7 de julho de 2026

Tornozeleira eletrônica não impede candidatura de Marine LePen

Líder da extrema-direita francesa contraria próprio discurso e afirma que “franceses terão oportunidade de escolher” próximo presidente
Marine LePen, líder da extrema-direita da França. Foto: Wikipedia - via Flickr Vox España

Marine Le Pen confirmou candidatura à presidência da França em 2027 após redução de inelegibilidade judicial.
Condenação por desvio de recursos do Parlamento Europeu foi mantida, mas inelegibilidade foi reduzida para 15 meses.
Le Pen planeja nomear Jordan Bardella como primeiro-ministro, mantendo parceria política do partido Reunião Nacional.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, confirmou nesta terça-feira (7) que disputará a eleição presidencial de 2027, após a Justiça francesa reduzir o período de inelegibilidade imposto em sua condenação por desvio de recursos do Parlamento Europeu.

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Em entrevista à emissora TF1, Le Pen afirmou que continuará recorrendo da condenação e anunciou que levará o caso à Corte de Cassação, a mais alta instância judicial da França.

“Esta noite, sou candidata à eleição presidencial”, declarou. Segundo ela, utilizará “todas as vias de recurso disponíveis” para provar sua inocência.

A decisão do Tribunal de Apelação encerra meses de incerteza sobre o futuro político da principal liderança do Reunião Nacional (Rassemblement National – RN), partido que se consolidou nos últimos anos como uma das principais forças da política francesa.

Condenação foi mantida, mas punição foi reduzida

Embora tenha mantido a condenação por desvio de recursos públicos europeus, a Justiça revisou parte das sanções impostas em primeira instância.

Le Pen foi condenada a três anos de prisão, sendo um deles em regime domiciliar com monitoramento eletrônico. Também recebeu multa de 100 mil euros e ficou impedida de exercer cargos públicos por 45 meses, dos quais 30 meses foram suspensos.

Na prática, a punição efetiva de inelegibilidade foi reduzida para cerca de 15 meses — período já cumprido em razão da execução imediata da sentença proferida em 2025. Com isso, ela recupera o direito de disputar a Presidência da República em 2027.

Os magistrados afirmaram que levaram em consideração “a liberdade de escolha dos eleitores” ao fixar a nova duração da inelegibilidade. Ao mesmo tempo, o Tribunal confirmou as condenações dos demais réus envolvidos no processo.

O caso dos recursos do Parlamento Europeu

A investigação apura o uso de verbas destinadas ao pagamento de assessores parlamentares no Parlamento Europeu: a acusação afirma que funcionários remunerados com recursos europeus desempenhavam, na realidade, atividades ligadas ao funcionamento do Reunião Nacional na França, o que configuraria desvio de finalidade dos recursos públicos.

Marine Le Pen sempre negou qualquer irregularidade, e sua defesa sustenta que o processo decorre de interpretações divergentes sobre a divisão entre o trabalho parlamentar e as atividades políticas do partido, afirmando que não houve apropriação indevida de recursos.

“A inelegibilidade indicaria um problema democrático, porque o povo francês tem o direito de escolher”, declarou a deputada durante a entrevista, ressaltando que “os franceses terão a última palavra” sobre sua trajetória política.

Da ameaça de exclusão à confirmação da candidatura

O processo judicial acompanhou durante anos o crescimento eleitoral do Reunião Nacional sem comprometer diretamente os planos presidenciais de sua principal dirigente.

Esse cenário mudou em março de 2025, quando a condenação em primeira instância impôs cinco anos de inelegibilidade com execução imediata, levantando a possibilidade de que Le Pen ficasse fora da disputa presidencial de 2027.

Naquele momento, Jordan Bardella, presidente do RN, passou a ser apontado como possível substituto na eleição, consolidando-se como o principal herdeiro político da líder da extrema direita.

Com a decisão desta terça-feira, entretanto, Le Pen volta ao centro da estratégia eleitoral do partido. Ela afirmou que, caso seja eleita presidente da República, pretende nomear Bardella para o cargo de primeiro-ministro, sinalizando a continuidade da parceria política construída nos últimos anos.

Com Euronews e Rádio França Internacional

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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