Em pronunciamento divulgado nesta quinta-feira (30), véspera do Dia do Trabalhador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou o lançamento do novo Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas voltado a famílias endividadas, e reafirmou o envio ao Congresso do projeto de lei que reduz a jornada de trabalho para no máximo 40 horas semanais, com dois dias de folga, sem corte de salário.
O programa será lançado na próxima segunda-feira (4) e permitirá a renegociação de dívidas de cartão de crédito, cheque especial, crédito rotativo, crédito pessoal e crédito fundiário.
Segundo Lula, os juros serão limitados a 1,99% ao mês, com descontos que podem chegar a 90% sobre o valor total da dívida. Os participantes também poderão sacar até 20% do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
Uma condição inédita acompanha a adesão ao programa: quem renegociar dívidas ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas esportivas online. “Não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar a mania de jogo dos maridos”, afirmou o presidente, em referência ao impacto das bets nas finanças familiares.
Lula ressaltou que não foi seu governo que permitiu a entrada das plataformas de apostas no Brasil, mas que cabe a ele “colocar um limite à destruição que elas vêm causando”.
Escala 6×1
Lula voltou a defender o projeto de lei enviado ao Congresso em abril que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso por semana. Para o presidente, manter milhões de trabalhadores em regime de seis dias de trabalho por um de folga é incompatível com o nível de desenvolvimento tecnológico atual.
“Não faz sentido que em pleno século XXI, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um”, disse. Ele destacou ainda o impacto desproporcional da jornada extensa sobre as mulheres, que acumulam o trabalho formal com as responsabilidades domésticas.
O presidente defendeu a medida com base histórica, argumentando que todas as conquistas trabalhistas anteriores, salário mínimo, férias remuneradas, 13º salário, foram combatidas por setores do empresariado com o argumento de que quebrariam o país. “E o Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores. Sempre ficou mais forte.“
Crise global
Lula também abordou os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis e dos alimentos no Brasil. Segundo ele, o governo agiu rapidamente, retirando impostos sobre combustíveis e adotando medidas de contenção de preços. “Graças a essas ações, o Brasil tem sido um dos países menos afetados pela crise global”, afirmou.
O presidente listou indicadores que considera conquistas do seu governo: menor inflação acumulada em quatro anos, menor taxa de desemprego e maior rendimento médio dos trabalhadores da história, dado confirmado pelo IBGE nesta quinta-feira (30), com o salário médio chegando a R$ 3.722 no primeiro trimestre de 2026.
Entre outras medidas citadas estão a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000, a redução para rendimentos até R$ 7.350, a antecipação do 13º salário dos aposentados, a ampliação da licença-paternidade, a zeragem da conta de luz para famílias que consomem até 80 kWh mensais e a expansão do programa de subsídio ao gás de cozinha.
Tom político
O pronunciamento teve tom de balanço e mobilização. Lula encerrou a fala com uma lista de categorias de trabalhadores — CLT, MEI, entregadores de aplicativo, trabalhadores informais, agricultores, professores, cuidadores — e reafirmou que o governo está “do lado” de quem vive do próprio trabalho. “Tenho uma certeza neste 1º de maio: o governo do Brasil está do lado de vocês”, concluiu.
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