21 de maio de 2026

Vorcaro e ex-presidente do BRB entram em choque no STF sobre créditos bilionários

Em acareação, fundador do Banco Master e Paulo Henrique Costa dão versões conflitantes sobre origem de R$ 12 bilhões em ativos
Daniel Vorcaro - Divulgação

▸ Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa divergiram no STF sobre origem de carteiras bilionárias compradas pelo BRB.

▸ PF investiga compra de créditos da consultoria Tirreno pelo Master, repassados ao BRB por R$ 12 bilhões.

▸ BRB pode ter perdas de até R$ 5 bilhões; defesa afirma que operações seguiram protocolos bancários.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, apresentaram versões conflitantes durante acareação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF). O procedimento, cujos registros foram tornados públicos pelo ministro Dias Toffoli nesta quinta-feira (29), buscou esclarecer a origem de carteiras de crédito bilionárias adquiridas pelo banco público, que mais tarde se revelaram desvalorizadas.

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O ponto central da discordância reside na transparência da operação. Vorcaro sustenta que o BRB foi informado de que os ativos, negociados a partir de 2025, não eram de “originação própria” do Master, mas sim de terceiros. Já Costa nega ter recebido tal informação, afirmando que a instituição acreditava estar comprando créditos gerados pelo próprio Master, que teriam sido apenas recomprados de outros players antes da revenda ao banco estatal.

O impasse sobre a Tirreno

A investigação da Polícia Federal (PF) aponta que o Master adquiriu créditos da consultoria Tirreno, sem realizar pagamento imediato, e os repassou ao BRB por cerca de R$ 12 bilhões. Na acareação, Vorcaro afirmou que sequer conhecia o nome da empresa na época. “Acho que a gente chegou a conversar por algumas vezes que a gente começaria um novo formato de comercialização que seria de terceiros“, declarou o empresário.

Paulo Henrique Costa, por outro lado, alegou que a ligação com a Tirreno só foi detectada meses depois, após análises técnicas identificarem um padrão documental estranho. Segundo o executivo, a identificação do originador final não costuma constar nos documentos de análise de risco, o que teria dificultado a percepção imediata da manobra. “Meu entendimento é que eram carteiras originadas pelo Master que haviam sido vendidas ou negociadas a terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente“, disse Costa.

Risco de rombo bilionário

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro passado, após enfrentar severas crises de liquidez. A PF agora apura se o BRB negligenciou protocolos de governança para socorrer o banco privado. O volume de ativos do Master chegou a representar 30% de todo o patrimônio do banco público brasiliense.

Em depoimento anterior, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, alertou que as provisões para cobrir perdas no BRB podem chegar a R$ 5 bilhões, devido à “baixa qualidade” dos ativos entregues pelo Master. Para mitigar o prejuízo, as instituições realizaram uma troca de R$ 12,7 bilhões em ativos, com o BRB aplicando um deságio de 30% para tentar garantir uma margem de segurança.

Defesa e supervisão

A defesa de Paulo Henrique Costa afirma que as operações ocorreram dentro da normalidade bancária e que, ao identificar irregularidades, o BRB agiu de forma técnica e comunicou as autoridades.

Vorcaro, por sua vez, argumentou que a operação era vista como “um bom negócio para o sistema financeiro” e que o foco da análise de risco deveria ser o devedor final, e não quem originou o papel.

Em nota, o Banco Central ressaltou que, embora monitore o sistema, a responsabilidade pela análise de qualidade dos créditos e pelo gerenciamento de riscos é exclusiva de cada instituição financeira.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Ana Gabriela Sales

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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