A Rússia lançou, entre a noite de sexta-feira (23) e a madrugada deste sábado (24), o maior ataque aéreo contra a Ucrânia deste ano, atingindo a capital Kiev e outras cidades estratégicas. A ofensiva militar ocorreu simultaneamente ao encerramento da segunda rodada de negociações trilaterais entre Moscou, Kiev e Washington, em Abu Dhabi. Apesar da movimentação diplomática inédita, o encontro terminou sem uma resolução concreta para o fim do conflito, que se aproxima do quarto ano.
A operação russa contou com mais de 370 drones e 21 mísseis, concentrando o fogo contra o setor energético ucraniano. Em Kiev, a destruição de infraestruturas deixou cerca de 6.000 apartamentos sem aquecimento em uma manhã de temperaturas negativas, que chegaram a -12°C.
“Seus mísseis atingem não apenas o nosso povo, mas também a mesa de negociações“, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, criticando a postura de Vladimir Putin durante o processo de paz.
O impasse territorial e a mediação de Trump
O principal obstáculo para um acordo definitivo continua sendo o controle da região de Donbas. O Kremlin exige a retirada total das tropas ucranianas de Donetsk e Luhansk, condição que o governo de Volodymyr Zelensky rejeita por considerar essas áreas vitais para a defesa do leste do país. Atualmente, a Rússia ocupa aproximadamente 20% do território ucraniano reconhecido internacionalmente.
A mediação conduzida pelos Estados Unidos, representada pelo enviado Steve Witkoff e por Jared Kushner, genro de Donald Trump, tenta costurar um documento que preveja garantias de segurança para Kiev em troca de concessões territoriais. Embora Zelensky tenha classificado o diálogo como “construtivo“, ele adotou um tom cauteloso, afirmando ser cedo para conclusões definitivas.
Crise humanitária e próximos passos
Enquanto os diplomatas discutiam termos em hotéis de luxo nos Emirados Árabes Unidos, o impacto humano da guerra se agravou em solo ucraniano. Em Kharkiv, a segunda maior cidade do país, uma maternidade e um dormitório para deslocados foram danificados, deixando 19 feridos. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, confirmou uma morte e o comprometimento do abastecimento de água em partes da capital.
A expectativa agora se volta para a próxima semana, quando uma nova rodada de conversas poderá ser iniciada. Representantes militares das três nações já identificaram uma lista de temas técnicos para avançar no diálogo, mas a desconfiança mútua permanece elevada diante da escalada de ataques russos em pleno inverno.
Deixe um comentário