O custo da cesta básica voltou a pressionar o orçamento das famílias brasileiras em março de 2026, com aumento registrado em todas as 27 capitais pesquisadas pelo DIEESE em parceria com a Conab.
A alta foi impulsionada principalmente pelo aumento de produtos essenciais. O tomate registrou elevação em todas as capitais, com impacto das chuvas sobre a oferta. O feijão também subiu de forma generalizada, pressionado por dificuldades na colheita e menor produção. Já a batata teve aumento em todas as cidades do Centro-Sul, também afetada por problemas climáticos.
Outros itens importantes da dieta, como carne bovina e leite, também apresentaram elevação na maior parte das capitais, refletindo fatores como demanda aquecida, exportações e entressafra.
A capital paulista lidera o ranking de custo, com a cesta mais cara do país: R$ 883,94. Em seguida aparecem Rio de Janeiro (R$ 867,97), Cuiabá (R$ 838,40) e Florianópolis (R$ 824,35).
Na outra ponta, os menores valores foram registrados em capitais do Norte e Nordeste, como Aracaju (R$ 598,45), Porto Velho (R$ 623,42), São Luís (R$ 634,26) e Rio Branco (R$ 641,15).
Apesar de mais baratas, essas cestas não representam necessariamente alívio para o consumidor local: na prática, o avanço dos preços compromete uma parcela crescente da renda. Em março, um trabalhador que recebe o salário mínimo precisou destinar, em média, 48,12% do rendimento líquido apenas para adquirir os itens básicos de alimentação.
Esse comprometimento também se reflete no tempo de trabalho necessário para comprar a cesta: foram, em média, 97 horas e 55 minutos — quase metade da jornada mensal dedicada exclusivamente à alimentação essencial.
Diante desse cenário, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário para cobrir as despesas essenciais de uma família de quatro pessoas. Em março de 2026, esse valor deveria ser de R$ 7.425,99 — o equivalente a 4,58 vezes o mínimo vigente, de R$ 1.621,00.
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