4 de junho de 2026

O inquérito com peça-chave do caso Master

Mesmo depois da denúncia, nada andou. O processo continuou sem audiências, sem instrução, sem sentença e sem cronograma.
Reprodução

Maurício Quadrado é investigado no escândalo do Banco Master, ligado ao fundo Jaguar FIP e Planner Holding Financeira.
MPF bloqueou contas no exterior por suspeita de corrupção e lavagem, com base em delação de ex-superintendente da Caixa.
STJ liberou valores bloqueados por atraso no processo, que tramita desde 2016 sem avanços significativos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Republicado com correção: o inquérito não está prestar a prescrever

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Maurício Quadrado é personagem central no escândalo do Banco Master.

A Planner Holding Financeira S.A. tinha como um dos controladores o fundo Jaguar FIP.

O Jaguar FIP é o veículo que liga diretamente o conglomerado Planner a Maurício Antônio Quadrado (e, por extensão, ao Banco Master):

Formulário de Referência da MAM Asset Management (2021) declara que a gestora é diretamente controlada pelo Jaguar FIP, e que o Jaguar FIP tem como único cotista o Sr. Maurício Antônio Quadrado.

No artigo “Banvox, Fundo Estocolmo e Gafisa: falta alguém nas investigações do Master” há informações de monta sobre o envolvimento de Quadrado com o Master e com Nelson Tanure.

Pesam contra ele outras acusações graves, em um inquérito que poderá prescrever no dia 26 de fevereiro próximo, se algo não for feito.

Trata-se de um Recurso em Mandado de Segurança no Superior Tribunal de Justiça (STJ), movido por Maurício Quadrado e Global Inversion Strategy Corp, uma empresa offshore nas Bahamas, contra o Ministério Público Federal.

Em 03.09.2018, o juiz da 10a Vara Federal do Distrito Federal determinou o bloqueio/sequestro de contas bancárias no exterior (inclusive na Suíça). O MPF alegou que os valores seriam produto de corrupção e ligados à lavagem de dinheiro.

A investigação foi fruto da delação premiada de Roberto Carlos Madoglio, ex-superintendente da Caixa Econômica Federal, que cuidado do FI-FGTS, no bojo da Operação Greenfield.

Na delação, Madoglio admitiu que recebia propinas milionárias no exterior, pagas pela Odebrecht, Grupo Rede e Planner e Global Inversion. Com base na delação, o MPF pediu quebra de sigilo bancário e bloqueio total das contas no exterior.

Quadrado entrou com mandado de segurança baseado em questões processuais:

1. Decisão sem fundamentação.

Alegava que o juiz só reproduziu o pedido do MPF. Mas não explicou qual lei estava aplicando e por que era necessário bloquear tudo.

2. Valores com origem lícita.

Dizia que o dinheiro provém de sua atuação no mercado financeiro e venda de ações do Bovespa em 2007. Os valores teriam sido declarados à Receita e registrados oficialmente.

3. Bloqueio desproporcional.

O bloqueio atingiu 100% das contas, sem limite de valor e sem cálculo do possível dano.

A defesa sustentou que o juiz deveria provar indícios reais de crime, e risco concreto de fuga, ocultação ou dilapidação do patrimônio.

Em suma, a defesa pede que o STJ reconheça a ilegalidade da medida e libere valores bloqueados.

O STJ deu ganho de causa, mandando liberar o dinheiro sob o argumento de que o Estado não pode congelar patrimônio por anos, sem processo andando.

O atraso no processo

As medidas cautelares começaram em 03.06.2016. A denúncia só foi oferecida em 30.04.2019; e só foi recebida em 07.05.20109. Ou seja, quase 3 anos para formalizar a acusação.

Mesmo depois da denúncia, nada andou. O processo continuou sem audiências, sem instrução, sem sentença e sem cronograma.

O histórico do processo mostra a lentidão:

03.09.2018 – Juiz Vallisney de Souza Oliveira determina quebra de sigilo e sequestro das contas do exterior, com base no pedido do MPF.

Set.2018 a abr.2019 – o processo ficou em sigilo, sem denúncia, sem audiências e sem novas decisões.

23.04;2019 – despacho burocrático no qual o juiz defere o pedido de vista e extração de cópias.

29.04.2019 – Secretaria certifica inclusão de advogados nos autos

2019-2022 – nada acontece.

22.11.2022 – após acórdão do STJ, juiz Ricardo Leite manda intimar MPF e iniciar desbloqueio.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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