21 de maio de 2026

Como Campos Neto livrou seu antigo empregador, e a si próprio, de denúncias de gestão fraudulenta

Até 2018 Campos Neto trabalhou no Santander e, em 2017, o banco se envolveu na compra de criptoativos e lavagem de dinheiro.
Campos Neto por Raphael Ribeiro/Banco Central do Brasil

De 2000 a 2018 Roberto Campos Neto trabalhou no Banco Santander Brasil.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Tornou-se diretor-executivo de Tesouraria e, posteriormente, chefe global de trading estruturado e renda fixa para mercados emergentes. Foi responsável por operações em Londres e Nova York, supervisionando produtos de derivativos, crédito soberano e câmbio. Ganhou reputação de técnico sofisticado, com trânsito entre os mercados brasileiro, europeu e asiático.

Segundo o Estadão, em 2017 o Santander se envolveu na compra de criptoativos e lavagem de dinheiro. “As operações descobertas pela PF envolviam compra de criptoativos e lavagem de dinheiro para organizações criminosas como o grupo terrorista Hezbollah e o Primeiro Comando da Capital (PCC)”.

A investigação da Polícia Federal começou em janeiro de 2020, na Operação Colossus.

O sigilo telemático das sedes do Santander foi quebrado, e foi solicitada a entrega de documentos de operações de câmbio mantidas com negociadores de criptomoedas. Segundo esse mesmo relato, o Santander – entre outros bancos – era apontado no processo por suspeita de “cegueira deliberada” ao permitir operações de câmbio com finalidade oculta (criptomoedas) declaradas como “aumento de capital social”, para pagar alíquota menor de IOF, por exemplo.

O banco publicou nota afirmando que não era investigado ou acusado dentro da operação, pois “cumpre integralmente a legislação e normas aplicáveis” e que “não pode comentar operações de clientes por sigilo bancário”, mas que está à disposição das autoridades para colaborar.

A Operação Colossus foi deflagrada em 22 de setembro de 2022. Em 31 de dezembro de 2022, último dia da gestão de Campos Neto à frente do Banco Central, o próprio BC, através da Resolução 277, retirou dos bancos a responsabilidade pela identificação da origem e destino do dinheiro, ficando apenas nas mãos dos clientes.

O que era crime, antes, deixou de ser crime depois. Ocorre que as operações investigadas foram feitas em um período em que ainda era crime.

Quem estava no começo e no fim da operação era o mesmo Roberto Campos Neto. A reportagem dá todo o mapa da mina, mas deixa por conta dos leitores a conclusão final.

Leia também:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

7 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. marcio

    17 de outubro de 2025 9:56 am

    Ou Seja, o Capital faz o que bem entende, depois Blinda seus “Benfeitores” ……

    1. Robert Red

      17 de outubro de 2025 5:47 pm

      E o PT, não faz nada? Nassif provavelmente teve de tornar público algo que Haddad e quejandos “não conseguiram enxergar”…

  2. +almeida

    17 de outubro de 2025 11:35 am

    Enquanto o mundo gira e a Lusitânia roda, a técnica sofisticada do escape e da fuga estratégica, continua nadando em mar de contentamento. Patrocinada pelo reino engravatado do colarinho branco,
    a côrte superior que às cegas se vê impedida de reagir, por conta da sua surdez seletiva, articula em deboche com o seu suposto ar superior.
    Usando o encanto de um flautista e a vivacidade de um lobo, a côrte articulada aplaude a sofisticação do técnico, que em pleno centro de palco e no apito final da disputa, livra-se das amarras da penitência e do aprisionamento com sofisticada técnica.
    Assim, a tradicional fama impune do branco e engravatado colarinho segue livre, leve e solta, encantando a côrte e destruindo o Reino.

  3. Robert Red

    17 de outubro de 2025 5:45 pm

    Cadê o Lindbergh que volta e meia pede prisão de qualquer um?

  4. Ziliotti

    18 de outubro de 2025 9:39 pm

    Como 31/12/2022 não foi o último dia de Bob Fields Grandson à frente do Baden, não dá para entender como a burocracia do banco ou mesmo da Fazenda ou MP não tenha escancarado os podres desse quinta-coluna, cuja gestão só fez mal ao País.

  5. AMBAR

    18 de outubro de 2025 10:23 pm

    Dizem os crentes que quem tem Jesus tem tudo. Bom, os crentes têm um Jesus crucificado, já quem tem Dinheiro, além de ter deus a seu lado ainda pode crucificar a quem interessar possa. Mas que coisa, hein, Hezbolah, PCC… Só dinheiro de pobre que não pode ser anônimo.

  6. CESIO RODRIGO DE ALBUQUERQUE XIMENES

    21 de outubro de 2025 3:46 pm

    E minha esposa teve que negociar R$350,00 por mês com o Fisco, enquanto eu não tenho pra pagar remédio da minha Epilepsia e nem pra comprar a feira. Devo orientar meu filho a entregar currículo para o PCC? Infelizmente, ser honesto nesse país é um tremendo fiasco!

Recomendados para você

Recomendados