25 de junho de 2026

“Documentário mostra pressões que sofri e como me rebelei contra o sistema”, diz juiz Appio

Juiz Eduardo Appio comenta o documentário "A caixa-preta da Lava Jato", lançamento do canal TV GGN

Juiz Eduardo Appio relata pressões e revela esquema bilionário na 13ª Vara Federal de Curitiba, foco da Lava Jato.
Documentário “A Caixa-Preta da Lava Jato” destaca investigação de corrupção e uso político de recursos pela força-tarefa.
CNJ sugere responsabilização criminal de Moro e Dallagnol; inquéritos aguardam ação da Procuradoria-Geral da República.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O juiz Eduardo Appio expressou, durante entrevista ao jornalista Luís Nassif, suas impressões a respeito do novo documentário do canal TV GGN, “A Caixa-Preta da Lava Jato”, que mostra os resultados do pente-fino que foi realizado na 13ª Vara Federal de Curitiba – palco principal da extinta operação Lava Jato – além de revelar outros crimes ocultos que remanescem impunes.

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Segundo Appio, que foi titular da 13ª Vara por 4 meses, o documentário tem o mérito de registrar todo o esforço feito pelo ministro Luís Felipe Salomão, do Conselho Nacional de Justiça, para lançar luz sobre um esquema de triangulação de recursos bilionários angariados na Lava Jato. Esses recursos seriam injetados na famigerada Fundação Lava Jato, que seria usada por Deltan Dallagnol e companheiros para fazer política. A ação, contudo, foi abortada por decisão do Supremo Tribunal Federal. O pedido para Salomão realização uma correição extraordinária na 13ª Vara Federal de Curitiba partiu de Eduardo Appio e seu ex-advogado, Pedro Serrano.

“O documentário trás uma série de fatos, essas pressões que sofri e como me rebelei contra o sistema. Apesar das pressões, me mantive firme no cargo por 4 meses, e nesses meses consegui fazer um pente-fino na Vara, algo que as corregedorias nunca fizeram. Esse trabalho depois foi confirmado pelo Conselho Nacional de Justiça]. As pessoas que assistirem vão ficar muito gratificadas, porque o documentário mostra que se não houvesse uma pessoa como o ministro Luís Felipe Salomão, nenhuma investigação teria acontecido. Ele comprou uma briga titânica para levar as investigações adiante e concluir um relatório que sugere responsabilização criminal de Sergio Moro, Deltan Dallagnol e Gabriela Hardt por vários crimes, dentre os quais associação criminosa, traição contra o país, desvio, peculato de quantias bilionárias“, disse Appio.

Na entrevista, Appio avaliou que a Lava Jato foi uma “fraude orquestrada que visava desestabilizar a soberania nacional brasileira” em favor de interesses estrangeiros. Ele relatou ter sofrido fortes pressões institucionais ao assumir a 13ª Vara Federal de Curitiba, onde identificou irregularidades financeiras bilionárias e tentativas de criar uma fundação privada com recursos públicos.

O magistrado defendeu que a operação causou a “falência de grandes construtoras”, gerando desemprego em massa e interferindo diretamente nas eleições presidenciais de 2018, quando Lula foi proibido de disputar contra Jair Bolsonaro.

Segundo o relato de Appio, investigações recentes do CNJ corroboram essas denúncias, sugerindo a responsabilização criminal de figuras centrais da força-tarefa por associação criminosa. Essas investigações estão paradas há mais de 1 ano e meio na Procuradoria-Geral da República, a quem cabe dar encaminhamento. Por fim, Appio elogiou o papel revisor do Supremo Tribunal Federal ao expor os excessos cometidos e restaurar a verdade histórica sobre o período da Lava Jato.

Assista a entrevista completa abaixo:

Assista ao documentário “A Caixa-Preta da Lava Jato”:

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