21 de maio de 2026

O Crepúsculo da Perícia e a Ascensão do Estado Policial, por Luís Nassif

O que mais se compra na Polícia Federal?

Vazamentos da Polícia Federal expõem inquéritos e imagens sigilosas, indicando corrupção interna e conluio político.
Perícia da PF no caso Fábio Luiz é criticada por manipular dados financeiros e comprometer reputação dos peritos.
Operação Master repete erros da Lava Jato, com perícias e vazamentos questionados por falta de transparência e contexto.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Só por uma questão temporal, Fritz Lang não se inspirou na Polícia Federal brasileira para compor o clássico “Os Mil Olhos do Dr. Mabuse”. O que o Partido da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) está montando com a Operação Master, mais conhecida como Lava Jato 2, seria de levantar os cabelos do espírito democrático do país – se não fosse tão Avis rara.

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Peça 1 – os vazamentos da PF

Não adianta tentar atribuir o vazamento do inquérito à CPMI do INSS. Todos os vazamentos estão sendo feitos pela Polícia Federal, por via direta ou indireta.

O último foi a foto de Daniel Vorcaro sendo fichado.

De uma experiente testemunha da da vida pública brasileira:

“Quem vendeu as fotos de identificação de Vorcaro, peças legais essenciais prévias ao encarceramento dele à Imprensa? Sem quebra de dever funcional por alguém essas fotos não poderiam ter vazado. Isso significa que a Imprensa corrompeu alguém no Serviço Público e numa área tão sensível como a Polícia Federal… O que mais se compra por lá?”

Definitivamente, a PF se deixou corromper. Por dinheiro, interesse político, o que seja, deixou-se corromper. E em sociedade com um Ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.

Nos primeiros dias da captura dos telefones de Vorcaro, a perícia da PF vazou as notas sobre o contrato da esposa de Alexandre de Moraes. Nos dias seguintes, as mensagens tentando comprometer o atual diretor de fiscalização do Banco Central.

Peça 2 – o caso Fábio Luiz

O caso de Fábio Luiz é o exemplo acadêmico do uso político da contabilidade. Ao divulgar movimentações brutas sem o filtro de uma perícia séria — que explicaria o mecanismo de aplicações e resgates automáticos do Banco do Brasil —, a PF cria um “escândalo de milhões” onde pode haver apenas um saldo modesto. É um trabalho intencionalmente precário, desenhado para o linchamento público, não para a verdade processual. O jogo político de um grupo restrito na CGRC joga no ralo a reputação de 10.000 peritos sérios.

A perícia poderia apurar o valor real que entrou na conta, já que “movimentação” registra movimento de entrada e saída de dinheiro, a origem dos recursos que entraram e se são compatíveis com a renda e os negócios de Fábio. Fez um trabalho intencionalmente porco, com propósitos políticos.

Um exemplo:

1. A conta remunerada do Banco do Brasil funciona com sistema de aplicação automática. Sempre que o saldo da conta fica positivo, no fim do dia o sistema transfere automaticamente para um fundo de investimento.

2. Quando o cliente saca o dinheiro, o sistema resgata automaticamente a aplicação e o valor volta para a conta corrente.

3. Imagine o mês iniciando com um depósito de R$ 1.000,00. Cada dia corresponde a uma movimentação de R$ 2.000 – R$ 1.000 de resgate; R$ 1.000 de aplicação.

4. Em 30 dias, a movimentação será de R$ 60 mil, mesmo que o saldo real continue próximo a R$ 1.000.

Pode ser isso, pode ser que não. A resposta viria de uma perícia séria da PF. Mas o grupo que assumiu a operação preferiu fazer o jogo político, comprometendo a imagem da corporação. 

Conclusão: um grupo de menos de dez peritos está jogando no ralo a reputação de mais de 10.000 peritos da corporação.

Peça 3: O Fantasma da Lava Jato

Os erros que anularam a Lava Jato renascem na Operação Master. No passado, foram os sistemas da Odebrecht sem cadeia de custódia; hoje, são extrações de dados em massa feitas de forma nebulosa. Naquela época, laudos de superfaturamento eram baseados em “estimativas”; hoje, diálogos são pinçados de celulares sem o contexto necessário, servindo apenas para validar as hipóteses acusatórias dos delegados.

Peça 4 – a perícia no caso Master

O primeiro sinal da articulação política dos peritos veio poucos dias após a apreensão dos aparelhos de Vorcaro, quando passaram a circular vazamentos para jornalistas que sempre atuaram como canal de transmissão da PF.

Quando Toffoli ordenou a mudança do corpo de peritos, imediatamente foi alvo de uma campanha inclemente, claramente municiada pelos levantamentos da Policia Federal nas operações sobre o mercado financeiro. Os grandes “furos” jornalísticos não passavam do mesmo padrão Lava Jato: publicação automática dos releases da PF.

Quando o Ministro Alexandre de Moraes questionou os laudos com os supostos diálogos com Daniel Vorcaro, no dia da sua prisão, a resposta de O Globo foi a de que o laudo era da perícia técnica da PF, como se fosse sinal de garantia.

Essa mesma perícia foi entregue aos deputados da CPI do INSS, com autorização expressa do Ministro André Mendonça. No meio, diálogos pessoais, que nada tinham a ver com o caso, e outros absurdos. O que impediria uma PF, com esse grau de abuso, de manipular informações, de incluir nomes de jornais críticos nas delações – como fizeram com o DCM. Ou de manipular as conversas de Vorcaro com autoridades, ou as conversas no celular? Qual o nível de confiabilidade das perícias?

Peça 5 – o sistema de indicação dos peritos

Na Polícia Federal, os responsáveis por análises técnicas em investigações são os peritos criminais federais, vinculados à Diretoria Técnico‑Científica da Polícia Federal e ao Instituto Nacional de Criminalística.

Embora o protagonismo dos delegados seja menos “popstar” que na era Curitiba, a centralização sob Daniel Mostardeiro Cola e a DICOR é mais profunda. O vazamento não é erro, é método. O país assiste, entre o silêncio de um Ministério Público apático e um STF sitiado por suas próprias vulnerabilidades, à restauração de um Estado Policial onde a perícia não serve à Justiça, mas ao poder. E com os mil olhos do Dr. Mabuse.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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10 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    8 de março de 2026 9:09 am

    Evangélica e “terrivelmente” evangélico.
    A CAL-Central de Achincalhes ao Lula, novamente atinge seu esplendor. Com Supremo, PFG(Milícia Federativa do Golpe) Rede Golpe e demais coadjuvantes.
    E se não conseguirem dobrar o eleitorado que ainda resta resistente, repetirão as tais marchas de junho e consequentemente impeachment “do velho senil”.

  2. Jpontomarcelo

    8 de março de 2026 10:10 am

    Ditadura praticou ikegalidades,ng puniu e se repetiu,lavajato/pf/mídia praticaram ilegalidades ng puniu e se repetiu,uma putaria só mas são ilibados eu sei,Tigrinho Nogueira fez coisa dez mil vezes ao quadrado pior q Molares e ng oediu a cassação do amigão do Vorcaro cria do Campos neto,culpa do Lulinha q deixou a Globo kevar mais de 100 milhões do Grupo do banco Mastwr,cadê os wxtratos bancários multimilionarios dw Flávio?Tadinho do Bolsso.naro pro armas e pro guerras,não deixaram ele terminar de ARRASAR o Brasil,culpa do Lula,vale tudo para tiralo,Aff !!!

  3. Paulo Dantas

    8 de março de 2026 10:25 am

    O Ministro da Justiça veio do Corporativo da Petrobras sem experiência, creio eu, em polícia nem política , onde o bicho pega.

    O Globo deixou claro que as ligações do Morais vieram da PF.

    Mas a PF não pode vazar, ponto.

    O problema é que a mídia, toda ela, apoia vazamentos seletivos quando isto interessa.

  4. Paulo Dantas

    8 de março de 2026 10:34 am

    Sem falar no cabloco que faleceu sobre custódia , com uma capivara de respeito , sem apavorou, então tá.

    Desculpe mas sigo desconfiando, direito de cidadão.

  5. Mário Mendonça

    8 de março de 2026 10:47 am

    Mouro, só faltou mencionar que toda essa Barafunda é por causa das operações carbono oculto da PF que foi pra cima do podre sistema financeiro! Entregaram um banqueiro menor, ( Vorcaro), mas veio junto os agende estado que agiam como seus testas de ferro! O Brasil não é pra amadores! Abração.

  6. jose carlos lima

    8 de março de 2026 10:47 am

    Este país não consegue ser republicano, pois os golpistas de plantão não arredam o pé, aliás, simo terra fértil para processos baseados em falsaa acusações: na lava Jati, Lula, Dona Maruse, o reitor Luis Carlos Cancellier, foram vitimas de fake news que destruiram suaa vidas e nada aconteceu contra os falsos acusadores como Moro, Dalanhol, midia, polucia, justica….

    Com o caso Escola Base fou a nesma cousa: um boato de pedofilia que vurou bola de neve

    E todos fazem cara de paisagem pra essa tragedia que é a falsa acusacao, com direito a laudos forjados pra sustentar uma mentira alardeada pela midia

    Por isso ha milhares de inocentes presos devido a falsas narrativas e as vitimas de tais pdocessos kafkianos ficam ao Deus dará, por isso muitos, diante do rolo compressor, sem acolhimento, tiram a propria vida, como fizeram Cabcellier, Vargas, etc

    O golpe no Brasil virou destino desde a proclamação da repúbluca

    Que república ?

    Foi nisso que resultou o republicanismo de Lewandowsky, ex-ministro da Justiça.

    Quem manipula a opinão publica é a superestrutura, formada pelos siatemas midiatico, penal, religioso e educacional  

    Nossa elite sabuja jamais vai admitir a transparencia e o combate a corrupçao e, como sâo os governos progressistaa que ousam combater a corrupçao, a zelite vem de Farsa a Jato: acaba um golpe ja tem outro no forno, para que a extrema direita volte ao poder e povo volte para onde não deveria ter saido: a fila do osso  

    Nenhuma citação de nomes que roubaram, continuam roubando e continuarão no atacado, na cada das dezenas de bilhões de reais, afinal de contas a Casa Grande tem licença pra roubar e muito e que o povo seja ludibriado por falsas narrativas e tudo bem para manipuladores e manipulados: que não se trube a paz do rebanho aprisionado na caverna de Platão: ou bolha digital: tanto faz

    É disputa pelo poder e não combate a corrupção o foco dessa elite porca 

    Que nojo

    1. Rui Ribeiro

      9 de março de 2026 1:57 pm

      Então o Vorcaro é o boi de piranha, sacrificado no altar do rentismo, enquanto a boiada atravessa o rio, livre, leve e soltinha da $ilva??

  7. Rui Ribeiro

    8 de março de 2026 11:19 am

    Ao mesmo tempo, o sistema tá empenhado em blindar o caroneiro de jatinho de empresário e ainda por cima bandido Nikolalau. Mas o Nikolas tava cantando a seguinte música:

    Fui Eu
    (Paralamas do Sucesso)

    Os pés descalços queimando no asfalto
    Os carros passam, vem e vão
    Eu dobro a esquina
    Eu vou na onda
    Pego carona na multidão
    Você olhou, fez que não me viu
    Virou de lado, acenou com a mão
    Pegou um táxi, entrou sumiu
    Deixou o resto de mim no chão
    Vai ver que a confusão
    Fui eu que fiz
    Fui eu

    Há algo errado no paraíso
    É muito mais que contradição
    Sou eu caindo num precipício
    Você passando num avião
    Você olhou, fez que não me viu
    Foi como se eu não estivesse ali
    Desligou a luz, deitou, dormiu
    Nem pensou em se divertir
    Vai ver que a confusão
    Fui eu que fiz
    Fui eu

  8. Edivaldo Dias de Oliveira

    8 de março de 2026 11:47 am

    O diretor geral da PF ou alguém no governo Min. da Justiça, não pode contestar juridicamente a decisão do Mendonça, que o impede de ter acesso aos autos? Na prática Mendonça demitiu o Andrei Meireles por justa causa.

  9. Rui Ribeiro

    8 de março de 2026 12:08 pm

    A Puliça Fodoral está sendo a égua na qual se encontra montado o Japoneizin da Federal.

    Japoneizin da Federa não queria concorrente no seu submundo, bastando apenas ele suspeita que alguém era criminoso para ele tentar ridicularizar e possivelmente eliminar seus possíveis concorrentes

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