10 de junho de 2026

Reforma Tributária – Os Dois Vieses Possíveis, por Luis Filipe Chateaubriand

É preciso diminuir os “gargalos” na arrecadação, tendo em vista que são os mais ricos que sonegam mais.
Reprodução

Especialistas concordam que o Brasil precisa de Reforma Tributária, mas divergem sobre suas diretrizes.
Visão neoliberal defende redução da carga tributária para aumentar renda disponível da população.
Perspectiva progressista propõe aumentar impostos sobre ricos para financiar políticas públicas e reduzir desigualdade.

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Reforma Tributária – Os Dois Vieses Possíveis

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por Luis Filipe Chateaubriand

Existe consenso, entre especialistas e cidadãos, que o Brasil precisa de uma Reforma Tributária.

No entanto, não existe consenso sobre quais devem ser as diretrizes dessa reforma.

Duas perspectivas podem ser adotadas: a neoliberal e a progressista.

Pela ótica neoliberal, a reforma necessária deve empreender a redução da carga tributária.

Com a carga tributária sendo menor, pessoas pagam menos impostos.

Com pessoas pagando menos imposto, sobra dinheiro para cada uma delas.

Pela ótica progressista, a reforma necessária deve empreender o aumento da carga tributária.

Aumentando a carga tributária, o Erário pode investir mais e melhor em políticas públicas, provendo melhor as classes sociais menos abastadas.

É óbvio que, em uma país em desenvolvimento como o Brasil, a perspectiva progressista deve prevalecer.

O país precisa de escola pública de qualidade para milhões de crianças e adolescentes, precisa que os horizontes da saúde pública sejam cada vez mais ampliados, precisa de investimentos em infraestrutura e logística, precisa que programas de distribuição de renda e provimento dos menos favorecidos estejam presentes, precisa que o Estado contemple as questões estratégicas.

Posto que a perspectiva progressista deve prevalecer no Brasil, resta-se responder como aumentar a carga tributária.

Por óbvio, não será promovendo maior tributação dos pobres e da classe média.

A tributação deve ser aumentada, sim, para os mais ricos.

Ricos que, no Brasil, pagam pouco imposto.

A isenção de pagamento de Imposto de Renda para que ganha até cinco mil reais mensais, com a compensação das camadas mais altas pagando mais, é excelente medida.

Contudo, é preciso ir além.

É preciso, por exemplo, estabelecer uma alíquota mais alta que os 27,5 % atuais do Imposto de Renda para quem ganha mais.

É preciso estabelecer o Imposto Sobre Grandes Fortunas.

É preciso diminuir os “gargalos” na arrecadação, tendo em vista que são os mais ricos que sonegam mais.

Em resumo, quem é menos favorecido deve pagar menos e quem é mais favorecido deve pagar mais, resultando em acréscimo da carga tributária.

Com o viés progressista prevalecendo na Reforma Tributária, o país poderá crescer distribuindo renda de forma mais propícia.

Luis Filipe Chateaubriand é professor de Administração Estratégica e autor do livro “Futebol Brasileiro: Um Novo Projeto de Calendário”.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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