4 de junho de 2026

Aposentadorias do INSS estão perdendo valor?, por Luciano Fazio

Preservar o valor real significa repor a inflação, para que o aposentado continue comprando a mesma cesta de bens e serviços.
INSS por Rafa Neddermeyer - Agência Brasil

Aposentadoria de Carlos em 2004 e 2025 mostra queda em salários-mínimos, mas não em valor real corrigido pela inflação.
Salário-mínimo cresceu 484% entre 2004 e 2025, acima da inflação de 208%, causando impressão errada de perda no benefício.
Reajuste do INSS visa preservar valor real, conforme Constituição, mantendo poder de compra do aposentado ao repor inflação.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

As aposentadorias do INSS estão perdendo valor?, por Luciano Fazio

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Muitos aposentados acreditam que, com o passar dos anos, o valor de suas aposentadorias do INSS diminuiu. Um deles é meu amigo Carlos, que recentemente desabafou comigo:

Em maio/2004, recebi R$ 1.330,00, o que equivalia a 5,12 salários-mínimos (SM) da época. Já em dezembro/2025, recebi R$ 4.261,44, correspondentes a apenas 2,81 SM. É evidente que minha aposentadoria está cada vez menor.

À primeira vista, o raciocínio parece correto, mas contém um erro. Para explicá-lo, contei a Carlos a seguinte história.

José tem 1,75 m de altura. Ao completar um ano de idade, Serginho, o filho dele, tinha 82 cm de altura. Naquele momento, José tinha pouco mais que o dobro da estatura da criança. Com dez anos, Serginho já media 1,35 metros, de modo que – agora – o pai tinha apenas 1,3 vez a altura do menino. Aos 16 anos, Serginho alcançou 1,75 metros, a estatura do pai. Então comemorou, brincando: “Eu cresci e o pai encolheu!”

A família riu: “Seu pai não encolheu. Ele permanece do mesmo tamanho, mas você cresceu. Não se pode medir a altura de alguém usando como referência algo que cresce todos os anos”.

Ocorre o mesmo erro quando se mede uma aposentadoria em salários-mínimos, que vêm crescendo acima da inflação. O SM não é um “metro fixo”. Para avaliar se uma aposentadoria perdeu ou não valor, é preciso utilizar uma unidade de medida que compra a mesma cesta de produtos e serviços ao longo do tempo, ou seja, uma moeda corrigida pela inflação.

A relação entre o SM e o benefício previdenciário.

O SM era de R$ 260, em maio/2004, e de R$ 1.518, em dezembro/2025. O aumento foi de quase 5 vezes (pela precisão, de 484%). Já a inflação do período — medida pelo INPC e geralmente utilizada para reajustar os benefícios do INSS acima do SM — foi de 208%.

Ou seja, o salário-mínimo aumentou muito mais do que a inflação, que foi a referência do reajuste das aposentadorias acima do SM. Por isso, a impressão de perda. Impressão enganosa, contudo.

Como regra geral da Constituição, as aposentadorias não crescem como o salário-mínimo. Veja-se:

§ 4º do art. 201. É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real.

Preservar o valor real significa repor a inflação, para que o aposentado continue comprando a mesma cesta de bens e serviços. Foi isso que ocorreu com o Carlos.

Assim como José não encolheu só porque o filho cresceu, a aposentadoria do Carlos não perdeu poder de compra, por não ter acompanhado os aumentos do SM.

Com o crescimento do salário-mínimo acima da inflação, o Brasil busca da redução da pobreza e desigualdade.

Se todos os salários e aposentadorias do país tivessem o mesmo reajuste, as desigualdades seriam mantidas iguais. Ainda, haveria um forte aumento da inflação. Nem todos concordam com essa política. Alguns se incomodam com o fato de que os mais pobres recebam aumentos maiores e defendem, na prática, a manutenção das disparidades existentes.

Depois das explicações, Carlos reconheceu: “Eu estava errado. Não fiquei mais pobre por não ter recebido os mesmos reajustes do salário-mínimo. A minha aposentadoria do INSS não perdeu de valor nos últimos anos”.

Mas acrescentou: “Ainda assim, não é errado desejar que minha aposentadoria também tenha algum aumento real, não acha?”. Nisso ele tem razão.

Luciano Fazio – matemático pela Università degli Studi de Milão-Itália, pós-graduado em previdência pela Fundação Getúlio Vargas, consultor externo do DIEESE para assuntos de previdência social.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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7 Comentários
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  1. WRamos

    20 de janeiro de 2026 2:57 pm

    Seu amigo Carlos deveria desejar que o salário mínimo suba mais rápido, para que sua aposentadoria logo seja alcançada pelo SM e ele passe a ter também aumentos reais.
    Eu já estou nessa.

  2. Ronaldo Almeida

    20 de janeiro de 2026 3:02 pm

    Discordo em gênero, número e grau desse argumento que as aposentadorias acima de salário mínimo não vêm sofrendo perdas, já que a política de ganho real é apenas para o SM, a política de ganho real é justa, mas precisa se entender as aposentadorias acima de um SM, o mercado de consumo se baseia no salário mínimo, portanto não podemos desvalorizar as aposentadorias acima de um SM.

  3. Sandra do Val Candido

    21 de janeiro de 2026 11:04 am

    Nossa demorou para acordar. Bem antes de me aposentar, já tinha noção que as perdas viriam. E ano passado para saber quanto venho perdendo, solicitei ao ChatGpt fazer os cálculos é extarrecedos. E fui além pedi para calcular por período governamental. E o que esperava ficou visível, Perdi além do normal com o antigo governo e não foi pouco. Está tudo lá no Facebook. Me sinto aleijada, para não dizer roubada. Assim. Sandra do Val Candido

  4. Decio

    21 de janeiro de 2026 12:11 pm

    Depois de ler um comentário como esse sobre aposentadoria, eu penso que esse cidadão, não vai ao mercado, a uma farmácia… ou vive e um outro pais… o salário mínimo cresce 6 e alguma coisa, o cidadão que trabalhou, pagou a previdência para ter no final da vida uma aposentadoria digna em que possa comprar seus remédios, comida… recebe 3,97% e vê os produtos aumentarem muito acima disso… esse cidadão calado ou quieto em seu canto deve ser um baita de um poeta, mas como jornalista, comentarista seja la o que for… dez zeros a esquerda e muito pouco….lamentável.

  5. Mário Dapper

    23 de janeiro de 2026 8:44 am

    Vamos aos fatos, o acumulado da inflação de 2011 a 2026 foi de 145%,
    Já o índice que corrigiu as aposentadorias acima do mínimo no mesmo período foi de 136%, em 15 anos, foi uma perda de aproximadamente 9%. É uma grande perda para quem já tem a sua aposentadoria achatada no momento da opção de aposentar-se.
    Resumindo, é um grande roubo, outro detalhe, aposentadoria não é um benefício, é o retor de dividendos de uma vida inteira de investimento.

  6. Anderson Pereira de Carvalho

    24 de janeiro de 2026 7:34 am

    O erro está no uso do INPC para correção das aposentadorias acima de 1 SM ao invés IPCA que é o índice de inflação adotado no Brasil. Que não seja dado aumento real mas pelo menos o valor da inflação do período que é o IPCA abrangendo a camada da sociedade que ganha até 40 SM.

  7. Anônimo

    24 de janeiro de 2026 12:49 pm

    Sem noção

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