país onde o crime organizado usa do aparato legal para limpar recursos sujos. E com a lembrança de que a partir da revolução industrial, são poucos crimes na Modernidade que não envolvam veículo. Um exemplo dessa excrescência é o que acontece no Espírito Santo, onde o diretor geral do Detran terceirizou o serviço de vistoria a partir de uma instrução de serviço, contrariando a Carta Política, a ADI 5360 (art. 102, § 2º da CF), a Lei 9.503/1997, que estabelece a partir do art. 22 a competência exclusiva dos órgãos de trânsito estaduais o serviço de vistoria, a Lei Ordinária Estadual 9.774/2011 que estabelece as taxas de cobrança pelo exercício do poder de polícia do estado nos serviços de vistoria. Lembrando que o atual diretor geral do Detran do Espírito Santo é também o presidente da Associação Nacional dos Detrans, seja lá o que isso signifique, uma vez que o art. 35 da Constituição Estadual do Espírito Santo proíba que uma autoridade seja, também, presidente de uma pessoa jurídica de direito privado que tenha trato com a autarquia que representa. É o caos! Somente uma Constituinte nos salva!
Paulo Dantas
24 de novembro de 2025 12:35 pmAqui se discute os assuntos sem farofa e sem estar preso a chavões.
Até acho que o BC deva ser independete mas é instituição de Estado.
TEA
24 de novembro de 2025 1:16 pmPaíses com banco central independente: Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Suíça, Nova Zelândia, países da zona do euro, Coréia do Sul, Chile, México, Israel…. etc
Países com banco central dependente: Venezuela, Argentina, Micronésia, Coréia do Norte, Irã, Afeganistão, China… etc
Para onde queremos ir ?
Luiz Fernando Juncal Gomes
24 de novembro de 2025 5:21 pmÉ hora de estatizar o Banco do Brasil
Banco do Brasil voltar a ser instância pública
O Banco do Brasil deve ser uma instituição de estado, com a missão de regular e fiscalizar o mercado, ou ser um parceiro atuante para o desenvolvimento do mercado?
É indecente o tratamento dado pelo Banco do Brasil ao mercado de crédito. O crédito — que deveria ser meio para financiar investimentos e ampliar o bem-estar — foi transformado em fim em si mesmo. Ou melhor: em um setor de negócios para o mercado financeiro. A economia real virou figurante.
“Em qualquer país que tenha projeto, o crédito é meio. Aqui, o crédito virou moeda de troca, lastro, mecanismo de arbitragem, instrumento de política fiscal disfarçada e, sobretudo, fonte de renda para o sistema financeiro”.
Tudo isso pelo fato do Banco do Brasil passar a atuar como agente estimulador do mercado, e não como regulador.
É hora de recuperar a vocação histórica do Banco do Brasil.
RICARDO TONELLI MUNHOZ
24 de novembro de 2025 7:17 pmO maior culpado pela situação do Banco Master é Roberto Campos Neto, o responsável por fiscalizar os bancos, mas com a independência do BACEN ele só não fiscaliza como ajuda a aumentar as falcatruas.
José de Almeida Bispo
25 de novembro de 2025 7:18 amO dinheiro é o poder máximo do Estado. E se é poder de Estado, jamais deve ser apropriado por indivíduos ou grupo deles, mesmo que pertencente a esse Estado. A agiotagem conseguiu através de seus aportes diretos na mídia, convencer a massa de que o Estado não deve ter poder, com combate direto, frontal à política, ridicularizado-a, e até criminalizando-a, e, claro, puxando o naco mais vistoso e portátil de poder pra si. Isso não está certo. Isso é o fim da democracia.
Já que deve se continuar a ter negociantes com créditos nacionais, vulgo dinheiro, o BANCO CENTRAL tem que ser instrumento de Estado; NÃO DE AGIOTAS, por mais que escondam por trás de rótulos pomposos.
José Machado
25 de novembro de 2025 12:38 pmO Mercado Financeiro deu um golpe no Fundo Garantidor de Crédito, raparam o tacho do fundo,
ao que parece coisa de 42 bilhões. Dinheiro não some, dinheiro tem uma saída e uma entrada em
algum lugar.
E o Mercado Financeiro (a Elite Financeira do país) controlou o golpe de Estado de 2013–2016 contra nossa
economia, contra nossa democracia, e veio o desmonte econômico e o impeachment de Dilma Rousseff.
Depois concluiram, o golpe em 2018 até 31/12/2022. Nós atrasando em mais de 50 anos, com brutal
retrocesso de direitos de toda sorte, com o Congresso Nacional até hoje, de ideologia militarista e golpista
da ditadura militar de 1964. Mas eles não fazem e não fizeram isso sozinhos. Eles tem o apoio, oculto do
sistema financeiro que está por trás de toda mídia (patrocinada) e de bancadas no Congresso Nacional.
Os Procuradores da República, promotores da Justiça, Ministérios público deviam abrir os olhos para essa gente,
que controlam os meios de comunicação e investem no falso jornalistico, na propaganda enganosa, para manter
todo o povo e a opinião pública ignorante. E a maior prova disso é exatamente o crédito; os juros extorsivos que ninguém
toma providencia. E a privatização (tomada do Mercado Financeiro) do patrimônio público, da Empresa Pública, na Bolsa
de Valores (a igreja deles) e dos órgãos estatais de controle (as Agências Controladoras). Está (ou estava tudo) desmontado
de CVM, Susep, CONAB, a ANEL, Anatel, tudo sob o controle deles e o povo sendo vergonhosamente empobrecido, explorado e
enganado por um alcatéia de jornalismo e jornalistas da pior qualidade.
nando cunha
26 de novembro de 2025 10:44 pmNassif quem são prudentivox e wzzph Plus, são coisas sérias ou são…
Roland Matt Rola
27 de novembro de 2025 9:53 amÉ hora de ELIMINAR o banco.