3 de junho de 2026

Doenças neurodegenerativas têm origem mais complexa do que se imaginava, aponta estudo da USP

A descoberta central é que o sistema imune, nessas doenças, não ataca alvos isolados: ele dispara de forma ampla e coordenada contra múltiplos pontos das redes neurais
Crédito: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Estudo da USP revela que Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla envolvem desregulação sistêmica do sistema imune.
Sistema imune ataca múltiplos pontos do sistema nervoso, dificultando tratamentos que focam em alvos isolados.
Pesquisadores defendem terapias que controlem resposta autoimune de forma ampla, além de validações futuras em laboratório.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) revelaram que doenças como Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla envolvem um processo muito mais amplo do que a ciência considerava até agora. O estudo, publicado na revista iScience, analisou quase 600 amostras de sangue e mapeou mais de 9 mil autoanticorpos a partir de bancos de dados públicos, e os resultados apontam que a neurodegeneração não fica restrita ao sistema nervoso central, mas representa uma desregulação sistêmica do organismo.

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A descoberta central é que o sistema imune, nessas doenças, não ataca alvos isolados: ele dispara de forma ampla e coordenada contra múltiplos pontos das redes neurais. “Um anticorpo não ataca apenas uma região específica da conexão entre os neurônios, como um ladrão invadindo uma porta. Trata-se de um ataque sistêmico, como metralhar uma casa inteira”, explica Júlia Nakanishi Usuda, primeira autora do trabalho.

A analogia ilustra bem o problema com as abordagens terapêuticas atuais. Boa parte dos tratamentos em desenvolvimento foca em um único alvo molecular, como as placas de beta-amiloide no Alzheimer, enquanto o sistema imune desregulado continuaria atacando o organismo por outras frentes.

“Gastam-se todos os esforços para proteger e deixar trancada apenas uma porta, mas o ladrão está armado com uma metralhadora disparando contra todas as outras”, diz Otávio Cabral-Marques, professor da Faculdade de Medicina da USP e coordenador da pesquisa.

O que Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla têm em comum

Apesar de causas e sintomas distintos, as três doenças compartilham um eixo: a desregulação neuroimune. O Alzheimer, principal causa de demência mundial, está associado ao acúmulo de placas de beta-amiloide e emaranhados da proteína tau, levando à perda progressiva de memória e raciocínio.

O Parkinson, segunda doença neurodegenerativa mais comum, manifesta-se por tremores, rigidez e lentidão de movimentos, ligados à degradação de neurônios dopaminérgicos. Já a esclerose múltipla, mais frequente em mulheres jovens, resulta de inflamação autoimune que destrói a bainha de mielina dos neurônios.

Em todas elas, segundo os pesquisadores, a neuroinflamação e a resposta imune são centrais para a progressão do quadro, o que torna o estudo dos autoanticorpos essencial para entender o declínio neurológico.

Prática

Os pesquisadores identificaram “assinaturas de autoanticorpos” específicas para cada doença, que podem ser correlacionadas tanto ao estado imunológico do paciente quanto a danos neurológicos e sintomas clínicos.

No caso do Alzheimer, por exemplo, os dados reforçam estudos recentes em camundongos que mostram melhora das conexões neurais quando se reduz a população de linfócitos B, células responsáveis pela produção de anticorpos.

A partir disso, o grupo defende uma mudança de paradigma: em vez de buscar bloqueios em alvos moleculares pontuais, os tratamentos deveriam priorizar o controle da resposta autoimune de forma sistêmica.

Os resultados, por ora baseados em ciência de dados, ainda precisam ser validados em experimentos in vitro e in vivo, mas já sinalizam um novo caminho para a pesquisa e o desenvolvimento de terapias contra essas doenças.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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