21 de maio de 2026

É hora do governo Lula ganhar uma cara: a do Presidente Orquestrador, por Luís Nassif

O que falta não é capacidade. Governos fracassam não porque fazem demais, mas porque fazem cada um por conta própria.
Tarsila do Amaral

Mídia normaliza Flávio Bolsonaro, ligado a milícias e casos de rachadinha, para as eleições de 2026.
Governo Lula tem potencial para avanço econômico com coordenação de setores e metas claras.
Propostas incluem integração em saúde, segurança, educação e infraestrutura para superar descoordenação.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

As eleições de 2026 se darão com a mídia normalizando o perfil de Flávio Bolsonaro. A irresponsabilidade midiática está atingindo nível que ainda vai se equiparar à pior fase do jornalismo de esgoto da revista Veja.

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Não é apenas a Folha afirmando que o brasileiro trabalha pouco por dar preferência ao lazer, ou o Estadão cedendo à sanha sionista de seu editorialista e manchetar que ninguém irá chorar pelas vítimas do Irã, no momento em que as notícias são de morte de dezenas de crianças e professores em uma escola bombardeada por Israel-EUA.

Agora, tratam de normalizar uma pessoa intrinsecamente ligada às milícias do Rio de Janeiro, envolvido com familiares do chefe do escritório do crime, com a morte de Marielle Franco, com as milícias de Rio das Pedras, com a prática de rachadinha, com processos nebulosos de enriquecimento.

Até onde vai a insensibilidade dos jornalões? Quando irão se dar conta de sua responsabilidade institucional perante o país? Não conseguiram entender que sua única estratégia de sobrevivência é como porta-vozes dos setores civilizados da sociedade.

O plano de metas

Esse pacto crime organizado-mídia-mercado exige uma estratégia que o governo Lula ainda não se deu conta.

Tem tudo à mão: 

  • possibilidades imensas para um salto da economia, com terras raras, energia verde, um bom sistema tecnológico, empresas estatais de bom porte, que escaparam à sanha destrutiva dos governos Temer e Bolsonaro.
  • uma estrutura social e econômica que permite grandes voos, com o sistema S, os institutos de pesquisa federeais, as universidades públicas, a Embrapii, o Sebrae, o cooperativismo, o MST.
  • Ministros com experiência de organizar atores sociais e econômicos em torno de planos de desenvolvimento, como Fernando Haddad.

Em 26 de abril do ano passado já dávamos a receita:

“Para organizar as informações, tem que haver poucas metas”. Como diz Simone Tebet, “cinco metas, que caibam na palma da mão”.

Toda comunicação social deveria consistir em divulgar essas metas. A partir daí, cada entrega iria sendo enquadrada em cada uma das metas propostas, tijolo a tijolo, passando ao público a noção de uma obra maior, um trabalho conjunto de recriação do futuro.

Hoje em dia há três Ministérios trabalhando nesse formato: o do Orçamento e Planejamento, de Tebet, o da Transição Energética, de Fernando Haddad, e a Nova Indústria Brasil, de Geraldo Alckmin”.

No dia 2 de maio de 2024 mostramos todas as possibilidades abertas pela nova economia:

Ambos entenderam algo simples — e esquecido:

mercados funcionam melhor quando o Estado coordena expectativas.

A lição esquecida

O Brasil de hoje se parece mais com o pré-JK do que com o JK.

E o mundo atual se parece mais com 1933 do que muitos admitem.

A diferença é que:

  • as instituições já existem,
  • a tecnologia facilita a coordenação,
  • o capital humano é maior.

O que falta não é capacidade.

É coragem política para coordenar.

Ou, em versão menos acadêmica:

governos fracassam não porque fazem demais,

mas porque fazem cada um por conta própria.

O governo orquestrador

Vou repetir, aqui, artigo publicado no Projeto Brasil sobre o governo orquestrador:

Dá para fazer muita coisa — e rápido — quando o governo para de tentar reinventar a roda e passa a alinhar as engrenagens que já existem no Brasil. O país não sofre de falta de instituições; sofre de descoordenação crônica. Eis um mapa do que é possível fazer agora, com o que já está aí:

1️⃣ Desenvolvimento produtivo sem criar novos ministérios (milagre possível)

Quem já existe

  • BNDES, Finep, Embrapii
  • SENAI, SENAC, SENAR
  • Sebrae, Apex
  • Universidades federais, IFs
  • Bancos públicos (BB, CEF, BNB, Basa)

O que pode ser feito

  • Programas nacionais por cadeia produtiva (não por setor genérico):

    👉 alimentos processados, fármacos, defesa, mobilidade elétrica, agroindústria, economia do cuidado
  • Crédito + tecnologia + compras públicas num único pacote
  • Contratos de desempenho com metas claras (exportação, emprego, inovação)

💡 Resumo: o Estado deixa de ser caixa eletrônico e vira orquestrador.


2️⃣ Segurança pública: menos bravata, mais inteligência integrada

Quem já existe

  • PF, PRF, polícias civis e militares
  • Coaf, Receita Federal
  • CNJ, MP, Detrans, guardas municipais

O que pode ser feito

  • Centros integrados regionais de inteligência financeira + criminal
  • Força-tarefa permanente contra lavagem de dinheiro local (jogo, milícia, tráfico, grilagem)
  • Banco único de dados operacionais (com controle judicial)

💡 Resumo: crime organizado odeia integração. Vive de silo.


3️⃣ Saúde: SUS com cérebro digital

Quem já existe

  • SUS, Fiocruz, Butantan
  • Datasus, Anvisa
  • Universidades e hospitais públicos

O que pode ser feito

  • Prontuário nacional interoperável (já tecnicamente viável)
  • Produção local de insumos estratégicos com compras públicas garantidas
  • Rede nacional de vigilância epidemiológica em tempo real

💡 Resumo: o SUS já é gigante — falta coordenação tecnológica, não discurso.


4️⃣ Educação e trabalho: parar de formar desempregados sofisticados

Quem já existe

  • MEC, IFs, SENAI/SENAC
  • Sistema S
  • Universidades públicas
  • Ministérios do Trabalho e da Indústria

O que pode ser feito

  • Pactos regionais: formação ligada a projetos produtivos reais
  • Cursos técnicos conectados a compras públicas e crédito
  • Reconversão profissional contínua (IA, energia, logística, saúde)

💡 Resumo: diploma sem demanda é só papel bonito.


5️⃣ Infraestrutura: usar o Estado para destravar, não substituir

Quem já existe

  • DNIT, EPL, Infra S.A.
  • TCU, BNDES
  • Estatais e concessionárias

O que pode ser feito

  • Projetos padronizados e replicáveis (menos obra “artesanal”)
  • Coordenação entre União, estados e municípios para licenciamento
  • Planejamento logístico integrado (ferrovias, portos, energia)

💡 Resumo: atraso não é falta de dinheiro — é excesso de atrito.


6️⃣ Meio ambiente e economia: parar de tratar como inimigos

Quem já existe

  • Ibama, ICMBio
  • Embrapa
  • Universidades
  • Cooperativas e povos tradicionais

O que pode ser feito

  • Bioeconomia amazônica com crédito, assistência técnica e mercado garantido
  • Rastreabilidade obrigatória (já existe tecnologia)
  • Valorização econômica de quem preserva

💡 Resumo: floresta em pé precisa modelo de negócios, não só discurso moral.


7️⃣ Democracia e instituições: coordenação é proteção

Quem já existe

  • STF, TSE, CNJ
  • CGU, TCU
  • MP, Defensorias
  • Universidades e imprensa

O que pode ser feito

  • Protocolos institucionais contra desinformação e ataques coordenados
  • Transparência ativa e dados abertos integrados
  • Educação midiática e institucional permanente

💡 Resumo: democracia não se defende sozinha — precisa engenharia.


🎯 A virada de chave

O Brasil não precisa de mais estruturas. Precisa de:

  • coordenação,
  • metas claras,
  • integração institucional,
  • liderança política com visão de sistema.

Ou, em termos menos diplomáticos:

👉 menos improviso, menos vaidade, menos silo.

O material já existe. Falta só alguém juntar as peças — como num Lego institucional gigante. 

LEIA TAMBÉM:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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6 Comentários
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  1. Antonio Uchoa Neto

    2 de março de 2026 9:59 am

    “Até onde vai a insensibilidade dos jornalões?”
    Até onde for necessário para defender e justificar seus privilégios, como parte, ainda que subalterna e auxiliar, da elite que controla o país.
    “Quando irão se dar conta de sua responsabilidade institucional perante o país?”
    Nunca. A única responsabilidade que reconhecem como sua é a de defender e justificar seus privilégios, como parte, ainda que subalterna e auxiliar, da elite que controla o país.
    “Não conseguiram entender que sua única estratégia de sobrevivência é como porta-vozes dos setores civilizados da sociedade.”
    Os jornalões são, hoje, e em grande parte, um mero apêndice obsoleto do sistema de desinformação mundial. Não vão sobreviver, enquanto tal; serão devorados pelas big techs, e terminarão seus dias como aqueles peixes que sobrevivem nadando ao largo dos tubarões, vivendo das migalhas que sobram da refeição dos bichões.
    Os setores civilizados da sociedade (ainda que eu tenha grande dificuldade para identificá-los, e mesmo para reconhecer sua existência), sobreviverão, talvez, mas seu número e importância vão decrescer até o ponto de perderem a importância, ou seja, quando não justificarem sua existência como pólo consumidor. Consumo, logo existo, não consumo, é como se não existisse.
    A elite dominante, por fim, se reunirá em algum lugar isolado e inacessível – como a ilha do Jeffrey Epstein – e os demais setores da sociedade se limitarão a fornecer-lhes carne barata, trocadilho incluído. Jonathan Swift já sabia disso desde o século XVIII.

  2. Paulo Dantas

    2 de março de 2026 11:43 am

    O problema , talvez , seja que os melhores “músicos” vão sair para campanha.

    Mas bons técnicos podem levar a orquestra.

    Mas será preciso antes ganhar a eleição para qualquer plano nos próximos anos.

  3. Cidadão sem cidadania

    2 de março de 2026 12:51 pm

    Lula nada fará , teve 12 anos de governo e não reendustrializou o país porque não quis , está claro lula é um homem dos poderosos e nada mais ,a aepet tinha e tem um projeto fantástico de reendustrializar a nação atravéz do pré sal , gás para a indústria e lula nunca recebeu eles , e quanto a guarda civil bancando a polícia é e será uma tragédia para periferia, guarda e dez vezes mas violento que PM , são pessoas que queriam ser policial não conseguiram e a frustração fica no psicológico , já disse o vice presidente da ditadura, senhor presidente o meu problema não é com o senhor, é com o guarda da esquina , e essa loucura está acontecendo em uma “democracia’, lula , vai perder essa eleição não porque pobre é de direita ou esquerda, vai perder porque não criou empregos ou seja reendustrializar a nação e apertou a violência contra a periferia com guarda agindo como polícia, se quer acabar com a tráfico e afins tem que controlar o sistema bancário todinho e isso lula nunca fará , quando o ex governador garotinho pegou um áudio de um ricaço do sistema bancário tiraram ele rapidinho e tentaram calar ele com prisão , tem ele falando sobre isso em podcast, mas ninguém liga .

  4. J.Mmmarcelo

    3 de março de 2026 9:56 am

    Esqueceu de dizer q tem um congresso 80 por.cento bolsonarista para atrapalhar e uma mídia q esconde qualquer boa realização de Lula o q por si só estas afirmações explicam o pq de Lula.3 ser INFINITAMENTE meljor q o gov.Bolso de arrasa quarteirão antibrasil e elistista para os 1 por cento e as pessoas não conhecem,dão publicidade às críticas superficiais e escondem os feitos comstrutivos homéricos,na Jovem oan ontem com o Nikolas no pânico foi o PURO EXEMPLO disto,o gc com propaganda do instagram dele bem grande a todo momento,menções somente negativas a um governo para todos chegando ao cumulo de MIMIMIZAR a ação do governo federak nas enchentes do RGS com jogo de palavras negativas,uma falta de caráter imensa num jogo sujo incrível,falta de respeito as pessoas assisridas dignamente daquele estado,ISTO CONVENCE AS PESSOAS SEM INFORMAÇÃO,exaltou a internet q como sabemos é bem manipulável nos flucos de informação (desinformação)cria uma realidade paralela falsa virtual mas entendo,a culpa é do Lula,ele tem q ter e realizar do nada um projeto de país q ng fez no passado(só Vargas)ufa sem mais senão escrevo um livro !!!!

  5. AaRoN sChWaRtZ

    3 de março de 2026 10:20 am

    E NIKOLAS SE POSTA AINDA COMO UM MOLEQIE ANTI SISTEMA !!!

  6. Pedro Rocha

    3 de março de 2026 10:41 am

    Pessoalmente, sempre considerei uma ilusão esperar do Lula e os seus soluções grandiosas para o país, pois só na aparência aconteceram antes. Em 2002 nós tivemos a Janela do Século, um belo conjunto de vantagens sob vários aspectos, mas principalmente políticas e econômicas. A Janela foi jogada no lixo em troca de composições mesquinhas que nos conduzem a situações perigosas. O Lulismo vampiriza o resto da esquerda tradicional e constrói dogmas infantis no lugar de bandeiras clássicas, como a “necessidade de maioria congressual” sem a qual não é possível aprovar reformas.

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