Brincadeira tem hora, por Izaías Almada
Já tive a oportunidade de escrever aqui numa de minhas crônicas que não é lá muito fácil criticar os Bolsonaros e suas fantasias políticas.
Como agora, por exemplo, onde um deles, de nome Flávio, foi indicado para ser candidato à presidência do país, pelo chefe do grupo que cumpre 27 anos de prisão…
É uma gente que pensa em proveito próprio no mais das vezes. Cérebros vazios de conteúdos, de ideias, de discernimento, movidos pelo ódio. Ódio à educação, ódio à cultura, ódio ao bom convívio internacional, ódio ao “marxismo cultural”, ódio aos trabalhadores, ódio à soberania do país.
Cabeça que odeia não pensa. Cabeça que não pensa está sempre à procura de um pretexto para impor a sua falta de ideias.
O prezado leitor perguntará: mas é possível esse paradoxo? Alguém impor a falta de ideias? Se elas, as ideias, não existirem, como poderão ser impostas? Eu até estaria propenso a concordar com a resposta negativa, mas está aí a realidade política brasileira a demonstrar que é possível… E como!
O que será que pensa o tal Flávio? O mesmo que o pai? O governo do presidente Jair Messias foi aquela total falta de ideias, É O OCO CEREBRAL, vazio no qual a inteligência não age e, portanto, se transforma em campo fértil para o caos.
Que tal os 40 mil livros jogados no lixo pela prefeitura de Osasco, atualmente nas mãos de um bolsonarista?
O que dizer da derrota de Messias para juiz no STF, após a conversa de Alcolumbre com Flávio Bolsonaro?
Estamos chegando ao meio do ano com guerras que podem ter desfechos violentos ainda… E mais: teremos a disputa do Campeonato Mundial de Futebol, como a Seleção do Irã indo aos EUA para a disputa. O que fará Trump, esse “Einstein” do cérebro vazio?
E a política é como o cérebro: não se compadece com o vácuo. Para ter vida, ambos – a política e o cérebro – precisam ser alimentados com algum tipo de ideias, de massa sensível e inteligente, para que a sociedade como um todo, se beneficie minimamente de seus direitos e cumpra seus deveres.
O Brasil só teria a ganhar com a reeleição de Lula, pois se isso não acontecer é quase impossível saber o que iremos enfrentar. Brincadeira tem hora!
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
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