21 de maio de 2026

IA pode atingir empregos qualificados e pressionar salários, aponta estudo

Relatório da Coface indica que nova onda de automação avança sobre funções cognitivas e pode redistribuir renda do trabalho para o capital
Foto de Steve Johnson na Unsplash

Três anos após o ChatGPT, IA ainda não impactou estatísticas de emprego, mas afeta jovens e funções de entrada.
Estudo da Coface indica IA avançará em tarefas cognitivas, podendo automatizar até 29% em áreas como direito e finanças.
IA pode causar redistribuição de renda, pressionando salários intermediários e concentrando ganhos no capital e grandes empresas.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Três anos após a popularização do ChatGPT, a inteligência artificial ainda não provocou impactos visíveis nas estatísticas agregadas de emprego, mas os primeiros sinais de sua influência começam a aparecer, sobretudo entre trabalhadores mais jovens e em funções de entrada.

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Segundo estudo da Coface, que analisa o potencial de automação da IA sobre o mercado de trabalho global, que a transformação mais profunda ainda está por vir — e pode atingir, de forma inédita, ocupações de alta qualificação e renda.

Mudança de padrão: do trabalho manual ao cognitivo

Diferentemente de ondas anteriores de automação — concentradas em tarefas repetitivas e industriais —, a nova geração de IA tende a avançar sobre atividades cognitivas, não rotineiras e bem remuneradas.

De acordo com o relatório, áreas como engenharia, tecnologia, direito, finanças e produção de conteúdo estão entre as mais expostas. Em alguns casos, até 29% das tarefas podem ser automatizadas nos próximos anos.

No total, entre 14% e 19% das tarefas realizadas pela força de trabalho podem ser automatizadas, dependendo do país analisado.

Essa mudança altera a lógica histórica da automação. Em vez de substituir trabalhadores de média qualificação, como ocorreu com a robotização industrial, a IA passa a pressionar diretamente ocupações centrais na geração de renda e arrecadação.

Risco de redistribuição de renda

O estudo aponta que o avanço da IA pode provocar uma redistribuição estrutural de renda — com perdas para o trabalho e ganhos concentrados no capital.

Caso a substituição de tarefas não seja compensada por novas ocupações, a tendência é de pressão sobre salários, especialmente em funções intermediárias. Ao mesmo tempo, os ganhos de produtividade tenderiam a se concentrar nas empresas que dominam a tecnologia.

Parte desses ganhos pode ainda ser apropriada por grandes empresas globais de tecnologia, o que levanta riscos adicionais para países cuja arrecadação depende fortemente da renda do trabalho.

Impacto já começa pelos mais jovens

Embora o impacto agregado ainda seja limitado, os dados indicam que os primeiros efeitos já atingem o mercado de trabalho.

Nos Estados Unidos e na Europa, há sinais de queda na contratação de profissionais em início de carreira em setores mais expostos à IA. Ao mesmo tempo, salários iniciais mostram tendência de enfraquecimento, enquanto rendimentos de trabalhadores mais experientes permanecem estáveis.

O padrão sugere que a tecnologia está sendo usada inicialmente como ferramenta de substituição parcial de funções júnior — antes de avançar sobre estruturas mais amplas de trabalho.

Automação de tarefas, não necessariamente de empregos

O relatório ressalta que o foco da análise é a “exposição técnica” à automação — ou seja, o potencial de substituição de tarefas — e não a eliminação direta de postos de trabalho.

Ainda assim, os autores alertam que o avanço da chamada IA “agêntica”, capaz de executar fluxos completos de trabalho de forma autônoma, pode acelerar esse processo. Nesse cenário, cerca de 13% das ocupações já estariam no limiar de transformação estrutural, com mais de 30% de suas tarefas potencialmente automatizáveis.

Por outro lado, ocupações que dependem de trabalho físico, interação humana complexa ou adaptação a contextos imprevisíveis tendem a permanecer menos expostas. Funções ligadas à construção, serviços presenciais, saúde e cuidados pessoais aparecem entre as mais resistentes à automação — pelo menos no curto prazo.

Veja mais a respeito na íntegra do estudo divulgado pela Coface.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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