17 de junho de 2026

Lula critica Trump em entrevista à imprensa alemã: “Não foi eleito imperador do mundo”

"Precisamos colocar este mundo em ordem, que está prestes a se transformar em um campo único de batalha", disse o presidente
Crédito: Ricardo Stuckert / PR

Lula criticou Trump por ameaças constantes e defendeu reunião da ONU para discutir tensão com Irã.
Presidente explicou que Brasil não enviará petróleo a Cuba para proteger Petrobras, mas oferecerá alimentos e remédios.
Lula não confirmou candidatura à reeleição, mas disse estar se preparando e respeitará resultado das urnas.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a atacar Donald Trump em entrevista publicada nesta quinta-feira (16) pela revista alemã Der Spiegel. Lula afirmou que o líder norte-americano não pode “ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo” e reforçou que Trump não foi eleito “imperador do mundo“, declaração que já havia feito em julho de 2025, quando criticou o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil.

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“Precisamos colocar este mundo em ordem, que está prestes a se transformar em um campo único de batalha”, disse o presidente.

O presidente revelou que pediu aos presidentes da China, Xi Jinping, da Rússia, Vladimir Putin, e da França, Emmanuel Macron, que convocassem uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir a tensão envolvendo o Irã, mas afirmou que ninguém “deu ouvidos”. “É como se estivéssemos à deriva em alto mar, em um navio sem capitão”, resumiu.

O presidente também defendeu que os custos de um eventual conflito entre Estados Unidos e Irã não podem recair sobre os países mais pobres. “Não pode ser que Trump comece uma guerra com o Irã e que quem acabe pagando a conta sejam os pobres da África ou da América Latina”, disse.

Lula foi além e defendeu que o secretário-geral da ONU, António Guterres, convocasse uma Assembleia Geral extraordinária para que líderes mundiais prestem contas.

Também renovou a defesa por uma reforma no Conselho de Segurança, com a inclusão de novos membros permanentes representando a África, o Oriente Médio e países como Brasil e Alemanha. “Como explicar que justamente os cinco membros permanentes sejam os maiores produtores de armas?”, questionou.

Cuba e a Petrobras

Perguntado sobre uma eventual ajuda energética ao governo cubano, Lula explicou por que o Brasil optou por não enviar petróleo ou derivados a Cuba: o risco de impacto negativo sobre a Petrobras, cujas ações são negociadas na bolsa de Nova York.

Segundo ele, os próprios cubanos sinalizaram compreensão. “Os cubanos nos deram a entender: Lula não deve tomar nenhuma medida que prejudique o Brasil”, disse. O presidente afirmou que o país pode ajudar com medicamentos e alimentos, e que o caminho é apoiar Cuba a reduzir sua dependência do petróleo.

Reeleição em aberto

Lula não confirmou candidatura à reeleição em outubro, dizendo que a decisão caberá à convenção do PT. Afirmou, porém, estar se “preparando” para a possibilidade e garantiu disposição física e mental.

Sobre o empate nas pesquisas com Flávio Bolsonaro, disse que respeitará o resultado das urnas, seja qual for. “Quando o povo toma uma decisão, seja ela de direita, de esquerda ou do centro, temos de aceitar o resultado.”

A entrevista foi publicada na véspera da partida de Lula para a Europa. Entre os dias 17 e 21 de abril, o presidente cumpre agenda na Espanha, Alemanha e Portugal. No domingo (19), participará ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz da abertura da Feira de Hannover, evento internacional de tecnologia industrial que terá o Brasil como país-parceiro neste ano.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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