10 de junho de 2026

Solidão prolonga dor crônica, aponta estudo da Unesp

Impacto é mais sensível entre as fêmeas, que não se recuperou de ferimento e de dor intensa mesmo 14 dias após início do acompanhamento
Crédito: Getty Images

Pesquisa da Unesp mostra que solidão cronifica dor em fêmeas, mas não em machos, usando modelo com camundongos.
Fêmeas isoladas mantiveram dor intensa e baixos níveis de ocitocina; machos isolados recuperaram hormônios e dor.
Convívio social protege fêmeas da dor crônica; estudo destaca importância do sexo e suporte social em tratamentos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A solidão pode ser um fator determinante na cronificação da dor, e o impacto é ainda mais severo em indivíduos do sexo feminino, de acordo com uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), publicada na revista Physiology & Behavior, que investigou como o isolamento social interfere na transição entre dor aguda e crônica.

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O estudo, financiado pela FAPESP, utilizou camundongos adultos machos e fêmeas divididos em dois grupos: animais mantidos em isolamento individual e animais em convivência com outros quatro da mesma espécie e sexo. Para simular a progressão da dor, todos receberam um corte na pata traseira e, duas semanas depois, uma injeção de prostaglandina para reativar a hipersensibilidade dolorosa.

Ao longo do experimento, os pesquisadores monitoraram a sensibilidade mecânica à dor, expressões faciais de desconforto, comportamentos associados à ansiedade e à depressão — como apatia, anedonia e exploração de novos ambientes — além dos níveis hormonais de ocitocina, vasopressina e corticosterona.

Fêmeas isoladas

Os resultados revelaram uma diferença marcante entre os sexos. “Somente as fêmeas isoladas continuaram com dor intensa 14 dias após o corte. Foi o único grupo que não se recuperou. A dor foi persistente, tornando-se crônica, antes mesmo que realizássemos a intervenção adicional para cronificação”, afirma Daniela Baptista de Souza, professora do Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas da UFSCar/Unesp e uma das autoras do estudo.

Os machos isolados, por sua vez, não apresentaram prejuízo equivalente na recuperação física, embora tenham demonstrado aumento nos níveis de ansiedade em relação aos machos mantidos em grupo.

A dimensão hormonal reforça a assimetria entre os sexos: enquanto as fêmeas isoladas mantiveram níveis baixos de ocitocina, hormônio associado ao vínculo social, durante todas as fases do experimento, os machos isolados com dor crônica recuperaram os níveis do hormônio após o uso de prostaglandina, aproximando-se dos valores observados em animais sem estresse social.

Convívio social

As fêmeas mantidas em grupo apresentaram recuperação completa da sensibilidade física em duas semanas e reequilíbrio emocional após o estímulo doloroso, o que levou os pesquisadores a apontar o suporte social como um possível fator de proteção. Os machos agrupados foram o grupo com maior estabilidade e resiliência ao longo de todo o estudo.

Um achado adicional chamou a atenção: mesmo nas fêmeas que viviam em grupo e tiveram a dor crônica induzida artificialmente, houve queda nos níveis de ocitocina. “Isso sugere que, nelas, o sistema de dor afeta esse hormônio de maneira mais direta do que o ambiente social”, observa Baptista.

Lacuna histórica

Os autores destacam que o trabalho é um dos primeiros a investigar o papel da solidão na cronificação da dor levando em conta o sexo biológico dos animais. A omissão histórica de fêmeas em estudos pré-clínicos e clínicos, segundo eles, compromete a compreensão do fenômeno, especialmente relevante diante do fato de que a dor crônica é mais prevalente em mulheres.

“Os resultados são tão robustos que não devem ser ignorados para a saúde humana”, afirma Baptista. A pesquisadora defende que o sexo biológico e o suporte social sejam incorporados como variáveis centrais em pesquisas e protocolos terapêuticos para a dor, incluindo acompanhamentos pós-operatórios. “Ainda não conhecemos bem os mecanismos que explicam essa diferença, mas já está claro que a interação social e o sexo biológico são fatores centrais na percepção da dor.”

O artigo “The interplay of social isolation, sex, and hyperalgesic priming on behavior and hormone levels in a mouse model” está disponível em sciencedirect.com.

*Com informações da Agência Fapesp.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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