O conflito no Oriente Médio atingiu um novo patamar de tensão nesta terça-feira (3) com a confirmação de que a central nuclear de Natanz, principal unidade de enriquecimento de urânio do Irã, foi atingida por bombardeios. Além disso, o balanço de vítimas fatais no território iraniano subiu para 787, segundo dados do Crescente Vermelho, enquanto a guerra iniciada no último sábado (28) se expande para países vizinhos e ameaça a estabilidade energética global.
Alvo nuclear na mira
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou, por meio de imagens de satélite, danos nos edifícios de entrada do complexo subterrâneo de Natanz. Embora o diretor-geral do órgão, Rafael Grossi, tenha descartado risco imediato de vazamento radioativo, ele alertou para o perigo de contaminação em larga escala caso a ofensiva persista.
Especula-se que o ataque tenha sido executado por bombardeiros furtivos B-2 dos Estados Unidos, que decolaram do Missouri em uma missão de 37 horas. A central de Natanz já havia sido alvo de ataques em junho de 2025. Em reação à escalada, a estatal russa Rosatom anunciou a suspensão das operações na usina de Bushehr para evitar acidentes.
Escala de violência e luto
O quarto dia de hostilidades foi marcado por novos bombardeios em Teerã e pelo funeral de 165 alunas mortas em um ataque a uma escola feminina. O conflito, que vitimou o líder supremo Ali Khamenei logo no início da ofensiva, já registra baixas também do lado americano. Donald Trump confirmou a morte de seis militares e prometeu retaliação.
“Infelizmente, haverá mais [mortes] antes que [a guerra] acabe. Mas os Estados Unidos vão vingar seus mortos e desferir o golpe mais devastador aos terroristas que travam uma guerra, basicamente, contra a civilização”, afirmou o presidente dos EUA.
Bloqueio e repercussão regional
A Guarda Revolucionária do Irã declarou o fechamento do Estreito de Ormuz, via crucial por onde escoa grande parte do petróleo mundial, prometendo atacar qualquer navio que tente atravessar a região. O governo iraniano também intensificou o uso de drones contra alvos diplomáticos, atingindo a embaixada dos EUA em Riad, na Arábia Saudita.
Enquanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que o conflito “não vai durar anos“, Trump sinalizou que a ofensiva será “ininterrupta” até que os objetivos de Washington sejam alcançados.
No campo diplomático, o Reino Unido limitou o uso de suas bases militares por aviões americanos, enquanto a França mobiliza sistemas de defesa para o Chipre após ataques a instalações britânicas na ilha.
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