A escalada militar entre Estados Unidos, Israel e Irã já produz efeitos concretos no mercado internacional de energia.
Após a troca de ataques com mísseis no Golfo, os preços do petróleo atingiram o maior nível em sete meses, refletindo o aumento do risco geopolítico e o temor de interrupções na oferta.
O movimento ocorre mesmo sem registro imediato de paralisação nas exportações, o que mostra que o mercado está precificando a possibilidade de agravamento do conflito.
O contrato futuro do Brent fechou a US$ 72,87 por barril, após alcançar US$ 73,54 durante o pregão — o maior patamar desde julho de 2025. No acumulado de 2026, o avanço já supera US$ 12 por barril.
Segundo análises da S&P Global, a alta reflete sobretudo o “prêmio de risco” associado à instabilidade no Oriente Médio. Já estimativas do Goldman Sachs indicam que uma eventual interrupção de 1 milhão de barris por dia — equivalente a cerca de metade das exportações iranianas — poderia elevar o preço do petróleo em aproximadamente US$ 8 por barril.
O mercado também acompanha de perto a reunião da OPEC+, marcada para 1º de março, que poderá discutir ajustes na produção diante do cenário de tensão.
O principal foco de preocupação é o Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente.
Autoridades marítimas dos Estados Unidos emitiram alertas para embarcações comerciais evitarem proximidade com águas territoriais iranianas, enquanto o Reino Unido advertiu sobre atividade militar significativa no Golfo, no Golfo de Omã e no norte do Mar Arábico.
Qualquer bloqueio — ainda que temporário — dessa rota estratégica poderia gerar um choque imediato nos preços e impactar cadeias globais de abastecimento.
Produção e exportações do Irã sob monitoramento
Segundo a S&P Global, dados recentes indicam que o Irã produziu cerca de 3,19 milhões de barris por dia em janeiro, exportando aproximadamente 1,3 milhão de barris diários, majoritariamente para a China.
Grande parte das exportações iranianas sai pela ilha de Kharg Island, infraestrutura estratégica que, se danificada, comprometeria diretamente a capacidade de geração de receita do país.
O Irã também opera o terminal de Jask, conectado por oleoduto que permite contornar o Estreito de Hormuz — uma alternativa relevante em caso de bloqueio parcial da rota principal.
Além do petróleo, o campo de gás South Pars, o maior do país, já foi alvo de ataques anteriores e representa cerca de 75% do abastecimento doméstico de gás iraniano.
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