10 de junho de 2026

O ególatra narcisista completou um aninho no comando, por Francisco Calmon

O primeiro ano de seu segundo mandato consolida uma administração de agressão contínua, onde a diplomacia tradicional é desprezada
Trump por Gage Skidmore - Flickr

Donald Trump completa um ano no segundo mandato com políticas agressivas e desprezo pela diplomacia tradicional.
Sequestro do presidente Maduro e proposta de “Fórum da Paz” mostram expansão unilateral e ataque à ONU.
Protestos internos crescem contra políticas de imigração e autoritarismo, com 59% da população desaprovando o governo.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

O ególatra narcisista completou um aninho no comando da plutocracia estadunidense

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Francisco Celso Calmon

Mereceria, no rigor simbólico, um bolo de enxofre e um espumante de sangue para compor a mesa que foi este um ano de barbárie projetada sobre o mundo.

A verdade cruel é de que quem cede, se flopa. Quem resiste, negocia. Esta é a lição que a realidade vem impondo diante da megalomania fascista do autocrata que se assenhoreou do Salão Oval.

O primeiro ano de seu segundo mandato consolida uma administração de agressão contínua, onde a diplomacia tradicional é desprezada em favor da força bruta e de rituais de humilhação imposto às nações alheias.

Isso ficou escancarado no episódio do sequestro do presidente Nicolás Maduro, um ato de agressão gravíssimo contra a soberania de um Estado. As grandes potências limitaram-se a declarações tímidas, sem contundência.

 O mundo ainda não encontrou o combustível ou a arma eficaz para frear a máquina de guerra e de expansionismo de Donald Trump, seja para negociar com ele, seja para detê-lo antes de novos sequestros ou anexações, como as propostas abertamente feitas sobre a Groenlândia e a Venezuela.

Sua proposta de um “Fórum da Paz” é, na verdade, mais uma etapa do seu projeto de domínio global unilateral. Em vez de reformar e fortalecer a Organização das Nações Unidas, organismo que, como qualquer ser vivo, precisa de fortalecimento quando enfermo, a estratégia é matá-la por asfixia.

É uma jogada calculada para desmantelar o multilateralismo e conter, sobretudo, o avanço econômico da China.

O simbolismo degradante desse poder foi exposto cruamente na reunião de agosto passado, quando diversos líderes mundiais foram postados à mesa como subordinados, não como chefes de Estado, ouvindo “orientações” do autoproclamado chefe maior.

 A Europa ajoelhava-se aos seus pés. A imagem de presidentes e chanceleres enfileirados na Sala Oval foi humilhação pública para agradar o ego de Trump.

Aproveitando-se da inoperância da ONU, Trump manipulou uma resolução do Conselho de Segurança para criar um protetorado pessoal sobre Gaza, a ser chefiado por ele até 2027. Esse foi o pretexto para oficializar seu “Conselho de Paz”, um órgão destinado a substituir as Nações Unidas e institucionalizar a “moralidade” estadunidense como lei global.

A gestão trumpista está forçando ao mundo a sua “lei do mais forte”.

Este conselho, cujas regras internas são secretas, já conta com a adesão de mais de vinte países. As principais potências, até então, resistem. O desafio que se coloca para o mundo é justamente como construir um sistema de cooperação capaz de fazer frente a essa força bruta fascista institucionalizada, enquanto os governos hesitam entre a repulsa e o medo das retaliações.

Por outro lado, dentro dos próprios Estados Unidos, o descontentamento fermenta e explode para as ruas. O primeiro ano deste mandato tem sido marcado por políticas de perseguição a imigrantes e de desmonte social, que gerou uma onda de protestos.

Mobilizações como a “Liberdade para a América” e os históricos “No Kings” são a resposta civil à ascensão da barbárie institucional. O assassinato de cidadãos como Renee Good por agentes do ICE é a materialização do intuito destrutivo e assassino da política da gestão Trump.

Pesquisas indicam que 59% da população desaprova o seus governo, sentindo o agravamento concreto de suas condições de vida.

 Ameaças vagas de invocar a Lei de Insurreição contra manifestantes mostram até onde pode ir a escalada autoritária. Mas Trump esquece que no momento que o povo decidir dar o basta final, a guerra civil pode vir a ser vai ser instaurada nas terras estadunidenses, guerra essa que a sua ignorância não o permite enxergar que, cedo ou tarde, irá perder.

O mundo está diante de um paradoxo perigoso.

Enquanto as lideranças globais se mostram incapazes de construir freios efetivos ao projeto hegemônico e predatório de Trump, cedendo à teatralidade da submissão, a resistência popular ganha corpo.

Quanto da soberania dos povos e da paz mundial precisará ser sacrificado no altar desse imperialismo narcisístico antes que uma reação multilateral, verdadeiramente forte e coordenada, surja?

Quem pode parar o Trump?

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN

Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados