A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) emitiu um alerta epidemiológico sobre o início da temporada de vírus respiratórios no Hemisfério Sul, com destaque para a predominância esperada da gripe K, subclado do vírus Influenza A(H3N2), e o avanço simultâneo do vírus sincicial respiratório (VSR). O documento foi publicado na segunda-feira (27) e os dados mais recentes da Fiocruz, divulgados nesta quarta-feira (29), reforçam a preocupação.
O subclado K do H3N2 foi identificado pela primeira vez no ano passado e dominou a temporada de inverno do Hemisfério Norte. No Brasil, sua circulação foi detectada em dezembro de 2025. Apesar de não ser mais grave do que outras variantes conhecidas, ela está associada a temporadas de transmissão mais longas, o que, na prática, pode pressionar os serviços de saúde por um período mais prolongado do que o habitual.
Dos 607 sequenciamentos genéticos realizados pelo Ministério da Saúde até 21 de março, 72% corresponderam ao subclado K, confirmando sua predominância no país.
Cenário atual
No primeiro trimestre do ano, a taxa de positividade para Influenza ficou abaixo de 5% no Brasil, mas já começou a subir no final de março, chegando a 7,4%. O boletim Infogripe da Fiocruz, com dados coletados entre 19 e 25 de abril, confirma o agravamento: há aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causados por Influenza A e VSR em todas as regiões do país.
Das 27 unidades federativas, 24 estão em nível de alerta, risco ou alto risco para a SRAG. Em 16 estados, há tendência de aumento de casos no longo prazo. No total, já foram notificados mais de 46 mil casos de SRAG em 2026 no Brasil. Nas últimas quatro semanas, a proporção de casos positivos por Influenza A subiu para 31,6%, enquanto as infecções por VSR atingiram 36,2%.
Alerta
A organização avalia que o cenário na América do Sul é “consistente com o início gradual da temporada de inverno” e adverte que os países do Hemisfério Sul devem se preparar não apenas para uma temporada de alta intensidade, mas especialmente para picos concentrados de demanda hospitalar em períodos curtos, o que poderia colocar à prova a capacidade de resposta dos sistemas de saúde.
A circulação simultânea do VSR, que avança de forma antecipada em relação ao seu padrão sazonal típico com potencial impacto em crianças pequenas e grupos de risco, somada aos casos ainda relevantes de Covid-19, amplifica esse risco de sobrecarga.
Vacinação
A Opas recomenda que os países intensifiquem as campanhas de vacinação. No caso da gripe, a vacina demonstrou eficácia mesmo diante da variante K: no Reino Unido, por exemplo, a proteção contra hospitalização de crianças chegou a 75% durante o inverno do Hemisfério Norte.
A vacina aplicada no Brasil é atualizada anualmente com base nas cepas mais circulantes no Hemisfério Norte, e o imunizante deste ano já inclui o H3N2. A campanha nacional de vacinação contra a Influenza está em curso, com prioridade para crianças com menos de 6 anos, idosos, gestantes, pessoas com comorbidades, trabalhadores da saúde, população indígena, professores e pessoas privadas de liberdade.
O SUS também oferece a vacina contra o VSR para gestantes, com o objetivo de proteger os recém-nascidos contra a bronquiolite, infecção pulmonar potencialmente fatal causada pelo vírus.
Além da vacinação, a Opas reforça medidas básicas de higiene: lavar as mãos com frequência, evitar locais públicos com febre e manter crianças com sintomas respiratórios em casa, longe da escola.
*Com informações da Agência Brasil.
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