22 de maio de 2026

Financial Times: Bolsonaro migrará do populismo para “ditadura pseudodemocrática”

Imagem: Aftonbladet

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Jornal GGN – Martin Wolf, economista e comentarista-chefe do jornal Financial Times, afirmou em artigo que “seria uma surpresa” Jair Bolsonaro não seguir o caminho de Rodrigo Duterte, nas Filipinas, ou de Viktor Orban, na Hungria, que estão transitando do populismo para uma ditadura de caráter “pessoal” e “pseudodemocrática”. 

Na visão de Wolf, Donald Trump também é um populista com traços autoritários. A diferença é que nos Estados Unidos, as instituições que formam o sistema de freios e contrapesos “cerceiam” as aspirações totalitárias do republicano.
 
No artigo, Wolf cita o livro “Autoritarismo: o que todos precisam saber”, de Erica Frantz, da Universidade Estadual de Michigan. Na obra, a autora destaca dois pontos: primeiro que, hoje, “a maneira mais comum para que regimes autoritários surjam é que consumam a democracia de dentro para fora”; a segunda é que esses novos regimes autoritários, que ela define como “a forma mais perigosa de ditadura”, têm assumido uma forma personalista.
 
O primeiro é que, hoje, a maneira mais comum para que regimes autoritários surjam é que consumam a democracia de dentro para fora, como as larvas de certas vespas devoram os escorpiões que lhes servem de hospedeiros. Processos desse tipo respondem por até 40% de todos os colapsos de regimes democráticos contemporâneos. Ela lembrou os casos de Putin (Rússia), Chávez (Venezuela) e Erdogan (Turquia).
 
Nesse debate, assinalou Wolf, uma questão “crucial” é definir o que á autoritarismo. Pela forma descrita no livro de Michigan, o Brasil já tem pelo menos um dos pés nesse sistema.
 
Autoritarismo é “a ausência de democracia”. Democracia significa um sistema político me que as eleições sejam livres e justas.
 
Sem liberdade de expressão, imprensa libre, execução imparcial das leis eleitorais, votos universal para os aduntos e o direito dos opositores políticos respeitados, a democracia está corrompida.
 
Na eleição de 2018, o ex-presidente Lula foi impossibilidade de concorrer contra Jair Bolsonaro e outros candidatos na disputa pelo Palácio do Planalto. O Tribunal Superior Eleitoral não acatou a mensagem da Comissão de Direitos Humanos da ONU, que determinou que os direitos políticos de Lula fossem assegurados até que o caso triplex seja julgado em última instância.
 
Em entrevista a Kennedy Alencar, para um documentário produzido pela BBC, o ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Levandowski disse que o TSE deu uma surpreendente “guinada jurisprudencial” para inabilitar a candidatura de Lula. Pela jurisprudência, o ex-presidente tinha o direito de concorrer sub judice.
 
Segundo Wolf, “eleições conferem legitimidade. Por esse motivo, muitos autoritários oferecem ‘pseudodemocracia’ mas não sua realidade. As eleições em seus países são uma forma de teatro.”
 
DEMOCRACIAS PESSOAIS
 
O artigo ainda informa que os “traços característicos dessas ditaduras pessoais incluem: um círculo estreito de pessoas leais ao líder; o posicionamento de pessoas leais nas posições de poder; promoção de parentes; criação de um novo movimento político; o uso de referendos como forma de justificar decisões; e a criação de novos serviços de segurança leais ao líder.”
 
Homens como Bolsonaro, Orban, Erdogan, e outros, começam como “populistas”, argumentam que “só eles, assim que obtiverem poderes extraordinários, poderão resolver os problemas do país. Afirmam que a elite tradicional é corrupta e incompetente. Insistem em que os especialistas, o judiciário e a mídia não merecem confiança. Em lugar disso, os eleitores precisam confiar na intuição do líder, que corporifica o povo.” Com esses argumentos, justificam a repressão aos “inimigos do povo”. A democracia é, então, interditada.
 
O NOVO AUTORITARISMO É MAIS MANIPULADOR QUE BRUTAL
 
De acordo com a pesquisa de Wolf, as “autocracias que vemos hoje apresentam diferenças importantes para com aquelas que os partidos fascistas da Itália ou Alemanha criaram na primeira metade do século 20.” São, principalmente, “mais manipuladoras que descontroladamente brutais”.
 
Para alcançar o grau desejado de manipulação, a classe política mais “cínica” ajuda a empurrar a “velha mídia” ladeira abaixo.
 
“As novas mídias são muito menos eficientes na disseminação de uma mensagem de propaganda unificada do que as mídias do passado. Mas são magníficas na difusão de dúvidas. Ao destruir a autoridade dos especialistas, da elite e da ‘velha mídia’, a nova mídia abre caminho a empreiteiros políticos hábeis em explorar ressentimentos e solapar a ideia de verdade.”
 
A Folha traduziu o artigo completo. Leia aqui.
 

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.
alvesscintiaa@gmail.com

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2 Comentários
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  1. Naldo

    1 de fevereiro de 2019 5:45 pm

    Imprensa
    Imprensa livre…..piada…

    Como se a imprensa não fosse a grande culpada por auxiliar esse regime funesto que se implantou no Brasil…..como se estivéssem lutando pra ser livres e não produzindo entrevistas fabricadas para encobrir o rabo sujo de membros do governo…….a imprensa sempre esteve do lado do grande capital, porwue e cria dele……desde Henry lucce…..

    Imprensa livre ……pufffff….como se fosse isso o que realmente essa corja aspirasse…..

  2. AMORAIZA

    2 de fevereiro de 2019 12:48 am

    Essa senhora

    pode ter escrito um livro mas é sobejamente equivocada.

    Ela consegue comparar Chavez com Bolsonaro;Putin com Erdogan, sem levar em conta os componentes que geram as crises nesses governos.

    Onde será que ela mora que não vê e nem ouve outras opiniões e nem pesquisa fontes confiáveis?

    Maior sem noção!

     

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