A 98ª edição do Oscar, realizada neste domingo (15), consolidou o favoritismo de “Uma Batalha Após a Outra“, de Paul Thomas Anderson, mas deixou um gosto agridoce para o cinema brasileiro. Pela primeira vez na história, o país chegou à cerimônia com cinco indicações, impulsionado pela força de “O Agente Secreto“, dirigido por Kleber Mendonça Filho. Apesar da visibilidade e da aclamação crítica, o Brasil encerrou a noite sem levar nenhuma estatueta para casa.
O fenômeno Paul Thomas Anderson
O grande vencedor da noite foi o drama político “Uma Batalha Após a Outra“. O longa, que narra a resistência de revolucionários em um cenário de avanço do fascismo nos Estados Unidos, conquistou seis prêmios, incluindo “Melhor Filme” e “Melhor Diretor”.
Para Paul Thomas Anderson, a vitória encerrou um jejum histórico: após 11 indicações ao longo da carreira, o cineasta finalmente subiu ao palco para receber seus primeiros Oscars (Filme, Direção e Roteiro Adaptado).
A obra se impôs sobre “Pecadores“, de Ryan Coogler, que, apesar de ter batido o recorde histórico de 16 indicações, terminou a noite com quatro prêmios técnicos e de atuação.
A precisão do GGN: A profecia sobre Sean Penn
A vitória de Sean Penn como “Melhor Ator Coadjuvante” não foi uma surpresa para os leitores do GGN. Em análise publicada em 30 de dezembro de 2025, o artigo “Desejo, poder e ambivalência em Uma Batalha Após a Outra: Sean Penn a caminho do Oscar?” já destrinchava a complexidade do personagem Coronel Lockjaw.
Sob a ótica da Psicanálise, o texto explorava como a atuação intensa e marcante de Penn capturava as nuances de um sistema em colapso, colocando-o como o favorito absoluto ao prêmio.
Wagner Moura e a barreira dos favoritos
Na categoria de Melhor Ator, uma das mais aguardadas, o brasileiro Wagner Moura disputava o prêmio por sua performance em “O Agente Secreto“. No entanto, a estatueta ficou com Michael B. Jordan, protagonista de “Pecadores“. A vitória de Jordan é um marco representativo, sendo apenas a sexta vez que um ator negro vence a categoria principal em quase um século de premiação.
A reação de Moura ao anúncio do vencedor viralizou nas redes sociais, com o público brasileiro celebrando a postura do ator mesmo diante da derrota. Além de Ator, o filme de Kleber Mendonça Filho concorria a “Melhor Filme Internacional”, mas perdeu para o norueguês “Valor Sentimental“, de Joachim Trier, que já havia dominado a temporada de festivais europeus.
Avanços técnicos e recordes nacionais
Mesmo sem prêmios, o saldo para o audiovisual brasileiro é considerado positivo por especialistas. Além das quatro indicações de “O Agente Secreto” (Filme, Filme Internacional, Ator e Seleção de Elenco), o país estava representado por Adolpho Veloso, indicado a “Melhor Fotografia” por “Sonhos de Trem“.
A categoria de fotografia, contudo, fez história própria: a vitória de Autumn Durald Arkapaw, por “Pecadores“, marcou a primeira vez que uma mulher venceu este prêmio na história da Academia.
A Netflix também garantiu seu espaço com “Frankenstein“, de Guillermo del Toro, que dominou as categorias técnicas de “Direção de Arte”, “Maquiagem e Cabelo”, e “Figurino”, somando três estatuetas e provando a força das produções de gênero na atualidade.
Confira os principais vencedores do Oscar 2026
| Categoria | Vencedor | Filme |
| Melhor Filme | — | Uma Batalha Após a Outra |
| Melhor Direção | Paul Thomas Anderson | Uma Batalha Após a Outra |
| Melhor Atriz | Jessie Buckley | Hamnet: A Vida Antes de Hamlet |
| Melhor Ator | Michael B. Jordan | Pecadores |
| Ator Coadjuvante | Sean Penn | Uma Batalha Após a Outra |
| Atriz Coadjuvante | Amy Madigan | A Hora do Mal |
| Filme Internacional | Noruega | Valor Sentimental |
| Animação | — | Guerreiras do K-Pop |
Deixe um comentário