Os mais velhos se lembram da campanha dos jornais no pré-golpe de 1964. Os de meia-idade ainda têm vivos na memória os episódios do “mensalão” e da Lava Jato, com suas narrativas construídas em cima de meias verdades e vazamentos seletivos. O padrão parece se repetir.
Para ilustrar o ponto, vale examinar a matéria da Folha de S.Paulo intitulada “Master gastou R$ 60 milhões com autoridades da República em Londres, Nova York e Lisboa“, reproduzida de forma integral por veículos como a Revista Oeste e a Gazeta do Povo.
O texto afirma que Daniel Vorcaro “acompanhou pessoalmente o desembolso de US$ 11,5 milhões — equivalentes a R$ 60 milhões na cotação atual — para financiar eventos internacionais de alto padrão, repletos de autoridades”, e que as informações foram colhidas de “documentos recolhidos pela Polícia Federal”, ou seja, trata-se de mais um vazamento da Polícia Federal.
A reportagem detalha o gasto mais expressivo: cerca de US$ 7,5 milhões no 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres entre 24 e 26 de abril de 2024. O fórum foi organizado pelo Grupo Voto — não pelo Banco Master. O patrocínio foi destinado ao organizador do evento, não pessoalmente aos ministros presentes.
O que é o Grupo Voto? É uma empresa de “diplomacia empresarial e relações institucionais” que tem entre seus apoiadores Jorge Gerdau, um dos expoentes do pensamento liberal brasileiro. O grupo já realizou eventos de lobby em favor do licenciamento de uma megafábrica de celulose da multinacional chilena CMPC.

Recentemente lançou o Voto Mídia, tendo como garoto-propaganda o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Seus eventos reúnem indistintamente figuras da esquerda e da direita — entre os nomes confirmados em edições recentes estão o ex-ministro Eduardo Pazuello e deputados do PL e do Republicanos.

O problema real não é que o Master tenha patrocinado eventos com ministros. Isso é prática comum e disseminada no Brasil, envolvendo patrocinadores dos mais variados setores. O problema é que a Folha — e os veículos que reproduziram a reportagem — não contextualizou quem mais participava dessa mesma lógica. Alimentou a Lava Jato 2 sem identificar os verdadeiros beneficiários do festival de patrocínios do Master.
O Master bancou oito eventos entre 2022 e 2024:
- Nova York, novembro de 2022 — Lide Brazil Conference, com jantar no Fasano custeado pelo banco.
- Paris, outubro de 2023 — 1º Fórum Esfera Internacional, no Hotel Renaissance Paris Vendôme.
- Londres, abril de 2024 — 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, organizado pelo Grupo Voto, no Hotel The Peninsula.
- Nova York, maio de 2024 — Summit Valor Econômico Brazil-USA, organizado pelo Grupo Globo, no Hotel Plaza.
- Cambridge (EUA), 2024 — Brazil Conference, na Harvard e no MIT.
- Lisboa, junho de 2024 — 12º Fórum Jurídico de Lisboa.
- Roma, outubro de 2024 — 2º Fórum Esfera Internacional, no Hotel St. Regis.
- Rio de Janeiro, agosto de 2024 — 23º Fórum Empresarial Lide, no Hotel Fairmont Copacabana.
Além dos eventos, o Master mantinha contratos com múltiplos veículos de comunicação.
Em abril de 2022 e fevereiro de 2023, figurou como patrocinador máster do Camarote Quem/O Globo no Carnaval do Rio.
Em maio de 2024, foi o apresentador principal do Summit do Valor Econômico em Nova York — evento no qual o presidente da Editora Globo, Frederic Kachar, declarou publicamente: “Tenho alegria de ter patrocinadores de empresas que admiro e que tenho o privilégio de ser amigo. Muito obrigado ao Banco Master, na figura de seu presidente Daniel Vorcaro.”
O Will Bank, braço digital do Master, foi patrocinador máster do quadro “Willimpíadas” no Domingão com Huck em 2025.
O site Metrópoles e emissoras do apresentador Ratinho também receberam recursos do grupo. Segundo dados do COAF revelados pelo Estadão, a empresa do jornalista Leo Dias recebeu ao menos R$ 9,9 milhões do Master entre fevereiro de 2024 e maio de 2025.
É nesse ponto que a seletividade editorial fica mais evidente. O mesmo jornal O Globo que dedicou reportagens extensas ao contrato do escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes com o Master — contrato usado para sugerir influência do banco sobre o ministro Alexandre de Moraes — nunca registrou que, no mesmo período, mantinha relação comercial direta com a instituição, cujo principal patrocinador da celebração dos seus próprios 25 anos em Nova York era o próprio Vorcaro.
A estratégia de Vorcaro operou em dois níveis simultâneos: eventos de acesso fechado em Londres, Nova York, Paris e Roma, para construir proximidade com a elite jurídica e política; e contratos publicitários com veículos e comunicadores de massa para construir legitimidade pública. A Folha e os veículos que reproduziram sua reportagem cobriram seletivamente o primeiro nível — ignorando sistematicamente o segundo, no qual eram protagonistas.
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Rui Ribeiro
9 de abril de 2026 5:09 pmSr. Nassif, a Folha e os veículos midiáticos que reproduziram sua matéria seletiva devem ser como o Rubens Ricupero, o qual afirmou:
“Eu não tenho escrúpulos; o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”.
fabbricio coyote
9 de abril de 2026 5:17 pmuma coisa é bancar empresários. outra coissa é banncar servidores públicos.
kaos (acepção de Jorge Mautner) dos consignados
Anônimo
9 de abril de 2026 8:23 pmBarão de Limeira e Faria Lima, uma parceria de sucesso!
Do Moisés Mendes, pelo Facebook:
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Ninguém mais fala em Faria Lima nas manchetes da Folha, do Globo e do Estadão, desde a descoberta da conexão das fintechs com o PCC.
Voltou a ser mercado financeiro, como nessa chamada de capa da Folha, para texto de Monica Bergamo:
“Haddad vira aposta do mercado financeiro para substituir Lula na eleição”
Faria Lima virou uma grife maldita, mesmo que ninguém mais aborde as investigações sobre lavagem de dinheiro em mais de 40 fintechs.
A especulação sobre Haddad pega carona na declaração de ontem de Lula de que ainda não sabe se é candidato.
Comentário ao post do Moisés Mendes:
Em 2018, a Faria Lima não hesitou 1 segundo quanto a “escolha difícil”.
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Mônica Bergamo, a porta voz do Mercado Financeiro, codinome da Faria Lima, foi rápida no gatilho.
A íntegra.
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Haddad vira aposta do mercado financeiro para substituir Lula na eleição
• Datafolha aponta que ex-ministro empata tecnicamente com Flávio Bolsonaro no 2º turno
• Lideranças do PT também já discutiram a possibilidade de forma reservada
Mônica Bergamo – 8.abr.2026 às 23h00
A possibilidade de Fernando Haddad (PT-SP) substituir Lula como candidato a presidente da República anima integrantes do mercado financeiro. Banqueiros e executivos já chegaram a abordar lideranças do PT e o próprio ex-ministro para falar sobre o tema.
SER…
As declarações dúbias de Lula sobre a própria candidatura estimulam a movimentação. Na quarta (8), por exemplo, o presidente disse em entrevista ao portal ICL Notícias que “ainda” não decidiu se vai “ser candidato”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante anúncio de Fernando Haddad como pré-candidato ao Governo de São Paulo, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC – Rafaela Araújo -19.mar.26/Folhapress
… OU NÃO SER
Na sequência, afirmou que tem “o acúmulo de experiência que ninguém tem nesse país”, sinalizando que a maior probabilidade é a de que ele concorra à reeleição.
CHANCE ZERO
As lideranças do PT que já foram abordadas e o próprio Haddad descartam a possibilidade de Lula desistir da candidatura, mesmo diante de números eleitorais que mostram que deve enfrentar uma campanha dura contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
NO SONHO
Lideranças do setor financeiro, no entanto, ainda mantêm o que pode ser definido como esperança, já que preferem um governo de Haddad a uma continuidade de Lula na presidência.
Como revelou a coluna no começo de março, Haddad empata tecnicamente com o Flávio em um cenário de disputa de segundo turno nas eleições presidenciais. Ele tem 41% dos votos, contra 43% do filho de Bolsonaro.
EMPATE 2
O fato de o ex-ministro ser competitivo como candidato a presidente levou lideranças do partido a enxergarem nele um plano B viável caso Lula, em um cenário considerado improvável, mas não impossível, desista de concorrer à Presidência.
MÚSCULO
Lula é considerado o mais forte candidato que a legenda poderia apresentar ao eleitorado. Uma eventual candidatura de Haddad, por outro lado, representaria uma grande novidade nas eleições, enquanto o presidente estaria disputando o seu quarto mandato.
RÉGUA
A rejeição a Lula é de 46%, enquanto a de Haddad é de 27%.
VOZ BAIXA
O tema é considerado tabu no PT e foi sempre discutido de forma mais do que reservada —e, segundo um dirigente, em voz baixa.
Evandro Condé
9 de abril de 2026 9:00 pmE só relembrando, o vídeo do suicídio até hoje não foi apresentado. Sou só eu achando estranho?
Rui Ribeiro
10 de abril de 2026 5:57 amFalha de $ampa afirma que escândalo Master não tem ideologia. Logo, sendo eu Anarcomunista, e não tendo sequer pego uma carona de jatinho, vou reclamar meu quinhão.
$egura, que o filho é de vocês. Não há paternidade biológica coletiva.
Rui Ribeiro
10 de abril de 2026 6:00 amVelhinhos e pensionistas de esquerda e de direita foram lesados pelo Vorcaro a fim de que Nikolas pudesse fazer campanha de carona em jatinhos em favor da direita. Logo, o escândalo Master não tem ideologia
Fábio de Oliveira Ribeiro
10 de abril de 2026 7:17 amPois é, Nassif… Os nomes do presidente do BC nomeado pelo seu Jair (que criou o ambiente desregulado em que o Master cresceu) e do governador do DF (que enfiou dinheiro público no Master e tentou doar um banco público para ele) simplesmente desapareceram. Roberto de Oliveira Campos Neto e Ibaneis Rocha Barros Junior já ficaram mais invisíveis do que Siegfried. O “manto da invisibilidade” que eles ganharam da mídia tradicional é mais eficaz do que aquele que o rei dos Nibelungos foi obrigado a entregar ao herói do Nibelungenlied. O ouro de tolo do Banco Master foi jogado no Lago Paranoá, onde passou a ser guardado pela Uiara com ajuda eventual do Curupira aquático?