5 de junho de 2026

“Lava Master” e o esquema de vazamentos que mira o STF e o Banco Central

Campanha da mídia no caso Master resgata métodos da Lava Jato na tentativa de emparedar o Supremo e a nova gestão do BC
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Quem olha a cascata de manchetes que inundou a grande imprensa nos últimos meses enxerga um roteiro conhecido. É a velha mecânica do vazamento cirúrgico, aquela que o leitor do GGN aprendeu a decifrar a duras penas durante os anos dourados da Operação Lava Jato. Só que, desta vez, o tabuleiro é o Caso Master, e o objetivo é atingir as vigas de sustentação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Banco Central.

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Para compreender o tamanho desse esquema, o leitor precisa ligar os pontos centrais que revelam os bastidores dessa construção midiática. O escândalo foi lançado ao público sob forte barulho jornalístico concentrado em duas frentes: a acusação de que o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, teria pressionado o conselho do Banco de Brasília (BRB) para adquirir carteiras da instituição e os honorários contratuais do escritório de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, com o Master.

Para entender o cerco, basta recuperar como o consórcio midiático calibrou as manchetes para ditar o ritmo da crise e moldar a percepção pública:

O Globo
Metrópoles
O Globo
O Globo

As primeiras denúncias e o barulho na mídia

O castelo de cartas cai por terra: os conselheiros negam e o BC se defende

Segundo, e mais importante, os conselheiros do BRB que representavam os funcionários e os acionistas minoritários, Ricardo Rodrigues e Kátia Queiroz, emitiram nota oficial negando que tivessem sido informados de qualquer mensagem ou pressão por parte de Ailton de Aquino. Rodrigues explicou que a operação de R$ 270 milhões foi aprovada apenas porque o negócio já estava em curso. A declaração do conselheiro, no entanto, foi deliberadamente escondida no pé da matéria de O Globo, sem qualquer menção no título ou no intertítulo. Rodrigues expôs que embora tivesse proposto suspender a compra de carteiras – dado que já se negociava a aquisição do próprio Master – ele chancelou a operação por se tratar de algo que já marchava na área técnica. Para fechar o esvaziamento da farsa, Marcelo Talarico, o outro conselheiro a quem as mensagens de WhatsApp foram mostradas, esquivou-se e não quis comentar.

Documentos do próprio Banco Central e do TCU confirmaram que a área técnica de fiscalização, sob o comando de Aquino, vinha emitindo alertas formais e exigindo a adequação da gestão de liquidez do Master desde maio de 2024. Foi a equipe de Aquino que identificou as fraudes, acionou a Polícia Federal e o Ministério Público Federal e propôs a liquidação extrajudicial do banco. Quando os relatórios técnicos soterraram as especulações, a colunista de O Globo recuou estrategicamente, passando a focar nos dados do TCU sem publicar qualquer pedido de desculpas ou linha de “erramos” para o servidor injustiçado.

Adversários do STF e do governo assumem o direcionamento

Ficou evidente que os vazamentos não eram frutos do acaso, mas sim uma ação orquestrada por adversários do STF e do governo federal para capturar os rumos da investigação. A Revista Fórum puxou a capivara de um dos personagens por trás do vazamento do contrato de Viviane de Moraes: o perito criminal federal João Cláudio Nabas, afastado da corporação na 7ª fase da Operação Compliance Zero. Investigado por copiar e repassar ilegalmente os dados sigilosos para a imprensa, Nabas revelou-se um militante da ala lavajatista nas redes sociais, com histórico de publicações em apoio a Sergio Moro e ao deputado bolsonarista Marcel Van Hattem, incluindo postagens que atacavam o Supremo por anular as condenações de Lula.

Para além da disputa no Banco Central, o escritório Barci de Moraes veio a público tentar conter o desgaste com uma nota de esclarecimento. A banca detalhou a realização de 94 reuniões de trabalho e a emissão de 36 pareceres técnicos voltados à implementação de programas de integridade (compliance) e adequação do banco às exigências da CGU. O argumento central da defesa para rebater as suspeitas de tráfico de influência é que o escritório nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF.

O STF sob ataque por seus acertos na defesa do Estado

O Caso Master acabou instrumentalizado para reativar o consagrado método de lawfare que marcou a história recente do país. A mecânica atual repete o roteiro de usar investigações financeiras hipertrofiadas e vazamentos seletivos não para buscar a aplicação estrita da lei, mas como ferramenta de pressão política coordenada para constranger e desestabilizar os canais institucionais de decisão do país.

A campanha feroz contra o Supremo não se dá por seus erros, mas por seu papel histórico de salvaguarda institucional do país. Autopreservação ou não, o fato é que o STF cumpriu rigorosamente o seu papel de guardião das instituições no período mais crítico da história recente do país.

Foi o Supremo que funcionou como o principal dique de contenção contra o avanço do extremismo e a tentativa de golpe de Estado em 2023. Diante dos ataques coordenados da articulação bolsonarista contra o resultado das urnas, a firmeza do Tribunal em punir os financiadores e mentores intelectuais, foi o elemento central que garantiu a estabilidade do país. Ao barrar a subversão da legalidade e impor limites aos setores inconformados, a Corte atraiu o rancor permanente de forças políticas e corporativas que operam à margem das regras do jogo democrático.

Esse ressentimento, na verdade, reativa as cinzas de uma contrariedade histórica: foi o próprio STF que, apesar de suas contradições passadas, restabeleceu o leito da legalidade ao declarar a parcialidade e a ilegitimidade dos métodos da Operação Lava Jato.

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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