4 de junho de 2026

Do PowerPoint à Lava Jato 2: como se constrói uma narrativa de poder

Quando diferentes vozes dizem essencialmente a mesma coisa, o debate deixa de ser debate — e passa a ser reafirmação.
Freepik

A linha editorial da grande mídia é definida por um núcleo decisório formado por direção, comando editorial e interesses econômicos.
A seleção, hierarquização e enquadramento das notícias criam narrativas que moldam o senso comum e a percepção pública.
Com o declínio da mídia tradicional, o poder de filtragem migrou para algoritmos opacos de plataformas digitais como Google e Meta.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O texto abaixo foi construído pelo ChatGPT, de acordo com prompts que preparei e com conceitos que utilizei em várias matérias.

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O poder da grande mídia nunca esteve apenas no que publicava.

Esteve, sobretudo, no que decidia não publicar — e em como decidia.

As redações brasileiras, especialmente nos grandes conglomerados, sempre cultivaram uma imagem pública de pluralismo interno, debate editorial e compromisso com a informação. Mas, nos momentos decisivos, o funcionamento real era muito mais simples — e muito mais concentrado.

A linha não era construída na base.
Era definida no topo.

1. A sala invisível

Não existe uma sala formal onde se decide “a linha do jornal”. Não há ata, votação ou registro. Mas existe, sim, um núcleo decisório.

Historicamente, ele se organizou em torno de três polos:

  • a direção empresarial
  • o comando editorial
  • e os interesses econômicos associados (publicidade, mercado, relações institucionais)

Nos momentos críticos, esses polos convergem rapidamente.

A pauta do dia pode nascer na reunião de editores.
Mas o enquadramento nasce acima deles.

Não se trata, na maioria das vezes, de ordens explícitas. O mecanismo é mais sofisticado: um sistema de incentivos e limites implícitos, conhecido por qualquer jornalista experiente.

Todo mundo sabe até onde pode ir.
E, mais importante, até onde não deve ir.

2. O processo de filtragem

A construção de uma narrativa passa por etapas invisíveis:

1. Seleção

  • O que vira notícia
  • O que é ignorado

=> Aqui já ocorre a primeira distorção estrutural.

2. Hierarquização

  • Manchete ou nota de rodapé
  • Página principal ou coluna lateral

=> A importância do fato é construída editorialmente.

3. Enquadramento

  • Qual o ângulo da matéria
  • Quais fontes são ouvidas
  • Qual linguagem é utilizada

=> Um mesmo fato pode gerar narrativas opostas.

4. Repetição

  • O tema é martelado até se tornar “realidade pública”

=> É aqui que nasce o senso comum.

Esse processo não exige conspiração. Exige consistência.

3. As campanhas silenciosas

Os momentos mais reveladores não são os escândalos. São as campanhas.

Campanhas não declaradas, mas facilmente identificáveis para quem acompanha o fluxo contínuo da cobertura.

Elas têm características claras:

  • repetição diária de um mesmo tema
  • uniformidade entre veículos diferentes
  • aumento progressivo do tom crítico
  • personalização do problema em figuras específicas

Foi assim em diferentes momentos da história recente.

Na década de 2010, por exemplo, a cobertura da Operação Lava Jato ultrapassou o registro factual e se transformou em narrativa estruturante da política brasileira.

O noticiário deixou de ser episódico. Tornou-se permanente.

E, nesse ambiente, a distinção entre informar e conduzir começou a desaparecer.

4. O circuito fechado de legitimação

Um dos mecanismos mais poderosos da grande mídia sempre foi o que se poderia chamar de “circuito fechado de validação”.

Funciona assim:

  1. Um tema é lançado por um grande veículo
  2. Outros veículos repercutem
  3. Analistas e colunistas reforçam
  4. O tema chega ao sistema político e judicial
  5. Decisões institucionais retroalimentam a cobertura

Resultado: o que começou como narrativa torna-se “fato institucional”.

Esse circuito foi fundamental, por exemplo, na construção do ambiente que levou ao impeachment de Dilma Rousseff.

A legalidade foi sustentada.
Mas a legitimidade foi construída.

5. O papel das fontes — quem fala e quem não fala

Outro bastidor crucial está na escolha das fontes.

A pluralidade formal muitas vezes esconde uma homogeneidade real.

Economistas ouvidos? Frequentemente do mesmo campo.
Juristas? Os mesmos nomes recorrentes.
Analistas políticos? Inseridos no mesmo universo ideológico.

Isso cria um efeito poderoso:

=> a aparência de consenso

Quando diferentes vozes dizem essencialmente a mesma coisa, o debate deixa de ser debate — e passa a ser reafirmação.

6. Publicidade: o filtro invisível

Nenhum grande grupo de mídia opera desconectado de sua base econômica.

A dependência de grandes anunciantes — bancos, montadoras, varejo, telecom — nunca precisou se traduzir em censura direta. Ela opera de forma mais sutil:

  • temas sensíveis são evitados
  • críticas são moduladas
  • certos assuntos simplesmente não entram na pauta

É um tipo de autocontenção estrutural.

Não é preciso mandar calar.
Basta criar um ambiente onde falar custa caro.

7. A relação com o poder institucional

Os bastidores da mídia também passam pelos corredores do poder.

Relações com:

  • ministros de tribunais superiores
  • dirigentes de órgãos reguladores
  • lideranças do Congresso
  • operadores do mercado financeiro

Essas relações não são necessariamente ilegítimas. Em muitos casos, são parte do jogo institucional.

Mas tornam-se problemáticas quando passam a influenciar:

  • o timing das matérias
  • o vazamento seletivo de informações
  • a proteção ou exposição de determinados atores

Na fase mais intensa da Lava Jato, o fluxo de vazamentos foi um exemplo claro dessa engrenagem.

8. Quando o controle escapa

O modelo funcionou por décadas porque era centralizado.

Mas ele começou a ruir quando a informação deixou de depender exclusivamente da mídia tradicional.

Redes sociais, plataformas digitais e comunicação direta quebraram o monopólio.

E, com isso, expuseram os bastidores.

A ascensão de Jair Bolsonaro foi, em grande medida, produto dessa ruptura.

Pela primeira vez, um projeto político relevante se construiu contra a mediação tradicional — e venceu.

Foi um choque estrutural.

9. O novo bastidor: o algoritmo

Com o declínio da mídia tradicional, os bastidores não desapareceram.

Eles mudaram de lugar.

Hoje, o poder de filtragem está cada vez mais nas mãos de plataformas como Google e Meta.

Mas com uma diferença crucial:

=> antes, era possível identificar quem decidia
=> agora, a decisão está embutida em sistemas opacos

O editor virou código.
E o critério virou engajamento.

10. Epílogo — o poder que não se vê

Os bastidores da grande mídia nunca foram uma conspiração clássica.

Foram algo mais eficiente:
um sistema de poder internalizado, reproduzido diariamente por rotinas, incentivos e limites.

Um sistema que:

  • moldava o debate
  • restringia o possível
  • e influenciava o rumo do país

Sem precisar aparecer.

Agora, esse sistema perde força.

Mas o aprendizado que ele deixa é essencial:

=> o poder mais eficaz não é o que grita.
=> é o que define, silenciosamente, o que pode ser dito.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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4 Comentários
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  1. Gaspar Alencar

    24 de março de 2026 7:15 am

    Nassif, sabemos que os pensadores a tendência é ficarem na solidão. Mas, nos transparece que além do espírito interior. Tens um apoio substancial doméstico, Equipe e amigos. Esse tripé mantém qualquer sujeito inabalável. Quando mencionas, os sem imaginação por trás das notícias – Sadi, Malu, Jardim nos transparece bucha de canhão. Pq na hora que quiserem rifa-los. Eles tem a resposta certa. Entre a liberdade de expressão e a liberdade de consciência existe uma depressão abissal. Se puderes duma uma guaribada no que diz o prof. Jiang Xueqin!

  2. Rui Ribeiro

    24 de março de 2026 8:16 am

    “Uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade”. – Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda de Hitler

    Abra qualquer edição do jornal nacional do início até meados da década de 10 e você verá o Bonner sempre abrindo com “notícias” da lava jato. Aquilo era nauseante.

    1. Anônimo

      25 de março de 2026 12:01 pm

      E continua igual.
      Absurdo, abcego e abmudo.
      No-jo.

  3. OjotaABRILaFOLHAnoESTADOdeSpnoGlobo

    24 de março de 2026 9:22 am

    Pois é,desde q paulo henrique amorim era vivo eu dizia q a INFORMAÇÃO E O VDD JORNALISMO era vcs os INDEPENDENTES,os mimadinhos pegaram a PROFISSÃO e fazem dela o q querem,enquanto isso os bem intencionados jornalistas são perseguidos e calados em uma espécie de cercadinho elitista deformativo da informação,nas redações deve está péssimo a coisa,o q está em risco são bem mais coisa q vcs não imaginam,é como.se estivesse um desequilíbrio geral no funcionamento devido das coisas,quando o objetivo vira somente LUCRO,tudo desanda,a humaniddade não é feita para isso,nas redações e emissoras só tem destaque quem entra no jogo sujo,porco e imundo dos mimadinhos,geralmente está em evidência nestrs lugares um FILHINHO DE FULANO DE TAL IMPORTANTE ou seja muito bem pago e ensinado a PROSTITUIR A INFORMAÇÃO e toda uma categoria q paga isto pois é tão concentrado o mercado q a pessoa fica sem alternativa AFF !!!

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