4 de junho de 2026

A história do BNI, o banco que construiu o Copam

Roxo Loureiro foi um empreendedor fantástico que revolucionou a construção civil em São Paulo e os serviços bancários.

Orozimbo Roxo Loureiro revolucionou construção civil e bancos em SP; banco quebrou por misturar finanças e projetos simultâneos.
Pressão de grandes bancos e declaração de diretor da Sumoc causaram corrida bancária contra o B.N.I., afetando Roxo Loureiro.
Bradesco assumiu o patrimônio do B.N.I. e C.N.I.; Roxo Loureiro perdeu espaço no sistema bancário brasileiro.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Revendo meus arquivos, para a próxima edição da biografia do embaixador Walther Moreira Salles, encontrei a seguinte correspondência, de 2005, de Orozimbo Octávio Roxo Loureiro Filho, filho de Roxo Loureiro.

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O pai foi um empreendedor fantástico, que revolucionou a construção civil em São Paulo e os serviços bancários. Seu braço direito era Otávio Frias de Oliveira. O banco quebrou. Segundo análises de especialistas, porque misturou o caixa da construtora com o do banco, e iniciou vários projetos simultaneamente, ficando sem reservas. Segundo o próprio Frias, foi devido ao fato de Roxo Loureiro ter se metido na política.

Walther Moreira Salles, porém, me contou da pressão dos bancos maiores, que levou Octávio Gouvêa de Bulhões, então diretor da Sumoc, a uma declaração para uma rádio paulistana, que provocou uma corrida contra o banco.

Aqui o depoimento.

“Caro Luis Nassif  

 Li seu artigo publicado na Folha de São Paulo no dia 27/03/2005. Gostei  muito da maneira que você enfocou as disputas bancárias. 

No trecho que você cita o Dr. José Maria Whitaker, lembrou-me as histórias que meu pai contava em casa, que em uma reunião na Associação Comercial de São Paulo,o presidente do B.N.I. naquela ocasião era o Dr. Benedito Montenegro relatou que vários banqueiros tradicionais na época, mandaram um relato ao meu pai, dizendo: “Que banco era um negócio muito sério e não era como barbearia ou padaria que cada bairro tinha a sua”. 

Nassif, quando eu, meu irmão já falecido e minhas irmãs residia-mos na Rua: Angatuba, no Pacaembu (Nacional Club), tínhamos governanta, motoristas, copeiros, professores particulares, uma vida de nobres. Meu pai só trabalhava, vivia viajando, nunca mantinha qualquer diálogo com seus filhos. Porém quando começou afundar o seu “Transatlântico”, ele se transformou em um pai fantástico que reunia toda a família, para contar tudo que estava acontecendo e ficava horas falando como tudo começou. O banco, a C.N.I. (Copan, Eiffel, Nações Unidas e outros), a Roxo Loureiro S.A. Investimentos, que com a colaboração dos sócios Octávio Frias de Oliveira, Carlos Caldeira Filho e Benedito Ferri de Barros concretizaram para a família Guinle (Docas de Santos, C.B.I. e Copacabana Palace) a Refinaria de Petróleo União. No começo essas conversas eram muito cansativas. Eu tinha 12 anos, meu irmão 14 e minhas irmãs 10 e 16 anos, mas ele insistia dizendo que estas histórias seriam o nosso Patrimônio. Ele estava nos preparando para o naufrágio iminente.

Explicava ele que estava sofrendo uma corrida no banco que principalmente as Cias. americanas com negócios no Brasil, estavam retirando todos os depósitos no B.N.I. O motivo desta corrida bancária, foi uma discussão que houve no Copacabana Palace, estavam presentes o Dr. Octávio Guinle, e o Presidente de uma multinacional de Petróleo , Dr. Octávio Frias de Oliveira e meu pai. O presidente da multinacional insistia que era uma aventura a construção de uma Refinaria de Petróleo no Brasil que iria demandar muito recursos e tecnologia, porém meu pai e o Dr. Octávio Frias afirmavam que havia possibilidade de levantar através de vendas de ações, a importância suficiente para implantação da mesma, só necessitando da tecnologia que a multinacional possuía.

Na insistência do meu pai e do Dr. Octávio Frias, o Presidente da multinacional ficou furioso e disse: ” Já senti Dr. Guinle que o Sr. contratou uns aventureiros irresponsáveis para tentar   realizar  um sonho impossível”.  Foi quando meu pai inabilmente disse ao   presidente da multinacional  que ele sendo herdeiro de um dos maiores milionários americanos, recebeu como herança uma  fantástica companhia   e uma grandiosa fortuna, podia se dar ao luxo de ser um executivo comedido, equilibrado, correto, honesto, mas que estava esquecendo que seu antepassado deixou este belo patrimônio, porque ele foi um dos maiores aventureiros da história americana. 

A Refinaria de Petróleo União foi inaugurada mesmo sem o apoio da multinacional , porém tornou-se na ocasião a maior sociedade anônima do Brasil, contando com mais de 13 mil acionistas, superior aos 9 mil da Companhia Paulista, que era a maior S.A. na época. 

Nesta ocasião o B.N.I. através da C.N.I.  estavam construindo vários empreendimentos imobiliários. lançando em primeira mão no Brasil o condomínio a preço de custo, que foi um sucesso na ocasião, porém causou no B.N.I., uma falta de liquidez, somando-se a esta situação, mais o enfrentamento com a multinacional , foi o suficiente para tirar o Deputado Roxo Loureiro fora do sistema bancário brasileiro. 

 Naquela época o diretor da SUMOC era o Dr. Sebastião Paes de Almeida, que foi colega de meu pai, no Colégio São Bento. Várias ligações telefônicas eu presenciei o meu pai pedindo recursos à SUMOC, para enfrentar a corrida, porém o dinheiro não vinha. Até que o Dr. Sebastião avisou ao meu pai, que não adiantava insistir, porque o Sr. Gudin, que era o seu chefe, disse que não tinha interesse em socorrer o B.N.I. e que havia uma pressão muito forte para liquidar o Dr. Roxo Loureiro.  

 Foi aí que surgiu o Sr. Amador Aguiar que assumiu todo o patrimônio do B.N.I. C.N.I., que tinha 46 agências e o Bradesco apenas 12, porém com  grande liquides. Levou o “Transatlântico”. 

 Nassif, tenho muitas histórias na memória e gostaria de contá-las em um livro sem dar nomes aos bois, para fazer justiça à memória de um brasileiro que gostava de realizar e achava ele que importante era a obra e não o seu resultado econômico-financeiro. 

 Gostaria de saber se você acha interessante e possível, encontrar leitores que apreciam a história de um brasileiro que ajudou a renovar o sistema bancário e imobiliário brasileiro.”

A história de Orozimbo Roxo Loureiro, o homem do Copan

Nos tempos de Moreira Salles: Orosimbo Roxo Loureiro, o empreendedor trágico

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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4 Comentários
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  1. Eduardo Pereira

    28 de fevereiro de 2026 5:31 pm

    Será que hoje e diferente ? BMG , depois da passagem do Posto Ipiranga cresceu paca. Hoje seus anuncios sçao voltados pro public com alta renda. Dum banco furreca virou o “must”,
    Banco Master salvo no perriodo Campos, mantido por aparelhos pelo Bacen e finalmente decretada a morte cerebral.
    Não dá pra aproveitar nada pro transplante pois as partes já estão empenhadas como garantia dum CDB fantasma

  2. +almeida

    1 de março de 2026 11:22 am

    Deveria existir um museu da memória, onde qualquer pessoa pudesse registrar memórias que consideram importantes e que algumas pode até preencherem lacunas vazias que possam existir, na linha cronológica do da história e do tempo . Seria como ir descobrindo peças ausentes, de um monumental e histórico quebra-cabeça.

  3. Cidadão sem cidadania

    1 de março de 2026 4:24 pm

    Que maravilha, será que dessa vez vão colocar, que Walter Moreira Sales era ministro do Jango , e ajudou o golpe , e que depois do golpe ganhou de presente da ditadura a jazida de nióbio de Araxá e a fábrica que faz a chapas de nióbio , que coisa fascinante , o banquete ajudou a destruir a tentativa de uma democracia e hoje é tudo como um santo homem, nem vou falar do papel dele na reeleição de fhc e sua destruição, mas sabe , ser da classe dominante civil e militar tem disso , o podre nunca cola neles , maravilha.

  4. José de França Bueno

    5 de março de 2026 12:07 am

    Ou seja: a classe dominante brasileira sempre optando por uma inserção subordinada na divisão internacional do trabalho. Nunca esses caras querem ir para o enfrentamento e fazer deste país um país relevante na ordem internacional. Foi assim com o Barão de Mauá (os ingleses subornaram um juiz brasileiro para decretá-lo falido – quando não estava). O Barão de Mauá “afrontou” os ingleses ao tentar industrializar o Brasil no século XIX. E também afrontou a oligarquia agrária escravocrata e tosca da época. O industrial Delmiro Gouveia foi assassinado no alpendre da sua casa. Seu crime? Afrontou os ingleses da Machine Cotton (de Manchester) ao tirar o mercado da América do Sul em concorrência livre. Os ingleses tentaram comprar a fábrica dele. Ele disse não. Mataram o sujeito. Compraram a fábrica e jogaram as máquinas do alto da cachoeira de Paulo Afonso. Isso em 1917. Existe a cidade de Delmiro Gouveia em Alagoas. Um terceiro caso famoso foi do engenheiro da Poli José Augusto Conrado do Amaral Gurgel, da Gurgel Motores. Ali teríamos um indústria automobilística genuinamente nacional. Teve apoio do governo do seu país? Nâo, claro que não. Mas apoio que Fiat, Volkswagen, Ford, GM tiveram. Em 1970 ele criou o Itaipu E150. Um carro elétrico ! ! ! Eles não faliram por incompetência. Mas por pressão das multinacionais, em colaboração com agentes 5a. colunas aqui de dentro do Brasil mesmo.

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