Em 24 de fevereiro chega às livrarias o livro Um hino à vida, no qual a francesa Gisèle Pelicot narra pela primeira vez sua trajetória de abusos e reconstrução pessoal.
A obra alterna duas linhas narrativas: a infância e vida familiar no interior da França, com casamento, filhos, netos e planos de aposentadoria; e o turbilhão de abusos, a ligação da polícia, o processo judicial e o trabalho de aceitação e cura de seus traumas.
A autora oferece uma contribuição relevante ao debate sobre abuso sexual, culpa e vergonha — sentimentos que frequentemente acompanham mulheres vítimas de revitimização. O livro já está em pré-venda.
Relembre o caso
Em 2020, Gisèle, então com 68 anos, tornou-se protagonista de um caso que chocou a França e o mundo. Convocada a comparecer à delegacia após seu marido, Dominique Pelicot, ser flagrado filmando mulheres por baixo da saia em um supermercado, Gisèle descobriu durante a investigação um acervo de fotos e vídeos em que era estuprada enquanto inconsciente — abuso que se estendeu por mais de uma década.
O caso deu início a um longo processo judicial, no qual Gisèle renunciou ao direito ao anonimato, tornando-se símbolo internacional de coragem e defesa da dignidade das mulheres. No julgamento, referindo-se ao agressor, ela chegou a dizer que “a vergonha precisa mudar de lado”.
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