O que acontece no mercado não é apenas o escândalo do Banco Master. É a constatação da existência de um clima de ampla promiscuidade e de um ambiente caótico, sem fiscalização e sem regulação.
Esse combo explosivo se deve a dois fatores.
O Banco Central – especialmente no período Roberto Campos Neto – abriu o crédito, afrouxou o capital e tolerou a circularidade, de recursos pulando de um fundo para outro.
A Comissão de Valores Mobiliárias (CVM) liberou estruturas opacas, dessas em que não está claro o controle. Ignorou os controles ocultos e não enxergou grupos econômicos.
O resultado final são bolhas de crédito, fundos alimentando fundos, ativos com preços inflados e risco sistêmico invisível.
Essa escalada começou com a Resolução 4.656/2018 do BC, criando as SCDs e SEPs (fintechs de crédito). Empresas passaram a operar como quase bancos, sem as mesmas exigências de capital. Viraram fábricas de crédito para as FIDCs.
SCD (Sociedade de Crédito Direto) são empresas financeiras autorizadas a conceder empréstimos, financiar pessoas e empresas, operando 100% digital.
SEP (Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (P2P Lending)) são plataformas que conectam quem quer emprestar com quem quer tomar crédito, cobrando taxa de intermediação.
Essa liberalização provocou uma explosão dos FIDCs (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) fundos que compram recebíveis, parcelas de empréstimos, boletos, duplicatas, contratos parcelados.
Foi se formando o vendaval. Uma fintech concede empréstimos, vende os créditos para uma FIDC, recebe dinheiro à vista e volta a emprestar. Tudo isso em um ambiente sem regulação, com uma competição predatória, centenas de agentes financeiros captando a torto e a direito e sendo disputados por plataformas e bancos de investimento.
Uma decisão anterior do BC, a Resolução 4.444/2015 autorizou os FIDCs a comprarem direitos creditórios não performados (isto é, com atraso no pagamento) e recebíveis estruturados sob medida. Como resultado, crédito ruim virou ativo financeiro “sofisticado” e a securitização indiscriminada tornou-se máquina de maquiagem contábil.
Nos últimos anos houve mais flexibilização, regras mais leves para Índice da Basileia e exposição cruzada entre fundos e bancos. Bancos passaram a financiar seus próprios fundos, criando uma circularidade tóxica: banco —> fundo —> SPE —> banco.
Houve uma demora deliberada na supervisão. Alertas foram ignorados, TACs (Termos de Ajustamento de Conduta) em vez de punições e uma tal de fiscalização “educativa”, tipo “pode continuar, com moderação”.
De seu lado, a CVM, com a Instrução 578, criou uma modalidade de FIP (Fundo de Investimento em Participação) permitindo o controle de empresas sem OPA (Oferta Pública de Ação) obrigatória, com governança flexível, compra e venda de controle, sem aparecer.
A Instrução 356+444 autorizou estruturas em cascata, cotistas “estratégicos” mandando no fundo. Fundos viraram bancos paralelos, sem fiscalização bancária.
A CVM nunca exigiu uma análise do risco consolidado de grupos, não mapeou fundos irmãos, SPEs conectadas, gestores coligados. Essa leniência permite um mesmo grupo controlar dez fundos “independentes”.
É só conferir o caso Ambipar Participações e Empreendimentos S.A., a última das aventuras de Nelson Tanure. Abriu capital na B3. Em 2024 valorizou mais de 1.000%, chegando a valer mais do que a Embraer e a Gerdau.
Fez diversas aquisições no Brasil e no exterior. Essa escalada explosiva foi impulsionada por compras de ações pelo controlador e por fundos de investimento.
Em 2025, o papel mudou de rumo. As ações despencaram de 90% a 98% ao longo do ano. O valor de mercado, que já tinha passado de dezenas de bilhões de reais, caiu para apenas algumas centenas de reais.
Com dificuldades para honrar compromissos, a Ambipar pediu recuperação judicial no Brasil, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, listando cerca de R$ 10,5 bilhões em dívidas
Otto Lobo era diretor da CVM e, após a renúncia do então presidente João Pedro Nascimento, assumiu interinamente a presidência da autarquia.
Foi ele quem proferiu o voto de qualidade — ou seja, o voto adicional de presidente — que consolidou a decisão de que o controlador da Ambipar não precisaria fazer a OPA.
No julgamento em julho de 2025, seu posicionamento foi de que não havia elementos suficientes para caracterizar os fundos como atuando em conjunto com o controlador da Ambipar, e que, portanto, a obrigação de oferta pública não se aplicaria sob os termos da resolução cabível.
Otto Lobo foi oficialmente indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser o novo presidente da CVM. A nomeação ainda precisa ser confirmada pelo Senado Federal por meio de sabatina e votação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e no plenário.
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emerson57
15 de janeiro de 2026 8:48 am“Otto Lobo foi oficialmente indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.
O entorno de Luis Inácio continua podre.
Por esse motivo a queixa da esquerda real de que ele sempre encampa o pior jogador (escolhido pelo técnico adversário).
Não falha, Lula está cercado.
Foi no que deu o abandono da ala histórica do PT.
Melhor eventualmente perder com pseudo “radicais” do que perder TODAS com os arreglos adotados.
Lula abre mão do direito de escolher em prol dos petistas?/ peessedebistas/ rentistas, depois toma todas as bolas nas costas.
O incêndio de hoje é pior que o de ontem e sucessivamente.
Não vejo futuro. (a menos que, Lula aposentado, o Brasil contrate o Xi Jinping para administrar a “bagaça”)
LUCIA MARIA RODRIGUES PIMENTEL
15 de janeiro de 2026 8:50 amMeu ponto é, como o BC fez tudo isso e continuou até hoje sem que ninguém no BC ter visto nada durante todo esse tempo.
Pra mim esse BC independente do controle público a serviço de banqueiros precisa ser revidto
Mário Mendonça
15 de janeiro de 2026 11:10 amLucia, em qual parte do mundo capitalista selvagem a banquerada não manda? Só perdem para os fundos abutres!
Carla Medeiros
15 de janeiro de 2026 11:18 amDepois do Collor (príncipe anti-corrupção, sic), veio FHC (farol de Alexandria), depois o mestre político dos golpes latinos , que recebeu milhões de vaias ao vivo e a cores o execrável Temer.
Pronto, manzinha leve para abrir a porta do inferno Bolsonaro.
Levaram 31 anos (21 da ditadura + 10 depois da abertura).
“Uma manada de elefantes entrou em uma fábrica de vidros” …
Agora, a sociedade, depois do avanço dos direitos civis e humanos ex-tupy-guarany, levará pelo menos 10 anos para limpar os estragos da manada de elefantes. Se conseguir com a internet, funcionando como uma “terra sem leis”…
E o Brasil segue massacrando o seu ingênuo povo, que leva nas costas o fardo da pior elite planetária, com um elevado percentual da classe média a imitá-la…
Jotinhapontinhamarcelinho
15 de janeiro de 2026 9:08 amRESUMINDO…UMA PUTARIA SÓ,E A CULPA É DO…TOFOLI(PENSARAM Q EU IA ESCREVER CULPA DO LULA NÉ )tá aí o bc independente (fo povo)q vcs queriam AFF !!!Obs.Se fosse só este escândalo de bilhões da era temer/bolso seria bom AFF,ordo ab chao !!!
marcio gaúcho
15 de janeiro de 2026 11:31 amO Banco Central é uma autarquia, assim como a CVM! Aonde se esconderam os controles dessas instituições permitidas pelo Estado, com poder de Fé Pública? Os governos deram carta branca ao mercado financeiro para manipular as finanças dos incautos investidores, os sardinhas. Trabalhei no BB durante 35 anos. Sei muito bem como funciona essa engrenagem de moer carne e fazer linguiça. Lucros para poucos privados, prejuízos socializados à indefesa população enganada. E, não adianta recorrer ao Judiciário – sempre estiveram mancomunados em defesa das elites falcatruas que exploram esse país. Quando isso vai mudar? Respondo: nunca, pois a população é muito ignorante e pasta bovinamente na verde relva oferecida.
Solle
15 de janeiro de 2026 2:24 pmOtto Lobo foi escolha do centrão, endossado por Rui Costa, Mantega, Joesley Batista e Davi Alcolumbre. Imagina o custo para o governo se Lula veta a indicação.
BAIARD Pires
15 de janeiro de 2026 6:15 pmO que se desprende disso tudo é que devem existir mais uma dúzia de “Banco Master” a solta pelo mercado financeiro. Se todos acabarem como o Banco Master, vai ser o caos financeiro do Brasil. TOTAL.
Marcus
16 de janeiro de 2026 9:46 amParabéns pelo artigo publicado.
Quem lê esse artigo, não precisa de outra informação.
Está cristalina.
Acho que o BC tem que agir urgentemente para bloquear ativos e aprofundar quem fez vista grossa para chegar a esse ponto. Tem gente que dizia entendida do mercado financeiro e não foi “capaz de enxergar essa rombo”.
Avel Alencar
16 de janeiro de 2026 2:55 pmOu seja liberou geral o caixa 2 e lavagem de dinheiro.
Avel Alencar
16 de janeiro de 2026 5:31 pmAvestruz Master, Banco Master o wue seria dos espertos se não existissem os otários?
Waldomiro Antônio Moala
20 de janeiro de 2026 10:48 amTamo junto
Waldomiro Antônio Moala
20 de janeiro de 2026 10:55 amCarla, só o Trump, com sua Armada para botar ordem na casa, mandando meia dúzia ou dúzia e meia para Guantanamo