Brasil: o país do golpe!
por Izaías Almada
Prezado leitor: o título acima não tem qualquer conotação política e nem insinuações ideológicas entre essas linhas escritas, mesmo para aqueles que acreditam na possibilidade de ser possível a criação de um mundo melhor, mais humanizado e sem luta de classes, por exemplo. Paradoxal? Coisa de quem não sabe o que está falando ou escrevendo? Então vejamos…
O que acontece em nosso país e provavelmente em muitos outros ao redor do mundo neste momento é a enorme tentativa de aplicar golpes financeiros através de telefonemas, e-mails, wathsapps e redes sociais. Com o surgimento e a força da IA, tudo parece possível.
A tal ponto vai o problema, que amigos de muitos anos e até mesmo familiares já não atendem telefones e nem respondem mensagens no celular ou no computador caseiro, pois podem estar em vias de entrar num golpe através do PIX, por exemplo.
Toca o telefone fixo da sua casa (ainda existem milhares e milhares deles), você atende e uma voz masculina ou feminina diz que tal problema acontece com o seu cartão de débito ou crédito e que pode ser resolvido. Basta você fornecer ou confirmar alguns dados e a arapuca está armada.
Tamanha é a confusão de informações e notícias falsas ou verdadeiras com os quais nos confrontamos (o número delas cresce semanal ou mesmo diariamente), que muitos acabam por passar ou confirmar seus dados ou apenas algum deles…
Mas quem está telefonando? Um funcionário do banco ou um golpista? Ou um golpista informado por algum funcionário do banco? Ou de alguma instituição governamental?
Tenho recebido uma média de cinco ou mais telefonemas diários, todos eles de fundo golpista. Fiz inclusive uma lista dos números de telefones que ligam e apago as chamadas sem atendê-las. Todo cuidado é pouco e pode até mesmo criar uma paranoia nas pessoas mais distraídas ou que “não ligam para nada do que se passa à sua volta”…
No livro “Future Crimes” de Marc Goodman*, escrito há mais dez anos, traz na sua contra capa o seguinte texto: “Os avanços tecnológicos têm beneficiado o nosso mundo de maneiras inimagináveis, mas há um lado sinistro: a tecnologia pode se voltar contra nós. Os hackers podem ativar babás eletrônicas para espionar as famílias, os ladrões estão analisando as redes sociais para planejar invasões de domicílio e os stalkers, estão explorando o GPS de smartphones para monitorar cada movimento de suas vítimas. Todos sabemos que os criminosos de hoje podem roubar identidades, limpar contas bancárias e apagar servidores de computador, mas isso é apenas o começo”.
“Estimulante, emocionante e, acima de todo, esclarecedor, “Future Crimes” é um chamado urgente para a ação e mostra como podemos retomar o controle de nossos dispositivos e explorar o enorme poder da tecnologia para o avanço da humanidade, antes que seja tarde demais”.
(*) Fundador do Future Crimes Institute Catedrático de Política, Direito e Ética na Singularity University e Consultor Sênior da Interpol Santa Clara/Califórnia/EUA.
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.
“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: https://www.catarse.me/JORNALGGN “
Deixe um comentário