As Forças de Defesa de Israel (IDF) iniciaram nesta terça-feira (3) uma nova fase de operações terrestres no sul do Líbano, avançando sobre posições estratégicas para consolidar o que autoridades militares chamam de “zona-tampão“. A manobra ocorre em meio a uma violenta escalada no Oriente Médio, deflagrada após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no último sábado (28), que resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, confirmou ter autorizado, junto ao premiê Benjamin Netanyahu, a ocupação de “posições dominantes adicionais“. Segundo Katz, a medida é vital para “impedir disparos contra as comunidades israelenses na fronteira“. Relatos de testemunhas e agências internacionais indicam incursões nas regiões de Kfar Kila e Khiam, áreas historicamente sensíveis.
Recuo estratégico e crise humanitária
Diferente de confrontos anteriores, o Exército do Líbano optou por não oferecer resistência direta ao avanço israelense. Militares libaneses abandonaram ao menos sete postos na fronteira, buscando evitar o engajamento em uma guerra entre Israel e o Hezbollah, o grupo xiita, que mantinha uma trégua frágil com Tel Aviv desde novembro de 2024, rompeu o acordo no domingo ao disparar mísseis contra o norte de Israel em retaliação à morte de Khamenei.
A ofensiva gera um rastro de deslocamento civil. Segundo a Agência de Refugiados da ONU, cerca de 30 mil pessoas já buscaram abrigos coletivos. Nas últimas 24 horas, bombardeios atingiram a capital, Beirute, incluindo a sede do canal de TV Al Manar, ligado ao Hezbollah.
No governo libanês, o tom é de condenação à milícia; o presidente Joseph Aoun afirmou que a decisão de proibir atividades militares do grupo é “definitiva“.
Conflito regional e impacto global
A operação no Líbano é uma face de uma guerra que agora envolve diretamente Washington e Teerã. No quarto dia de hostilidades, o Irã atacou bases dos EUA no Catar e a embaixada americana na Arábia Saudita com drones. Em resposta, Israel atingiu o complexo presidencial iraniano em Teerã.
“Infelizmente, haverá mais [mortes] antes que [a guerra] acabe. Mas os Estados Unidos vão vingar seus mortos“, afirmou o presidente Donald Trump, após a confirmação da morte de seis militares americanos no início da semana.
O prolongamento do conflito já altera a geopolítica econômica. O fechamento do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária do Irã, principal rota de escoamento de petróleo, provocou quedas acentuadas nas bolsas de valores globais.
Enquanto Israel projeta “muitos dias” de combate, a Casa Branca trabalha com um horizonte de até cinco semanas para a estabilização das operações.
Deixe um comentário