10 de junho de 2026

“Dionísia do Agreste”, uma opereta drag, estreia em Salvador

Inspirada em Tieta do Agreste e em As Bacantes, retrata Dionísia, metade humana, metade divina, que retorna à fictícia Tebas do Agreste
Foto de Caio Lirio

O coletivo As Rainhas do Centro estreia “Dionísia do Agreste” de 26/2 a 1/3 no Centro Cultural da Barroquinha, Salvador.
Espetáculo mistura teatro musical, dança e poesia, inspirado em Jorge Amado e Eurípides, com estética drag e narrativa greco-baiana.
Ingressos custam R$ 20 e R$ 10, com cota gratuita para trans e tradução em Libras em todas as sessões.

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O coletivo soteropolitano As Rainhas do Centro retorna aos palcos com o espetáculo inédito “Dionísia do Agreste – Uma Tragicomédia Greco Baiana”, em cartaz entre os dias 26 de fevereiro e 1º de março, no Centro Cultural da Barroquinha, em Salvador. A montagem mistura teatro musical, performance, poesia, dança e música em uma narrativa que funde referências da literatura baiana e da tragédia clássica.

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Livremente inspirada em Tieta do Agreste, de Jorge Amado, e em As Bacantes, de Eurípides, a peça apresenta a história de Dionísia, uma figura metade humana, metade divina, que retorna à fictícia Tebas do Agreste após anos de exílio para consumar sua vingança com a ajuda de suas bacantes.

Com texto de Miguel Campelo e Lívia Sudare, o espetáculo marca a primeira dramaturgia original do coletivo. A proposta é uma “opereta queer carnavalizada”, que remixa mitos fundadores da cultura grega e baiana sob a estética vibrante da cena drag.

Teatro drag e tradição brasileira

Criado em 2022, o projeto As Rainhas do Centro surgiu com o objetivo de levar artistas históricas das casas de show de Salvador para os teatros da cidade. Desde a estreia, o grupo tem registrado sessões lotadas e ingressos esgotados.

Idealizador e diretor do espetáculo, Miguel Campelo afirma que a montagem busca situar a arte drag na tradição do Teatro Musical Brasileiro. Segundo ele, as artistas transformistas do país dialogam com a linhagem de vedetes, comediantes do Teatro de Revista e estrelas da era do rádio e das chanchadas — nomes como Virgínia Lane, Bibi Ferreira e Dercy Gonçalves são citados como referências.

Dividido em dois atos, o espetáculo adota a estrutura do teatro de variedades, com números independentes que combinam diálogo, canções e coreografias. O elenco reúne Rainha Loulou, Valerie O’Rarah, Towanda Verde Frita, Barbárie Bundi, Beatrice Papillon, Dandara e Becca Baroni, além dos bailarinos e coreógrafos Elivan Nascimento e Sylano Marsyj. A cada noite, participações especiais de artistas convidadas prometem surpresas ao público.

Acessibilidade e preços populares

Com ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), o projeto aposta na democratização do acesso à cultura. Há ainda uma cota de ingressos gratuitos destinada a pessoas trans e travestis, com retirada antecipada pela plataforma Sympla. Todas as sessões contam com tradução em Libras.

A montagem foi contemplada pelo edital Territórios Criativos – Ano II, com recursos da Fundação Gregório de Mattos, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.

Serviço
– “Dionísia do Agreste – Uma Tragicomédia Greco Baiana”
– 26 de fevereiro a 1º de março
– Quinta a sábado, às 18h30; domingo, às 18h
– Centro Cultural da Barroquinha – Salvador
– Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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