O avanço das investigações sobre o escândalo do Banco Master passou a produzir efeitos políticos diretos no núcleo do bolsonarismo e abriu uma nova frente de tensão entre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seus filhos e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Nos bastidores, aliados da família avaliam que decisões recentes do magistrado têm atingido figuras estratégicas do campo conservador e enfraquecido o projeto político de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para 2026 em favor das pretensões eleitorais da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
De acordo com informações publicadas pelo jornalista Tales Faria, em sua coluna, o clã Bolsonaro monitora com desconfiança os passos do magistrado. Interlocutores apontam que a vaga ocupada por Mendonça na corte foi consolidada graças ao empenho direto de Michelle, em meio à resistência de lideranças do centrão e à articulação considerada tíbia por parte dos filhos do ex-presidente à época da indicação.
O recuo na delação e o cerco ao centrão
A expectativa inicial de aliados do ex-presidente era de que a relatoria do caso Master servisse como contraponto ao governo federal, mas os desdobramentos recentes tomaram rumo oposto. Mendonça rejeitou os termos iniciais da proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do banco, sob o entendimento de que o acordo original blindava integrantes do desenho político bolsonarista.
Na sequência, ações da Polícia Federal atingiram o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas e um dos principais articuladores do apoio do centrão à eventual candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto. Investigações apontam o recebimento de repasses mensais que variam de R$ 300 mil a R$ 500 mil pagos pelo banqueiro ao parlamentar.
O inquérito indica ainda que um projeto de lei protocolado por Nogueira, que elevava o teto do Fundo Garantidor de Crédito para R$ 1 milhão, teria sido redigido diretamente pela equipe técnica de Vorcaro, beneficiando diretamente a instituição financeira.
Candidatura de Flávio em xeque e opção Michelle
O cenário de desgaste se intensificou após o vazamento de um áudio em que Flávio Bolsonaro solicita cerca de R$ 134 milhões a Vorcaro. O montante, justificado pelo parlamentar como orçamento para a produção de um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, supera o custo somado de grandes produções do cinema nacional.
O episódio alterou a percepção de setores do mercado financeiro que historicamente apoiam o grupo político, passando a avaliar a viabilidade eleitoral de Flávio como fragilizada diante do desgaste público provocado pelas cifras mencionadas.
Com isso, Tales destaca: “Agora só restaria um nome na família que poderia substituí-lo. Trata-se da ex-primeira-dama Michele Bolsonaro, que nos últimos tempos tem feito o papel de esposa perfeita do ex-presidente. Ela sempre foi a candidata predileta do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Mas Bolsonaro e seus filhos nunca a quiseram como candidata. E andam desconfiados da atuação de Mendonça à frente do inquérito ter beneficiado tanto a primeira-dama.“
WRamos
16 de maio de 2026 2:22 pmNão vão entregar o patrimônio mafioso para alguém que logo logo se divorcia do traste. Também devem saber que a santinha do pau oco não aguenta 3 perguntas.