4 de junho de 2026

Liberace, o ancestral de Elton John e Lady Gaga

Por Tamára Baranov – Rio Claro/SP

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Liberace (Wladziu Valentino Liberace)
(West Allis, 16 de maio de 1919 – Palm Springs, 04 de fevereiro de 1987)

Liberace foi o mais extravagante e popular pianista dos anos 1960 e 1970. Sua aparência e apresentações teatrais exageradas muitas vezes escondiam seu talento prodigioso. Com sete anos conseguiu uma bolsa de estudos e a manteve por 17 anos. Com 11 anos estreou como solista de concertos e na adolescência estava tocando com orquestras sinfônicas. Em vez de seguir o caminho de recitais clássicos, Liberace escolheu ser um showman e teve aulas de dicção, a fim de mascarar o seu sotaque polonês. Durante a Segunda Guerra Mundial, fazia shows de entretenimento para os soldados no exterior. E quando voltou para a América, começou a se apresentar em clubes, tocando e cantando com o nome de Liberace.

Em 1940, ele se mudou para Nova York, onde não foi particularmente bem sucedido. Destemido, mudou-se para a Califórnia onde foi descoberto por executivos da ‘Decca Record’ que lhe ofereceram um contrato. A gravadora tentou fazer de Liberace um líder de big-band, mas não teve sucesso. Liberace se tornou uma estrela nos anos 1950, através de aparições na televisão e em filmes variados. Sua aparência e repertório foram se tornando cada vez mais exagerados, ele vestia strass, lamê dourado, peles e paetês enquanto tocava Gershwin e peças clássicas de jazz com um candelabro colocado em seu piano.

Logo conquistou seu próprio programa de televisão, apropriadamente intitulado ‘The Liberace Show’. Apesar de ter sido um momento inebriante para o pianista, o ano de 1956 foi também o ano em que sua estrela começou a escurecer. Cassandra, uma colunista do tablóide Inglês ‘The Daily Mirror’, sugeriu que Liberace era homossexual. Ele processou o jornal e ganhou, e fez um esforço para suavizar sua aparência. No entanto, o público não queria um Liberace suavizado, e ele voltou a ser o que era no início dos anos 1960. O que mais fascinava os fãs de Liberace, de quem ele escondia sua homossexualidade, era o fato de fazer da extravagância a sua assinatura. Liberace continuou celebridade até a sua morte em 1987.

Ganhador de 11 prêmios Emmy, o Oscar da TV americana, o filme ‘Behind the Candelabra’, dirigido por Steven Soderbergh, é a reconstituição da história de amor entre Liberace, interpretado por Michael Douglas, e o seu motorista e, muito mais jovem, amante Scott Thorson (Matt Damon), com quem viveu durante 6 anos. O filme é baseado no livro de memórias ‘Behind the Candelabra: My Life with Liberace’ de Scott Thorson, hoje um presidiário, e foi idealizado, inicialmente, como um projeto cinematográfico, mas por ter sido rejeitado por vários estúdios foi exibido na grade da HBO.

http://www.youtube.com/watch?v=bDpkp9Q066k align:center

Michael Douglas deixa de ser o ‘garanhão’ e arrasa como Liberace

Por Paloma Guedes | Yahoo Cinema

Não tem jeito: o que mais atrai a curiosidade sobre ‘Behind The Candelabra’ (‘Por Detrás do Candelabro’ em português) nem é a história do romance entre Liberace e Scott Thorson. O mais interessante é ver Michael Douglas interpretando o personagem. Afinal, Douglas é o ‘José Mayer mundial’: aquele ator que sempre interpreta o ‘macho alfa’, o ‘pegador’, o ‘homem de negócios implacável’, o ‘tira durão’, o ‘irresistível’. Fora que o fato de ser ninfomaníaco na vida real só aumenta esse seu status de super-galã.

E aí vem a notícia de que é ele quem fará o pianista super afetado coberto de ouros, perucas e brilhos. Sim, Liberace era gay mas fazia de tudo para esconder isso. E essa é uma das partes importantes do filme que ganhou 11 prêmios Emmy.

A história, baseada em um livro escrito por Scott, foi dirigida por Steven Soderbergh (de ‘Sexo, Mentiras e Videotape’, ‘Traffic’, ‘Erin Brockovich’, ‘Onze Homens e um Segredo’, ‘Che’ etc) e pensada inicialmente para os cinemas mas, sem conseguir financiamento, foi produzida pelo canal de TV HBO.

‘Behind The Candelabra’ acompanha os anos em que Lee (como Liberace era chamado pelos mais íntimos) esteve com Scott e todas as suas excentricidades como, por exemplo, pedir que o namorado fizesse cirurgias plásticas para ficar parecido com ele quando jovem. A diferença de idade entre os dois era grande.

Liberace e Scott na ‘vida real’

Matt Damon (que interpreta Scott) apenas reafirma que é um grande ator. Sua versatilidade fica evidente para quem é fã de Jason Bourne (da trilogia de ação) e, de repente, o vê usando uma sunga minúscula em um corpo bronzeado artificialmente e bancando um jovem carente e perdido que se deixa levar por uma figura que se torna amante, pai, amigo e obsessão.

E, voltando à Michael Douglas, além da interpretação impecável, seu desprendimento em relação à vaidade, mostrando-se barrigudo e careca frente às câmeras merece aplausos. Outro que merece ser mencionado é Rob Lowe que aparece pouco mas causa impacto pelo aspecto de boneco de cera chapado diferente dos mocinhos engomadinhos que ele costuma interpretar.

Rob Lowe e Matt Damon

Fora isso, o filme cumpre bem o papel de mostrar um universo glamuroso e cheio de brilho mas que esconde muita verdade crua e incômoda para a sociedade da época debaixo do tapete (bem, podemos dizer que mesmo nos anos 2000 o mundo não anda tão evoluído assim). Não é genial, o próprio Soderbergh tem melhores tramas no seu currículo, mas vale muito ser assistido por uma série de combinações de elementos que o fizerem ser tão premiado em 2013.

http://www.youtube.com/watch?v=jDjtARIevsM
http://www.youtube.com/watch?v=KXWKAJYH81k

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