22 de maio de 2026

O Xadrez Geopolítico do Narcoterrorismo, por Luís Nassif

Massacre coincidiu com a votação da Lei Antiterror no Congresso e a classificação de facções como terroristas por Argentina e Paraguai.

▸Massacre no Rio revela operação coordenada para desestabilizar governo federal, envolvendo poderes estaduais e PM.

▸Sincronia suspeita: Eventos simultâneos no Congresso, Rio e Mercosul apontam para articulação política e geopolítica.

▸Departamento de Justiça dos EUA muda foco para organizações criminosas transnacionais, permitindo interferência em estados nacionais.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Como uma operação policial no Rio se conecta a uma estratégia global

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Introdução: A Tese da Operação Coordenada

O massacre da Penha e do Complexo do Alemão não foi um evento isolado. Foi uma operação planejada com o intuito de desestabilizar o governo federal, executada com a cumplicidade dos principais poderes do Rio de Janeiro: governo estadual, Polícia Militar e Ministério Público Estadual.

A sincronia dos eventos revela uma articulação clara e intencional, que conecta política doméstica e geopolítica internacional.

Peça 1: A Sincronia Suspeita – Três Eventos Simultâneos

O Timing Perfeito

Três movimentos ocorrem quase simultaneamente:

  1. No Congresso Nacional: A Câmara prepara-se para votar a Lei das Organizações Terroristas
  2. No Rio de Janeiro: Ocorre o massacre policial, com dezenas de mortos
  3. No Mercosul: Argentina e Paraguai — os dois países aliados de Donald Trump na região — declaram simultaneamente PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

A Adesão Imediata

Governadores da direita radical aderem prontamente à narrativa terrorista:

  • Romeu Zema (Minas Gerais)
  • Ronaldo Caiado (Goiás)
  • Tarcísio de Freitas (São Paulo)

As Consequências Previsíveis

A aprovação dessa lei concederia poderes extraordinários aos governadores e às Polícias Militares, ampliando radicalmente a parceria entre poder político e organizações criminosas — já visível nas decisões do Congresso sobre apostas (bets) e esquemas de lavagem de dinheiro. Significaria o fim de qualquer controle sobre as PMs, abrindo espaço para a expansão das parcerias com milícias e outras formas de crime organizado e para repressão de críticas. Significaria o advento das ditaduras estaduais.

Além disso, fortaleceria os políticas que mantém alianças com organizações criminosas poupadas – como as milícias no Rio de Janeiro e o PCC em São Paulo.

Peça 2: A Virada Estratégica do Departamento de Justiça Americano

A Geopolítica da Anticorrupção (2002-2024)

O Departamento de Justiça (DoJ) dos EUA sempre foi instrumento geopolítico. A partir de 2002, implementou a estratégia da anticorrupção, criando parcerias com juízes e procuradores em países não alinhados. O caso brasileiro foi o mais emblemático, com a Lava Jato e grandes escritórios de advocacia norte-americanos entrando diretamente no monitoramento das maiores empresas brasileiras – Petrobras, Eletrobras, Embraer e JBS.

A base legal: A OCDE aprovou moção norte-americana estabelecendo que qualquer crime afetando cidadãos americanos ou transitando pelo dólar seria de jurisdição dos EUA.

O caso brasileiro: O DoJ foi peça central para viabilizar a Operação Lava Jato, conforme documentado no artigo “Xadrez de como o Departamento de Justiça treinou a Lava Jato“.

A Mudança sob Trump (2025)

Com o retorno de Trump, houve mudança radical na estratégia: substituição dos crimes investigativos pelo foco em “organizações transnacionais criminosas/terroristas”. O objetivo permanece o mesmo: permitir aos EUA interferir na autonomia política e jurídica de estados nacionais.

5 de fevereiro de 2025: Pamela Bondi, indicada por Trump para chefiar o DoJ, reformula as prioridades de segurança nacional assim que empossada.

O Desmonte das Estruturas Anticorrupção

Bondi implementa mudanças drásticas na Divisão de Segurança Nacional:

Dissolvidas:

  • Unidade de Fiscalização Corporativa (responsável por crimes empresariais)
  • Força-Tarefa de Cleptocaptura (criada em 2022 para rastrear oligarcas russos após a guerra na Ucrânia)

Redirecionadas:

  • Seção de Contrainteligência e Controle de Exportações
  • Unidade da Lei de Registro de Agentes Estrangeiros

A Nova Prioridade

Todo o esforço concentra-se em designar cartéis e organizações criminosas transnacionais (OCTs) como:

  • Organizações Terroristas Estrangeiras (OTFs)
  • Terroristas Globais Especialmente Designados (TGSDs)

Memorando de 12 de maio de 2025: Estabelece que “a aplicação excessiva e descontrolada das leis contra empresas e crimes de colarinho branco onera as empresas americanas e prejudica os interesses dos EUA”. O documento orienta que “os procuradores devem evitar excessos que punam a tomada de riscos e impeçam a inovação”.

As novas recomendações focam exclusivamente em “organizações criminosas transnacionais (OCTs), Estados-nação hostis e/ou organizações terroristas estrangeiras”.

A inversão é clara: menos perseguição a crimes corporativos americanos, mais intervenção em organizações criminosas de países periféricos.

Peça 3: O Alerta de Bill de Blasio

Bill de Blasio, ex-prefeito de Nova York (2014-2021), participou do 2º Seminário Internacional de Segurança Pública, Direitos Humanos e Democracia, organizado pelo Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE) em parceria com o IDP.

Em palestra realizada em 29 de maio, de Blasio foi direto ao ponto:

“É possível que Trump use essa classificação de grupos terroristas para objetivos políticos nefastos no Brasil? É possível. Se alguém acha que não, é porque não está prestando atenção. Se eu fosse brasileiro, ficaria preocupado com os Estados Unidos usando algo que deveria ser uma ferramenta jurídica para combater o terrorismo e transformar em uma ferramenta política.”

As Implicações Práticas

Classificar facções criminosas como organizações terroristas abre caminho para:

  • Intervenção direta dos EUA em assuntos de segurança interna
  • Ampliação de poderes policiais sem controle judicial adequado
  • Criminalização de protestos e movimentos sociais
  • Quebra de garantias constitucionais fundamentais

Peça 4: A Cobertura Internacional – Quando o Mundo Vê o Brasil

Ponto importante para avaliar a adesão a esse jogo geopolítico é o acompanhamento da cobertura da mídia corporativa.

Enquanto parte da imprensa brasileira oscilava em sua cobertura, os veículos internacionais mantiveram tom consistentemente crítico.

Agências Norte-Americanas

CBS News, ABC News e CNN: Relataram o número elevado de mortos e protestos subsequentes, enfatizando críticas internacionais à violência policial e questionando as execuções sumárias.

Associated Press (AP) e Washington Post: Noticiaram amplamente os protestos dos moradores das favelas contra a brutalidade policial.

Reuters: Manchete enfática: “Autoridades do Rio identificam corpos enquanto manifestantes denunciam operações policiais letais.

Europa Incrédula

Itália (Corriere della Sera e La Repubblica): Destacaram a brutalidade da operação, com relatos de corpos alinhados nas ruas e mortes sob condições violentas.

Inglaterra (BBC): Denunciou a brutalidade policial e analisou a complexidade do conflito urbano brasileiro.

Espanha e outros veículos europeus: Noticiaram o episódio enfatizando a gravidade do uso da força e a crise de segurança no Brasil, com tom crítico e alertas sobre direitos humanos.

O Significado do Olhar Externo

A cobertura internacional serve como termômetro: quando a imprensa global se choca com algo que parte da mídia local defende, é sinal de que limites civilizatórios foram ultrapassados.

Peça 5: A Cobertura Doméstica – O “Apito de Cachorro”

Durante a pandemia de COVID-19, a mídia brasileira se reabilitou ao alinhar-se quase unanimemente com a ciência. Agora, na discussão sobre segurança pública, a ciência é representada por juristas e especialistas — como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a Associação Brasileira de Estudos de Segurança Pública e a Rede de Altos Estudos em Segurança Pública.

Assim que aconteceu o massacre, principais colunistas explodiram em críticas contra o governo do Rio, embasados em visão técnica de segurança e em fontes confiáveis.

Ocorreu fenômeno similar ao episódio da prisão de Michel Temer: de manhã, muitos colunistas aplaudiram; no meio do dia, O Globo soltou editorial inesperado que funcionou como “apito de cachorro”, uniformizando a cobertura em crítica à medida do Ministério Público Federal.

A Virada Editorial

Primeiros dias:

  • O Globo: Colunistas condenaram a matança; apenas o editorialista a defendia
  • Estadão: Fincou pé em defesa do estado de direito, nas reportagens e editoriais, retomando a linha do conservadorismo culto
  • Folha: Editoriais tornaram-se irrelevantes pelo conservadorismo inculto

Dias seguintes:

  • Surgimento de pesquisas apoiando o massacre
  • O Globo: Editorial inacreditável: “Denúncia comprova necessidade de ataque ao CV
  • Protestos dos moradores contra a matança ficaram restritos aos veículos estrangeiros
  • Explosão de pesquisas favoráveis ao morticínio e perda de espaço para matérias descrevendo o drama das famílias nas favelas atingidas.

A questão que se coloca: até que ponto os jornais defenderão o iluminismo ou a lei das selvas? É distância similar à que separa radicais antivacina dos defensores da vacina — a diferença entre ciência e obscurantismo.

Peça 6: Da Vingança ao Estado de Direito – Uma História de Milênios

A evolução da humanidade em relação às execuções sem julgamento é, essencialmente, a história da lenta construção da ideia de justiça como direito, não como vingança. Compreender essa trajetória ajuda a dimensionar a gravidade do retrocesso atual. Vamos recorrer à Inteligência Artificial para analisar a Imbecilidade Coletiva, presente nos grandes movimentos de apoio a linchamentos.

A Era da Vingança (Antiguidade)

Nos primórdios das sociedades humanas, não havia distinção entre justiça e vingança. Quem era ofendido tinha o direito — e até o dever — de revidar.

Código de Hamurabi (c. 1750 a.C.): Introduz a lógica da retribuição (“olho por olho”), mas ainda legitima a execução imediata por ofensa.

Leis tribais: Entre hebreus, germanos e gregos primitivos, o clã executava o infrator sem processo.

Poder do soberano: Reis ou chefes militares ordenavam execuções sumárias sem qualquer procedimento. A execução era instrumento de autoridade, não de justiça.

O Poder Absoluto e o “Direito de Matar” (Idade Média)

Durante a Idade Média, vida e morte de um súdito dependiam da vontade do senhor feudal ou monarca.

Jus gladii: O conceito jurídico do “direito da espada” — o poder absoluto de matar.

Execuções sumárias: Bastava suspeita de traição, feitiçaria ou heresia para a morte imediata.

Processo ritualístico: Quando existia, era mera formalidade — confissão sob tortura e penas exemplares (forca, fogueira, guilhotina).

Disputa de poder: Igreja e Estado competiam para determinar quem tinha o poder de “matar legitimamente”.

O Nascimento do Processo Legal (Renascimento e Iluminismo)

A partir do século XIII, surge a ideia de limitação do poder de punir:

Magna Carta (1215): “Nenhum homem livre será detido ou punido, a não ser pelo julgamento de seus pares.”

John Locke (século XVII): Filósofos liberais estabelecem que o Estado só é legítimo se proteger a vida.

Cesare BeccariaDos Delitos e das Penas (1764): Condena a tortura e defende o processo legal como direito inalienável.

Revoluções Americana (1776) e Francesa (1789): Consolidam o due process of law — o devido processo legal — como garantia universal.

Marco civilizatório: A execução sem julgamento passa a ser vista como crime de Estado.

O Estado de Direito e os Direitos Humanos (Séculos XIX-XX)

Com o avanço do constitucionalismo:

Códigos modernos: Passam a proibir explicitamente execuções sem julgamento.

Código Napoleônico (1808): Espalha a noção de pena somente após sentença judicial.

Pós-guerras mundiais: O mundo formaliza os princípios:

  • Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), artigos 10-11: Direito a julgamento público e justo
  • Convenção de Genebra (1949): Execuções sumárias são crimes de guerra
  • Protocolo de Minnesota (2016): Padrões internacionais para investigar execuções extrajudiciais

Conquista civilizatória: A execução sem julgamento torna-se símbolo de barbárie estatal.

O Retrocesso Contemporâneo

Apesar dos avanços legais, o século XXI testemunha o retorno das execuções extrajudiciais:

Filipinas (Duterte): “Guerra às drogas” com milhares de mortos sem julgamento.

México e El Salvador: Políticas de segurança com alto número de mortes em operações policiais.

Brasil: Muitas mortes classificadas como “autos de resistência”, mascarando execuções.

Rússia e Israel: Execuções direcionadas em conflitos, sem devido processo.

Conclusão: Conectando os Pontos

Os seis elementos analisados — a sincronia dos eventos, a mudança no DoJ americano, os alertas de especialistas, a divergência entre cobertura internacional e doméstica, e o contexto histórico — formam um quadro coerente.

Não se trata de teoria conspiratória, mas de análise geopolítica: os mesmos padrões de intervenção dos EUA em assuntos internos de países periféricos, agora com nova roupagem. Onde antes se usava a “anticorrupção” como instrumento, agora se usa o “antiterrorismo”.

A questão fundamental permanece: o Brasil defenderá o Estado de Direito conquistado ao longo de séculos, ou aceitará o retrocesso à lógica da vingança e da força bruta?

A resposta a essa pergunta definirá não apenas nossa política de segurança, mas o tipo de sociedade que seremos.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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  1. Rui Ribeiro

    2 de novembro de 2025 9:30 am

    “Temos imagens deles todos [cadáveres] paramentados, com roupas camufladas, com colete balístico, portando essas armas de guerra. Aí apareceram vários deles só de cuecas ou só de shorts, descalços, sem nada. Ou seja, é um milagre que se operou. Parece que eles entraram num portal e trocaram de roupa. Temos imagens de pessoas que retiraram os corpos da mata e colocaram em via pública e tirando a roupa desses marginais”. – Degolado Curi

    1. Robson

      2 de novembro de 2025 10:16 pm

      Tenho poucas esperanças nesse processo. Há uma notória degradação da representação política em geral, do qual o atual e possivelmente futuro ciclo do governo Lula á apenas o último ato da geração da redemocratização. A educação em geral falhou miseravelmente e temos uma geração, nascida a partir da década de 1980 que, em grande parte, sente irrefreável atração pela violência. Vide o sucesso específico do primeiro Tropa de Elite, cujo resultado na glorificação da tortura policial obrigou o diretor a fazer um segundo filme mais comedido e crítico em relação à própria polícia. Um dos inspiradores do personagem do Capitão Nascimento foi alçado a especialista em segurança pública, sendo por um tempo um Global. Hoje, representa uma espécie de bolsonarismo ilustrado, justificando a forma de atuar da polícia fluminense. Não me assusta um Nikolas Ferreira falar os absurdos que fala. Me entristece que seja tão popular. Ou seja, a degradação da representação política é absolutamente condizente com os valores cultivados por grande parte da população, obviamente formada por maioria trabalhadora e pobre. Basta olhar quem são as celebridades de rede social: a maioria oportunistas e mentirosos, mas que sabem criar um mundo de aparências (riqueza e consumo extraordinário. Vida hedonista) que atraem milhões. Enquanto isso, professores são desprezados por governantes, gestores, pais e alunos. Não nos importamos com o saber, com a ciência, com a decência, com a boa política. A ciência brasileira definha. As instituições de ensino superior e profissional patinam sem ter certeza de sua função social.
      As sociedades se degradam. Vide o que aconteceu com os judeus sob o sionismo. Essa degradação tem ocorrido em todo o chamado mundo ocidental. O Brasil, como periferia aspirante a ser convidada para o clube dos ricos (mas sem cumprir as tarefas para sê-lo), segue na mesma toada, temperado pelas sua próprias idiossincrasias. A violência no Rio de Janeiro só poderá ser superada a partir de um grande pacto nacional de salvamento. Os fluminenses não dão conta sozinhos. Talvez nem queiram, pois a economia do crime é um arranjoprodutivo fundamental do estado, em especial da região metropolitana. Mas para isso, o Brasil teria que encontrar, também, seu grande projeto nacional. Não conseguimos sequer estabelecer pactos no âmbito de nossas instituições. Trabalho num Instituto Federal e digo: a crise é tão profunda que sequer numa instituição de ensino conseguimos estabelecer planejamentos institucionais (projetos de instituições) coerentes.
      Historicamente, o Brasil só muda a partir de choques externos que desarruma os pactos de poder internos. O problema que um choque externo, com o estoque de armas de destruição em massa que existe no mundo, pode representar simplesmente o fim da humanidade como a conhecemos ou, no mínimo, da civilização moderna.

      1. Parma Cuberos

        3 de novembro de 2025 8:34 am

        Parabéns pelo incisivo e certeiro comentário.

  2. Rui Ribeiro

    2 de novembro de 2025 9:33 am

    Tiraram as roupas dos assassinados a fim de que seus corpos fossem reconhecidos mais facilmente por seus entes queridos

  3. Fábio de Oliveira Ribeiro

    2 de novembro de 2025 11:16 am

    O conceito de narcoterrorismo é apenas uma cortina de fumaça para encobrir duas coisas: o terrorismo de Estado, que pode ocorrer tanto localmente (Rio de Janeiro, Filipinas, etc…) quanto internacionalmente (EUA procurando narcoterroristas, mas apenas onde tem petróleo). Onde não tem petróleo, os narcoterroristas podem ficar tranquilos e eventualmente até conseguem ser financiados pelo Tio Sam (caso dos produtores de ópio no Afeganistão).
    O verdadeiro terrorismo é aquele praticado por forças policiais e militares, com violação dos direitos humanos e das regras básicas de convivência internacional. O resto é história da caroxinha inventada para desviar a atenção dos todos e reforçar o racismo das classes médias, que aliás adoram consumir as drogas que os traficantes vendem.
    Fernando Collor usava (ou ainda usa) cocaína pelo anus. Mas nem a imprensa nem esses governadores de extrema direita (Zema, Castro, Tacísio de Freitas e Caiado) dirá que o narcoterrorismo é um fruto do prazer anal de Fernando Collor. Esse é o verdadeiro problema.

  4. Rui Ribeiro

    2 de novembro de 2025 1:44 pm

    A Bíblia fala de ovelhas conduzidas ao abatedouro. No RJ, lobos, em vez de ovelhas, foram conduzidos ao matadouro por outros lobos, pois homo hominis lupus, e, em vez de presos, assassinados brutalmente, sem necessidade. Bastaria cercá-los na mata, impedir acesso de água e comida, e eles se renderiam em questão de tempo.

    Mas pelos cálculos deles, a carnificina seria mais vantajosa politicamente. Então, por mais que o Doca facilitasse sua prisão, deixaram-no escapar e assassinaram os bagres, pois se assassinasse ou prendesse os tubarões nao haveria mais oportunidades de geração de fatos políticos.

    Viva a Tanatocracia necropolitica!

    1. Rui Ribeiro

      3 de novembro de 2025 8:26 am

      No comentário das 1:44 pm, onde se lê
      “No RJ, lobos, em vez de ovelhas, foram conduzidos ao matadouro por outros lobos, pois homo hominis lupus, e, em vez de presos, assassinados brutalmente, sem necessidade”

      Leia-se:

      “No RJ, lobos, em vez de ovelhas, lobos foram conduzidos ao matadouro por outros lobos, pois homo hominis lupus, e, em vez de presos, os lobos conduzidos ao abatedouro foram assassinados brutalmente, sem necessidade, pois bastaria mantê-los isolados na mata até que eles fossem vencidos pela fome e pela sede e se rendessem incondicionalmente, sem necessidade de carnificina.

  5. Rui Ribeiro

    3 de novembro de 2025 8:21 am

    De acordo com o FB Bosta, digo, FBI, terrorismo doméstico consiste de violent, criminal acts committed by individuals and/or groups to further ideological goals stemming from domestic influences, such as those of a political, religious, social, racial, or environmental nature.

    Os objetivos ideológicos dos narcotraficantes são os mesmos objetivos ideológicos dos ricaços: Lucrar o máximo possível com o mínimos de custos possíveis.

    Não há o componente político ideológico na atuação do narcotráfico. Logo, eles não são terroristas, pois terrorismo is the use of violence against non-combatants to achieve political or ideological aims.

    Pelo contrário, os narcotraficantes cuidam para que os civis sejam bem tratados, como se constata a seguir:

    “Fica proibido no evento:
    A entrada de qualquer amigo de fuzil, responsável de firma, dono, gerente, segurança, vapor, seja o que for, está proibido a entrada de fuzil no campo.
    O armamento fica fora do campo.
    FICA PROIBIDO
    A ENTRADA DE BIBDAS NO CAMPO, Whisk, red bull, cerveja, vinho ou qualquer outro tipo de bebida no campo.
    SEM MACETE DE COLOCAR BEBIDAS EM MOCHILA, MALANDRO DEMAIS SE ATRAPALHA
    Não será tolerado nenhum tipo de transtorno, o papo tá sendo dado pelas nossas lideranças já horas antes do evento, o evento é pro morador curtir, vamos participar com prudência e inteligência evitando qualquer tipo de problemas, estaremos presentes para ajudar nossos amigos no que for necessário, relembrando que recuar não é marcar!!!”. Traficante Washington Braga da Silva, Grandão, ‘Sindico da Penha’.

  6. Rui Ribeiro

    3 de novembro de 2025 9:07 am

    Porque adolescentes entram para o mundo do crime?

    “Diante de tantos episódios de violência, especialistas avaliam que, entre as motivações, o ingresso do adolescente ao mundo do crime é porta para pertencimento e busca por identidade. Um estudo feito com adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de privação de liberdade de Minas Gerais, em 2018, concluiu que a submissão funciona como um “pacto” que conduz a ações e laços.

    A partir do espaço de escuta, os estudiosos descobriram que os menores criam uma espécie de respeito a um código e de uma orientação ética como possibilidade para a construção de laços com o grupo. Mesmo cientes do ditado profético “caixão ou prisão”, seguem devotos aos seus superiores, espelham-se nos cabeças e brindam cada “missão” bem-sucedida”.

    https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2025/11/7283259-o-pacto-da-esquina-adolescentes-juram-devocao-ao-crime-em-troca-de-pertencimento.html

    Então não é a falta de oportunidade que leva a adolescência para o mundo do crime? Se um sujeito vê um filhote de papai com um objeto de luxo e ele não tem condição de comprar um, exceto se entrar no mundo do crime, você acha que a maioria não vai entrar a fim de conseguir não só condição de sobreviver mas também de se tornar consumista?

    Quanto à ciência de a entrada no mundo do crime desemboca em caixão ou prisão não ser motivo para os adolescentes não adentrarem o tal mundo, eu me lembrei do Thomas Morus:

    “O acaso me fez encontrar um dia, à mesa desse prelado, um leigo reputado como douto legista. Este homem, não sei a que propósito, se pôs a cumular de louvores a rigorosa justiça exercida contra os ladrões. Narrava gostosamente como eles eram enforcados, aqui e ali, às vintenas, na mesma forca.
    Apesar disso, acrescentava, vejam que fatalidade! Mal escapam da forca dois ou três desses bandidos, e, no entanto, na Inglaterra, eles formigam por toda parte!
    Com a liberdade de palavra que gozava na casa do cardeal, disse eu, então: Nada disso devia surpreender-vos. Neste caso a morte é uma pena injusta e inútil; é bastante cruel para punir o roubo, mas bastante fraca para impedi-lo. O simples roubo não merece a forca, e o mais horrível suplício não impedirá de roubar o que não dispõe de outro meio para não morrer de fome. Nisto, a justiça de Inglaterra e de muitos outros países se assemelha aos mestres que espancam os alunos em lugar de instruí-los. Fazeis sofrer aos ladrões pavorosos tormentos; não seria melhor garantir a existência a todos os membros da sociedade, a fim de que ninguém se visse na necessidade de roubar, primeiro, e de morrer, depois?”

    Não seria melhor garantir a existência digna a todos os membros da sociedade, a fim de que ninguém se veja na necessidade de entrar para um mundo que acaba em prisão ou caixão?

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