20 de junho de 2026

Ninguém vai chorar pelo fim do Estadão, por Felipe Costa

A imprensa brasileira é pródiga em publicar meias-verdades, sobretudo contra quem está longe e não pode reagir.

O jornal Estado de S.Paulo publicou editorial crítico ao Irã, com acusações consideradas levianas e propagandísticas.
No mesmo dia, 153 civis, em sua maioria meninas, foram mortos em ataque a escola em Minab, sul do Irã.
O editorial é acusado de ser racista e propaganda política, gerando críticas sobre o jornal e seu jornalismo.

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Ninguém vai chorar pelo fim do Estadão.

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por Felipe A. P. L. Costa.

Em 28/2, o jornal o Estado de S.Paulo – um dos porta-vozes da Faria Lima, o epicentro da corrupção brasileira (e.g., aqui) – teve a audácia de publicar um editorial intitulado “Ninguém vai chorar pelo Irã”. Em uma sanha alucinada, o editorialista alinhou uma série de acusações levianas contra o Irã. Ignorância, má-fé ou um pouco dos dois?

A imprensa brasileira é pródiga em publicar meias-verdades, sobretudo contra quem está longe e não pode reagir. Isso em geral é feito de má-fé, por jornalistas sem caráter (e.g., aqui). Mas é também o modus operandi da extrema direita sionista. O propósito aí é camuflar os crimes diários cometidos pelo estado de Israel, liderado hoje por um autocrata corrupto e sanguinário (e.g., aqui e aqui). Veja: militares israelenses (ou até mesmo colonos que vivem em territórios ocupados) estão sempre a “atirar por engano” contra algum alvo civil (jornalistas, inclusive), seja em Gaza, na Cisjordânia, no Líbano ou agora no Irã.

No mesmo dia 28, aliás, 153 civis foram mortos após um ataque a uma escola primária em Minab, uma pequena cidade (~70 mil habitantes) localizada no sul do Irã. Quase todas as vítimas eram meninas pequenas – mas isso não tem importância, pois elas seguramente eram filhas de “gente doente, raivosa, louca”, para usar as palavras do Pedófilo da Casa Branca (ver aqui e aqui). E todas elas certamente iriam se transformar em adultos igualmente “doentes, raivosos, loucos”.

O editorial do Estadão é uma peça asquerosa em vários aspectos. Mas é, sobretudo, uma peça de propaganda política. Estivéssemos a falar de um jornal sério e decente, uma peça pornográfica como essa não teria sido publicada. Ou, na hipótese de que fosse publicada às escondidas (digo: sem conhecimento prévio dos editores), o autor seria sumariamente demitido. E demitido por justa causa: afinal, trata-se também de uma peça racista e, de acordo com a legislação brasileira, racismo é crime. Ao publicar esse tipo de material, portanto, o Estadão não só desrespeita os seus minguados leitores como também estimula um crime. (Por muito menos do que isso, aliás, o Ministério Público abriu recentemente um processo milionário contra a Rede Globo – aqui.)

Fundado ainda na segunda metade do século 19, o Estado de S.Paulo dá sinais de que é um jornal decrépito. Além de leitores, falta-lhe o bom jornalismo. Conheço gente que diz que se trata de um morto-vivo à beira da extinção. Ora, a se concretizar esse prognóstico, ouso dizer aqui que “ninguém vai chorar pelo fim do Estadão”.

* * *

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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  1. Gaspar Alencar

    5 de março de 2026 11:20 pm

    Felipe, seria bom um dia de jejum ” das notícias meias verdades – meia boca” da mídia corporativo – vc ouve a imprensa independente e qdo vc para ouvir esses caras – é lamentável. Para entortar de vez seu chara da unb, escreve hj no ggn que aquele que ( Roberto Freire), se encantou com o canto do Tangará príncipe que foi do PCB, se jogou nos braços do centrao ( esses centrao é pura Geni) com todo respeito as Genis da vida!

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