O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Investimentos, e da Advanced Corretora de Câmbio. A decisão, assinada pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, ocorre em meio a investigações que apontam um esquema de fraudes bilionárias e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master e o crime organizado.
A intervenção na Reag, sediada em São Paulo e que detém cerca de R$ 352 bilhões sob administração, foi motivada por “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [Sistema Financeiro Nacional]”. Segundo o BC, a situação econômico-financeira da instituição estava comprometida. Com a medida, os bens dos controladores e ex-administradores ficam indisponíveis para assegurar eventual ressarcimento de credores.
A “ciranda financeira” e o Banco Master
A liquidação da Reag é o desdobramento regulatório da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (14). A investigação apura uma “ciranda financeira” projetada para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master, que já havia sofrido intervenção do BC em novembro de 2025.
O esquema funcionava por meio de empréstimos concedidos pelo Master a empresas que, em seguida, reaplicavam os recursos em fundos administrados pela Reag. Transações-relâmpago entre diferentes carteiras geravam valorizações fictícias. Em um dos casos identificados, um ativo registrou alta de 10.502.205%, cifra considerada sem lastro na realidade.
Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o episódio pode configurar a “maior fraude bancária” do país. O prejuízo estimado em transações fraudulentas, incluindo uma tentativa frustrada de venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), chega a R$ 12,2 bilhões.
Conexão com o crime organizado
Além das fraudes contábeis, a Reag já estava no radar das autoridades devido à Operação Carbono Oculto, de agosto de 2025. A PF investiga se fundos administrados pela gestora foram utilizados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para lavar dinheiro oriundo de um esquema bilionário de sonegação no setor de combustíveis.
A Receita Federal identificou cerca de 40 fundos, com patrimônio de R$ 30 bilhões, que seriam controlados pela facção criminosa na região da Avenida Faria Lima. À época, o fundador da Reag, João Carlos Mansur, renunciou à presidência do conselho da empresa. Na nova ofensiva da PF, Mansur e o empresário Nelson Tanure foram alvos de mandados de busca e apreensão.
Impacto no mercado e próximos passos
Apesar da liquidação da administradora, os mais de 80 fundos ligados à Reag não foram encerrados. As carteiras permanecem ativas, mas deverão buscar novas instituições para assumir a administração e garantir a continuidade das operações.
Em nota, o Banco Central afirmou que “continuará adotando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades, nos termos de suas competências legais”. A autarquia ressaltou que o resultado das apurações “poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e ao encaminhamento de comunicações às autoridades competentes”.
A Advanced Corretora de Câmbio, também liquidada nesta quinta, apresentava baixa representatividade no sistema, ocupando a 56ª posição no ranking de câmbio. O BC nomeou liquidantes específicos para ambas as instituições, que agora iniciam o processo de encerramento definitivo das atividades.
Fábio de Oliveira Ribeiro
15 de janeiro de 2026 10:24 amIsso vai atingir em cheio toda a estrutura de poder criada por Tarcício de Freitas em São Paulo.