Do blog Periferia em Movimento
Gostaria de discutir aqui a realidade da educação dos jovens a partir de pesquisa que fiz em escolas de ensino médio em bairros da periferia de São Paulo para o meu doutorado, que pode ser acessada aqui.
Sempre se aborda os problemas da escola atual a partir da chamada “violência escolar”, entendida principalmente como a violência dos jovens e/ou do entorno da escola, mas pouco se fala sobre as violências exercidas pela instituição escolar, que estigmatiza os alunos e, muitas vezes, os condena ao fracasso escolar. O fato é que para se pensar a escola atualmente é preciso refletir profundamente sobre quem são as crianças e os jovens que a frequentam. Da mesma forma como não se pode também prescindir de abordar a instituição escolar para se discutir as crianças e os jovens na contemporaneidade.
O historiador Philippe Ariès, com o objetivo de demonstrar o novo lugar assumido pela criança e pela família nas sociedades industriais, evidencia como a ideia de criança – e consequentemente a de juventude – é construída historicamente, afirmando a importância da instituição escolar nesse processo. Por outro lado, muitos professores com os quais conversei durante a pesquisa afirmaram que encontravam muitas dificuldades para trabalhar com a juventude contemporânea ou com “Essa geração atual”, como me revelou um professor.
Além disso, muitos educadores que estão nas escolas públicas de ensino médio (mas também em muitas particulares, é bom que se diga), ao lerem esse texto, lembrarão do efeito potente que um telefone celular, tocando o famoso funk carioca ao fundo da sala, pode ter para desestabilizar o que se previu para organizar a aula ou mesmo a escola de uma maneira geral. O que demonstra que além de serem uma invenção histórica propiciada fundamentalmente pela escola, os jovens/estudantes de hoje estão reinventando a escola.
Devemos, portanto, atentar para o quanto a dimensão estudantil entrelaça-se com a juvenil, ambas a atuarem modificando-se reciprocamente. Evidenciando-se, assim, que tanto a condição juvenil como a estudantil são construções sócio-históricas que, portanto, se modificam no tempo e no espaço. Os jovens de hoje não são os mesmos de meio século atrás, o mesmo para o que entendemos por ser aluno. Categorias como infância e juventude não podem ser entendidas a partir de padrões de homogeneidade, pois compreenderiam diferentes vivências, a condição de aluno também não o poderia, pois seria da mesma forma vivenciada de maneiras diversas, conforme outras categorias como gênero, classe social, raça ou território.
Em julho, tivemos a triste notícia da morte do Mc DaLeste, artista do funk paulista, que foi assassinado no palco fazendo seu show em uma quermesse de um bairro pobre na periferia de Campinas. Mc DaLeste trazia em seu nome artístico a marca desse estigma, agora revalorizado. O Da Leste, não se refere a qualquer região leste, mas indica que ele era um morador da periferia de São Paulo, em seu extremo leste.
Trago aqui esse fato ocorrido com o Mc DaLeste para reforçar a necessidade das escolas, principalmente aquelas nos bairros da periferia de São Paulo, atentarem mais para as práticas juvenis, se não as aceitando plenamente de modo a colocar em risco certa ordem educacional, pelo menos não as condenando de antemão. O ideal seria estabelecer um diálogo profícuo do qual as escolas e as práticas juvenis poderiam sair, positivamente, transformadas, desestabilizadas e enriquecidas.
No documentário especial feito pela Funk TV com o Mc DaLeste em seu bairro de moradia, uma das cenas refere-se à escola onde ele estudava. Nela, Mc DaLeste diz que já fez muita bagunça e que já foi quase expulso, tendo recebido ali poucos elogios. Contudo, após se tornar Mc, ele retorna à mesma escola que queria repeli-lo e, dessa vez, é cercado como um ídolo pelos alunos mais novos e é até saudado pelas professoras.
Nota-se, portanto, a dificuldade da escola atual em dialogar com os jovens/estudantes e o modo como essa dificuldade torna-se ainda maior quando do outro lado estão jovens considerados marginais e/ou menos capazes simplesmente pelo fato de serem pobres, morarem em um bairro periférico e estudarem em uma escola pública estigmatizada e que também estigmatiza.
Anarquista Lúcida
29 de janeiro de 2014 8:10 pmO início prometia tanto, mas depois tanta fala no ar…
Nao vi nada de concreto sendo dito. Pena, porque me parece que a percepçao do autor aponta para coisas importantes, mas ele nao está sabendo falar delas para as pessoas em geral.
Jorge Nogueira Rebolla
29 de janeiro de 2014 10:00 pmAguardo uma análise lúcida sobre as coisas importantes…
…apontadas, embora não sejam estrelas causarão verrugas… nos cérebros dos infelizes que serão educados com essa noção de “importância”…
leonidas
29 de janeiro de 2014 9:34 pmTexto absolutamente
Texto absolutamente mediocre…
desde quanto um vagabundo que interfere na sala de aula ouvindo funk ( mesmo que fosse musica ) esta reiventando a escola?
Jorge Nogueira Rebolla
29 de janeiro de 2014 11:01 pmLiga não…
…antes era o pobrismo, agora agrega-se o burrismo…
O Brasil sequer vai passar da barbárie à decadência… terá a decadência na barbárie… uma nação neo-paleolítica… embalada pelo bumba-meu-esquerdistazinho… balançando o popozão;
CARLOS FM
29 de janeiro de 2014 9:48 pmFaltou a palavra-chave.
O texto toca em aspectos importantes do problema, mas deixa de lado o essencial: qual é o papel da família nisso tudo. Sem isso, meu amigo…
Jorge Nogueira Rebolla
29 de janeiro de 2014 9:52 pmBlá blá blá blá…
… o rolezinho antropológico ou o black bloc da pegagogia…
Para onde navega a nau? Ou será que já naufragou?
Ex-combatente
29 de janeiro de 2014 9:54 pmNão compreendi bem a proposta
Não compreendi bem a proposta do autor. Parece que a escola é a única culpada pelo fracasso de certos alunos e que a mesma deve se ajustar à realidade deles.
Em qualquer turma de alunos de escola de periferia, a maioria pode ter deficiências pedagógicas graves. Mas, os que vão só para “zoar” são poucos. Como a “zoeira” deles é grande, parece que são muitos. E para esses,caro professor, a escola já não tem mais nada a oferecer senão o portão da rua.
É muito fácil também dizer que a escola condena alguns ao fracasso. É superestimar a influência de uma instituição onde a maioria deles permanece apenas quatro horas por dia. É como um bandido que ao matar um policial venha a acreditar que resolveu seus problemas com a justiça. É não reconhecer o poder da família, dos parentes, da rua, do lugar onde vive este indivíduo e as coisas que ele desde criança, aprendeu a gostar e odiar.
xtecnico2
30 de janeiro de 2014 1:20 pmNinguém entendeu
Realmente, o texto falou, falou e não falou absolutamente nada.
Fazendo uma interpretação precoce, rápida e sem paciência me parece que o celular e o funk devem ter uma participação maior nas salas de aula e depois decidimos o que fazer com as matérias a serem ensinadas.