O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que Washington realizará uma nova ofensiva militar contra o Irã. Em publicação na rede social Truth Social, o republicano afirmou que o objetivo das incursões, além de degradar a capacidade militar de Teerã, é assumir o controle dos mercados de petróleo e gás do país persa, citando como modelo a estratégia adotada na Venezuela após a queda de Nicolás Maduro.
A escalada quebra o cessar-fogo que estava em vigor há quase dois meses e coloca o Oriente Médio em alerta máximo. Em resposta imediata aos bombardeios, as forças armadas do Irã decretaram o fechamento total do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de escoamento de combustível do planeta.
A estratégia energética de Washington
De acordo com o presidente norte-americano, o foco central das próximas etapas da operação militar é a Ilha de Kharg, terminal que concentra cerca de 90% das exportações petrolíferas iranianas. Em entrevista à emissora Fox News, Trump confirmou a intenção de manter os bombardeios e assumir a infraestrutura local.
“Os Estados Unidos atacarão o Irã (cuja Marinha, Força Aérea, Radar, Defesa Antiaérea e todas as outras formas de defesa, juntamente com a maior parte de sua capacidade ofensiva, foram destruídas) com muita força esta noite. Em algum momento, num futuro não muito distante, tomaremos a Ilha de Kharg e outros pontos de infraestrutura petrolífera, assumindo o controle total de seus mercados de petróleo e gás, assim como fizemos com a Venezuela, o que está funcionando brilhantemente tanto para a Venezuela quanto para os Estados Unidos da América”, escreveu o presidente.
Atualmente, o governo dos Estados Unidos gerencia a comercialização do petróleo venezuelano e administra a transferência de receitas para a gestão da presidente interina do país sul-americano, Delcy Rodríguez. Trump indicou que pretende replicar o modelo em Teerã. “Haverá mais bombardeios esta noite, maiores e mais poderosos. Eles estão negociando conosco para fechar um acordo, mas são orgulhosos”, completou o mandatário à Fox News.
Retaliação e bloqueio marítimo
O Ministério das Relações Exteriores do Irã subiu o tom contra a ofensiva, classificando a quebra do acordo de paz como ilegal. O governo iraniano negou que esteja negociando termos com os americanos sob a vigência dos bombardeios.
“Os ataques ilegais e criminosos perpetrados pelos Estados Unidos nas últimas horas não apenas constituem uma violação flagrante… mas também tornam o cessar-fogo praticamente sem sentido”, declarou o ministério em nota oficial. “A responsabilidade pelas consequências extremamente graves desse ato criminoso recai sobre os líderes dos Estados Unidos.”
Como contra-ataque, o alto comando militar conjunto do Irã determinou o bloqueio do Estreito de Ormuz por tempo indeterminado. O país advertiu que qualquer embarcação comercial ou petroleiro que tente cruzar a região será alvejado. O Exército dos EUA, contudo, contestou a eficácia da medida e informou que o trânsito de navios cargueiros seguia normal na região logo após o anúncio de Teerã.
O governo iraniano também emitiu alertas aos países vizinhos que abrigam bases militares norte-americanas, afirmando que o uso dessas instalações para planejar ataques coloca as nações signatárias, na prática, “ao lado dos agressores”.
Justificativas e impactos na região
O atual ciclo de violência teve início após a derrubada de um helicóptero Apache norte-americano por forças iranianas. O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que os ataques iniciais visavam avançar os interesses militares de Washington na região e forçar uma solução diplomática. O Comando Central dos EUA detalhou que os alvos prioritários foram sistemas de comunicação, vigilância militar e instalações de defesa aérea.
Enquanto a Casa Branca nega a participação de Israel nas incursões atuais, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou ter realizado ataques retaliatórios contra posições americanas no Oriente Médio. O agravamento do cenário levou o Kuwait a fechar seu espaço aéreo, enquanto sirenes de alerta foram acionadas no Bahrein e tropas americanas na Jordânia receberam ordens para buscar abrigo.
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