A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) da Prefeitura de São Paulo levou pelo menos 40 dias para encaminhar à Polícia Civil documentos considerados cruciais para o avanço de um inquérito. A investigação apura possíveis irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), conforme revelou o portal ICL Notícias.
A entidade é presidida por Karina Ferreira da Gama, produtora executiva de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O inquérito policial busca identificar suspeitas de frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório, fraude na execução de contrato administrativo e emprego irregular de verbas públicas no programa WiFi Livre SP.
O cronograma do atraso
Os registros dos autos revelam um descompasso entre as cobranças dos investigadores e a reação da administração municipal. A autoridade policial determinou a expedição do ofício com o pedido de informações em 31 de março deste ano. O documento foi protocolado e recebido formalmente pela SMIT em 10 de abril.
Contudo, em 20 de maio — 40 dias após o recebimento —, uma certidão assinada pelo escrivão Mauro Sergio Gagliotti registrou que a secretaria municipal ainda não havia enviado os dados solicitados.
A demora travou o andamento das apurações. Em manifestação enviada à Justiça em 30 de abril, a Polícia Civil informou que aguardava o retorno da prefeitura e solicitou a prorrogação do prazo para a conclusão das diligências, apontando que o material era indispensável para a continuidade dos trabalhos.
O rastro do dinheiro público
O volume de informações exigido pelos investigadores é amplo e visa reconstruir toda a cadeia de execução e fiscalização do contrato milionário. A polícia requisitou desde a íntegra do procedimento administrativo e documentos de habilitação do ICB até notas fiscais, relatórios de medição de serviços, comprovantes de pagamento e contratos firmados com terceiros.
A investigação também mira a conduta dos servidores públicos. O despacho do delegado Antonio Carlos Munuera Silveira exige a identificação dos agentes da prefeitura responsáveis por fiscalizar a parceria, validar as medições e autorizar as ordens de pagamento ao longo da vigência do acordo.
Outro lado
Procurada para se manifestar sobre o atraso nas investigações, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia afirmou que o material requisitado pela Polícia Civil “já havia sido disponibilizado às autoridades” e que toda a documentação relacionada à parceria está disponível publicamente no Sistema Eletrônico de Informações (SEI).
De acordo com a pasta, o envio dos dados ocorreu por meio do Ofício nº 03/2026/SMIT. A secretaria alegou ainda que a requisição da autoridade policial não estipulava um prazo limite para a resposta. A versão da prefeitura, no entanto, diverge das certidões oficiais anexadas ao inquérito nos dias 30 de abril e 20 de maio, que formalizaram a ausência das respostas até aquelas datas.
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