Oncotô? Proncovô?, por Izaías Almada
No hipotético dialeto medieval dos povos originários desta terra invadida por Cabral, sim porque o Brasil depois de batizado pelos portugueses, já existia há muitos anos antes de sua, digamos, descoberta…
Nada mais natural, portanto supor que seus habitantes, hoje catalogados pelo moderno dicionário anti preconceitos, de “povos originários”, tivessem também vivido o seu momento histórico de idade média, como se vivia do outro lado do Atlântico.
Com a posterior miscigenação entre os descobridores, os povos originais e (também usando o dicionário acima referido) com os “afros descendentes”, o Brasil foi aos poucos criando o seu próprio português com adaptações, traduções, novas palavras de criação popular, gírias e por aí afora: a linguagem popular…
Povos originários, afros descendentes e portugueses foram se ajeitando aqui e ali e com o passar do tempo criaram o português/brasileiro, originando-se daí um incomensurável número de palavras e de expressões que, por vezes, desobedeciam a regras gramaticais e construíam um discurso a ser absorvido pelas novas gerações a partir de 1500…
DNA de raças diferentes, CULTURA de povos diferentes, RELIGIÕES distintas a se confrontarem, os mesmos fenômenos vividos por ingleses, franceses, espanhóis, holandeses, alemães em terras colonizadas, ajudam e por vezes confundem o falar e o escrever de milhões e milhões de pessoas ao redor do mundo…
Esse circo etimológico, cuja história se faz pelo estudo e pelas regras gramaticais que vão se enriquecendo e até mesmo criando novas línguas, acaba por criar também um picadeiro onomatopaico com as mudanças, invenções e descobertas da humanidade.
Onde estou? Para onde vou? Século XXI. Diante das dúvidas, cada vez mais constantes e ameaças impensáveis dos novos líderes da bagunça mundial, refugio-me divertidamente no linguajar antigo…
Por exemplo: diante da foto e das bobajadas de um sociopata do hemisfério norte que invadiu a Venezuela e bombardeou o Irã para acabar com as guerras, só me resta perguntar, Oncotô? Proncovô?
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
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