5 de junho de 2026

Se você às vezes se desespera no Brasil de hoje, parabéns! Você além de lúcido, é uma pessoa normal.

Se você às vezes se desespera no Brasil de hoje, parabéns! Você além de lúcido, é uma pessoa normal.
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A vida ensina aos poucos que o ser humano tem uma força extraordinária para enfrentar situações adversas, dores, sofrimento, decepções, perdas. Aprendemos isso não só pelo que observamos à nossa volta, mas principalmente por nós mesmos, nossas vivências.
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Porque, às vezes, não é assim? Porque em algumas circunstâncias ou processos pelos quais passamos, nossos mecanismos de defesa “rateiam”, em alguns momentos atingimos esse tal de desespero, a quase falência de todas as esperanças?
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Arrisco na qualidade de leigo, uma resposta objetiva:

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O desespero nos acomete de modo intenso e envolvendo grande sofrimento psíquico, quando o SURREAL nos aspectos negativos da existência, PASSA A SER O NOSSO REAL, o nosso cotidiano, CONTRADIZENDO tudo aquilo que estávamos “habituados” a esperar da vida, dos amigos, dos familiares, das instituições, do país, da vida……
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Estamos preparados para o “acidental” que a vida traz, para o fortuito, o casual, a morte inesperada do ente querido, a traição amorosa de quem nos “jurava ontem, amor eterno…”, a corrupção daquela figura pública que estimávamos tanto, enfim, as perdas, as decepções…. Por dolorosas que sejam, paradoxalmente, sabemos que são normais – no sentido de fazerem parte da vida.
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É quando uma situação – normalmente um PROCESSO SOCIAL EXTENSO NO TEMPO E EM SUAS DIMENSÕES – foge à essa normalidade, de tal modo e com um grau de “estranheza” tão subversivo à nossa mente, ao ponto de parecer mais uma ficção do que a realidade a nós imposta, que ocorre o que chamo de “fragmentação da mente racional e de nossa psiquê”, uma ruptura, por assim dizer, porque somos OBRIGADOS, pela lucidez e o nosso amor à verdade, a reconhecer que a insanidade, o nonsense absoluto, a perversão de todas as coisas, princípios e valores de vida que sempre nos serviram de “CHÃO”, desapareceram sob os nossos pés….
Só os ignorantes desse mesmo processo social, os alienados, os polianos, os estúpidos, os socialmente indiferentes (como nossa classe média narcísica, por exemplo…) ou as pessoas enfermas, perversas, que o apoiam e celebram, podem estar imunes a esse desespero.
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Senão, vejamos: até uns seis, sete anos atrás, e todos sabemos disso por essa tal “vivência”, simplesmente NÃO HAVIA NEM O ÓDIO NEM AS FRATURAS SOCIAIS EM NOSSA SOCIEDADE. Os que gostávamos de Lula e do PT e os que não gostavam, colocávamos isso no último dos últimos lugares em nossas mentes e corações na hora de nos aproximarmos de alguém de quem gostássemos por outras empatias havidas. Não havia o termo “petralhas”, não havia um murmúrio sequer, nas ruas ou redes sociais sobre “acabar com a quadrilha petista”, ou as sandices que vieram depois como “bolivarianismo” ou “comunismo”, ambos tornados logo após a epidemia do ódio, do preconceito, do fanatismo e da intolerância, termos ligados aos “petralhas”…..
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Confiávamos – e não tínhamos motivo para o contrário – que, apesar de serem sim partidários, nossos juízes, procuradores e ministros do STF traziam em si um MÍNIMO DE DIGNIDADE PESSOAL que impediria que nossa Constituição fosse rasgada, e um golpe de Estado ocorresse mais uma vez em nosso país. Ríamos, das raras vozes que aventavam essa hipótese, o país feliz, Lula celebrado, o emprego batendo recorde, e um ambiente de paz social, apenas quebrado pelo tom catastrófico da grande mídia e as presepadas de Gilmar Mendes e os justiceiros do Congresso como Demóstenes Torres, nada que nos sugerisse uma grave ameaça.
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Foi em 2013 o início da ruptura, o início de nossas ENFERMIDADES SOCIAIS, quando a grande mídia apropriou-se do discurso dos manifestantes das passeatas contra o aumento das passagens de ônibus, as redes sociais também perceberam ali um nicho a ser aproveitado por oportunistas, e, de repente, “o gigante acordou!” (sic…).
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Foi naquele ano que começou a se formar na sociedade – com o massacre diário da Globo – a imagem simbólica e depois definitiva, do PT como “o inimigo da Pátria”, a quadrilha, os sujos, os que mereciam o desprezo, a repulsa, o nojo da sociedade dos “brasileiros de bem”. A campanha de 2014 foi de uma agressividade e sordidez jamais vista até então, lembro com toda a clareza o campo de guerra formado nas redes sociais, Moro elevado à condição de herói, as sementes da Lava Jato todas lançadas, e a capa famigerada da Veja às vésperas da eleição, a “Eles sabiam de tudo!” – sobre Lula e Dilma, apresentados como os dois chefes da “MÁFIA PETISTA”. Por um triz, Aécio não ganha a eleição já em um ambiente típico de Estado de exceção, com a mídia e o Judiciário fazendo-se de partido político a favor da direita brasileira. O resto da História, todos sabemos…
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Os últimos cinco anos foram os piores de nossa História, os mais perversos, os mais cínicos, foram os anos onde A FARSA TOMOU O LUGAR DA REALIDADE e passamos a viver não mais nela, realidade, mas na realidade ficcional RECRIADA PELA GRANDE MÍDIA, até o ponto disso que chamo “O MUNDO-MATRIX À BRASILEIRA”, onde uma sociedade não mais cordata, civilizada, tolerante, mas agora totalmente banhada em preconceitos alucinados, fanatismos, nojos e ódios, vive a cada minuto um novo PAROXISMO, como drogados viciados em heroína ou crack, os brasileiros à espera da próxima notícia, falsa ou verdadeira não importava mais, desde que inoculasse em suas veias dependentes, um pouco mais de ódio a Lula, à Dilma, ao PT….
Essa virou à força, nossa realidade social.
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Cinco anos….. Não parece muito tempo, mas isso é relativo: perguntemos a quem passou um ano em um campo de concentração nazista, se não lhe pareceu um século, tamanha a dor, o sofrimento e a perplexidade – ou, o desespero!
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Cinco anos de selvageria, mentiras, massacres, chegando ao ponto de evitarmos camisas vermelhas em alguns bairros do Rio e de São Paulo, por receio de agressões físicas e verbais. Foram quase dois mil dias, em que todo o dia, as notícias nos eram ruins…..
E era Dilma, fragilizada, perdendo o rumo e tentando “acalmar a mídia e o mercado”, coitada, colocando no poder um Joaquim Levy, a recessão aumentando, o mercado adorando o desastre a caminho…..
Era a Lava jato aumentando o seu poder, a dupla Rodrigo Janot e Sérgio Moro parecendo, literalmente – e era essa a “sensação social havida…” – os donos do Brasil, investigando, prendendo, condenando, a todos os que quisessem, até chegarem aos grandes empreiteiros e inaugurarem no Brasil a era da “prisão para chantagem explícita”, os empreiteiros logo percebendo quem era o alvo, o objetivo político e midiático da operação: O “Nine”, como Moro jocosamente chamava Lula diante de seus amigos…..
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E assim viemos, sofridos, transformados em polianos alienados da dureza daquela realidade, gritando “não vai ter golpe” – e veio o golpe, gritando “Lula livre”, e Lula foi condenado e preso, gritando “volta Dilma”, e Dilma jamais voltaria, gritando “diretas já”, e Temer completou o seu mandato, gritando “Haddad”, e Bolsonaro está aí, eleito, para o nosso desespero…..
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Quantos gritos ainda temos em nossas impotentes gargantas?!?
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É isso….. o artigo imenso e cansativo é apenas para nos lembrar que fomos jogados em um turbilhão de eventos TÃO ABSURDAMENTE SURREAIS, que eu, particularmente duvido que mesmo os mais lúcidos tenham a exata noção de como é grave, é sério, é sofrido, é SUBVERSIVO EM RELAÇÃO À RAZÃO, essa dimensão de perversidades tornadas cotidianas, em nossos existir.
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Termino como comecei: se você eventualmente se desespera no Brasil de hoje, por favor, sinta-se não somente lúcido, mas completamente normal.
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E, sim, estou exausto, tanto quanto você….. Perdoa o último clichê:

A luta continua, companheiro!…..
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Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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