O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viaja neste domingo para Évian-les-Bains, na França, onde participará como convidado da Cúpula do G7, fórum que reúne as sete maiores economias industrializadas do mundo. É a décima vez que Lula integra o encontro ao longo de seus três mandatos.
A viagem chega em momento de tensão diplomática em duas frentes. Com os Estados Unidos, o clima é de cautela após o Escritório do Representante Comercial americano (USTR) sinalizar a aplicação de tarifas de 25% sobre parte das importações brasileiras.
A medida decorre de uma investigação iniciada há um ano pelo governo Trump sobre supostas “práticas desleais” do Brasil, entre elas, o uso do Pix, acusado de prejudicar empresas americanas de pagamentos eletrônicos como Visa, Mastercard e WhatsApp Pay.
Não há confirmação de encontro bilateral entre Lula e Trump, mas o cenário é de negociações intensas. O embaixador Philip Fox-Drummond Gough, do Ministério das Relações Exteriores, disse que os contatos com Washington “seguem em andamento de forma intensa”.
A eventual conversa entre os dois líderes também seria a primeira depois que os EUA designaram formalmente o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, decisão que o governo brasileiro tentou evitar, temendo abrir caminho para intervenções ou sanções.
Com a União Europeia, o ponto de atrito é o veto à importação de carnes, tripas, peixes e mel brasileiros, oficializado pelo bloco em 5 de junho e com previsão de entrar em vigor em 3 de setembro. A decisão veio poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a UE, o que gerou surpresa e preocupação no lado brasileiro.
“Ficamos surpresos com a maneira como foi”, disse o embaixador Fox-Drummond Gough, que acompanha as tratativas. Um possível encontro de Lula com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ainda não está confirmado.
Do lado positivo, já está garantido um encontro bilateral com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. A reunião abre perspectivas para negociações de um futuro acordo comercial entre o Japão e o Mercosul. Outro encontro esperado é com o anfitrião do G7, o presidente francês Emmanuel Macron.
Na programação oficial, Lula participará de três eventos entre os dias 16 e 17 de junho. Discursará sobre parcerias para o desenvolvimento e a ampliação da ajuda financeira internacional a países vulneráveis, falará sobre reforma da governança global, com foco na OMC e na ONU, e participará de um almoço dedicado ao tema da Inteligência Artificial.
*Com informações da Agência Brasil.
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