6 de junho de 2026

Política, ciência e mortalidade: o alerta de Paul Krugman sobre os rumos dos EUA

Em artigo, economista aponta relação entre decisões do governo, desinformação e aumento da mortalidade
Foto de George Bakos na Unsplash

FDA autoriza venda de cigarros eletrônicos com sabores, revertendo restrições para proteger jovens nos EUA.
Estudos internos da FDA sobre segurança de vacinas foram barrados, segundo reportagens, em meio a narrativas antivacina.
Krugman alerta que politização da ciência e interesses econômicos afetam saúde pública e expectativa de vida nos EUA.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

As recentes decisões políticas tomadas nos Estados Unidos podem ter consequências diretas sobre a saúde pública — e, em última instância, sobre a expectativa de vida da população.

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O alerta é do economista e prêmio Nobel Paul Krugman, por conta de uma mudança regulatória recentemente anunciada pela FDA (agência sanitária americana), que autorizou a venda de cigarros eletrônicos com sabores como manga e blueberry.

A medida rompe com diretrizes anteriores, que buscavam restringir produtos atrativos ao público jovem, diante do risco de ampliação do consumo de nicotina.

Segundo Krugman, a decisão teria ocorrido sob pressão política direta de Donald Trump, que, após aproximação com lobistas do setor, passou a defender a flexibilização como estratégia para recuperar apoio entre eleitores jovens.

Ao mesmo tempo, reportagens indicam que estudos internos da própria FDA — que apontavam a segurança de vacinas contra Covid-19 e herpes-zóster — teriam sido barrados. As pesquisas, financiadas com recursos públicos e baseadas em milhões de registros médicos, mostravam que efeitos colaterais graves são raros, contrariando narrativas disseminadas por movimentos antivacina.

Para Krugman, esses episódios são parte de um padrão mais amplo: a crescente politização da ciência nos Estados Unidos.

Expectativa de vida e política

Um dos pontos centrais do argumento é a deterioração da expectativa de vida no país. Hoje, os americanos vivem menos do que habitantes de outras nações ricas — e, em alguns casos, apresentam indicadores próximos aos de países mais pobres da Europa.

Se os EUA estavam alinhados com outras economias desenvolvidas até os anos 1980, a inflexão do quadro teve início durante o governo do republicano Ronald Reagan, marcado pela redução do papel do Estado em políticas sociais.

Dados mais recentes reforçam a correlação: estados com maior apoio a Trump tendem a apresentar menor expectativa de vida. Entre os fatores explicativos estão:

  • menor cobertura de saúde
  • resistência à expansão do Medicaid
  • maior vulnerabilidade social
  • menor adesão a políticas públicas de saúde

A pandemia de Covid-19 escancarou essa divisão. Regiões com menor adesão à vacinação registraram taxas de mortalidade significativamente mais altas.

Estudos citados por Krugman indicam que, em áreas politicamente mais conservadoras, o número de mortes per capita chegou a ser até três vezes maior do que em regiões mais alinhadas a políticas pró-ciência.

Krugman atribui esse cenário a dois vetores principais:

1. Interesses econômicos
Setores empresariais teriam atuado historicamente para desacreditar evidências científicas — do tabaco às mudanças climáticas — visando proteger seus lucros. A indústria de produtos alternativos, como os cigarros eletrônicos, se insere nesse contexto.

Além disso, o mercado de terapias alternativas e conteúdos antivacina movimenta recursos significativos, especialmente em mídias conservadoras.

2. Rejeição ideológica à ciência
Parte da base política conservadora nos EUA mantém resistência a consensos científicos, o que se refletiu de forma clara durante a pandemia.

Ou seja: na visão de Krugman, a combinação entre desinformação, enfraquecimento de políticas públicas e decisões regulatórias orientadas por interesses políticos pode agravar problemas estruturais da saúde americana – e os efeitos que já são visíveis tendem a se intensificar nos próximos anos.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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1 Comentário
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  1. Rui Ribeiro

    7 de maio de 2026 9:36 am

    O Paul Krugman é uma voz que clama no deserto. Uma andorinha só querendo fazer verão. Ele não saca que a proletarização da classe média é uma tendência inexorável do capitalismo e culpa o governo Trump por isso. Igual a classe média brasileira, que culpa o Lula por sua proletarização e absolve o verdadeiro culpado, a burguesia. Cada vez mais, a sociedade burguesa se divida em duas classes: Proletariado e uma burguesia cada vez mais encolhida.

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